A pergunta “o que vou pedir hoje?” está a deixar de ser uma decisão espontânea para se tornar um processo cada vez mais mediado por algoritmos e inteligência artificial.
A integração de ferramentas como o ChatGPT no ecossistema do delivery está a transformar a forma como os consumidores escolhem refeições, passando de uma lógica de exploração para uma experiência cada vez mais orientada.
Num contexto em que as plataformas de entrega disponibilizam centenas de opções, o principal desafio já não é a falta de escolha, mas o excesso. Este cenário origina aquilo a que vários estudos chamam “fadiga de decisão”, um fenómeno que a inteligência artificial começa a atenuar ao filtrar e personalizar sugestões.
De acordo com dados da Statista, os sistemas de recomendação — incluindo chatbots — aumentam a perceção de relevância das escolhas e a satisfação do utilizador ao longo do processo de compra, ao cruzarem histórico, contexto e padrões de comportamento.
No caso do ChatGPT, a diferença está na interação: mais do que apresentar opções, a ferramenta conversa com o utilizador e interpreta intenções. A decisão deixa assim de ser apenas uma pesquisa ativa e passa a ser uma experiência guiada.
Apesar dos benefícios, este modelo levanta desafios. Estudos apontam para a chamada “ansiedade algorítmica”, que surge quando os utilizadores não compreendem o motivo das recomendações, o que pode reduzir a confiança nas plataformas.
Além disso, a hiperpersonalização pode limitar a descoberta de novas opções, reforçando padrões de consumo repetitivos em vez de promover variedade.












