Samsung acusada de abusar dos trabalhadores na China

A Samsung Electronics foi acusada pela China Labor Watch, uma organização de controlo das condições de trabalho sediada em Nova Iorque, Estados Unidos, de desrespeitar as leis laborais em seis fábricas localizadas na China que produzem leitores de DVD e telemóveis da marca.

O relatório da China Labor Watch apresenta as conclusões de membros da organização que estiveram infiltrados em oito fábricas chinesas que fornecem a Samsung, das quais seis são controladas pela própria empresa e duas são fornecedoras.

Segundo o documento, citado pelo Financial Times, em todas as unidades os funcionários trabalhavam geralmente mais horas extraordinárias do que o permitido por lei. A China Labor Watch descreve que numa das fábricas os funcionários trabalham em média 186 horas por mês para lá do seu horário regular, quando a lei fixa 34 horas como limite máximo – nas restantes sete fábricas a média mensal é de 100 horas extraordinárias. Para além disso, a organização acusa a maioria das fábricas investigadas de não contemplar os direitos dos trabalhadores nos contratos laborais, bem como de não dar condições para que os seus funcionários apresentem queixas.

A China Labor Watch critica ainda a fabricante sul-coreana por esta contratar trabalhadores-estudantes em condições desfavoráveis, e denuncia mesmo o caso de uma fábrica da marca que recrutou exclusivamente jovens com idades entre os 16 e os 20 anos. De acordo com a organização, alguns desses jovens tiveram que pagar uma quantia de cerca de 126 dólares (99,7 euros) – aproximadamente metade do seu ordenado mensal – para serem admitidos nas fábricas.

Em reacção, a Samsung admitiu estar a par das acusações e prometeu reavaliar as práticas laborais das suas unidades na China. «Nós vigiamos com frequência as nossas fábricas no que respeita às horas extraordinárias. Vamos reavaliar esta situação», assegurou James Chung, porta-voz da Samsung. «Quando novas linhas de produção são acabadas ou novos produtos são lançados no mercado, a forte procura tem levado ao trabalho excessivo dos funcionários», admitiu. No mês passado, a Samsung já havia negado acusações por parte da China Labor Watch, que alegou que um dos fornecedores da marca emprega menores de idade.

Recorde-se que também a Apple, principal concorrente da Samsung no mercado dos tablets e smartphones, tem sido recorrentemente acusada de más condições laborais na China. Em Janeiro passado, a empresa da maçã admitiu a existência de irregularidades praticadas por alguns dos seus fornecedores, como o uso de mão-de-obra infantil e o excesso de carga horária laboral.

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