Um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias que sustenta os órgãos pélvicos – bexiga, útero e intestino – e participa em funções fundamentais como urinar, evacuar, viver a sexualidade com prazer e possibilitar o parto. Mas não é só isso. O pavimento pélvico é também um espelho emocional.
Assim como se “carrega” tensão nos ombros ou no maxilar, também se acumula tensão na pélvis, muitas vezes inconscientemente, lembra num encontro com jornalistas Ana Miguel, fisioterapeuta especializada na Saúde da Mulher e colaboradora da Intimina. Quando estamos stressadas, ansiosas ou em situações de medo, o nosso corpo entra num estado de alerta. Os músculos contraem-se e isso também acontece na pélvis, explica.
Com o tempo, esta tensão pode causar dor pélvica ou sensação de peso, dificuldade em relaxar para urinar ou evacuar, dor nas relações sexuais ou dor lombar. Por outro lado, o pavimento pélvico “guarda” emoções. Por isso, experiências difíceis, como um parto traumático, uma cirurgia ginecológica ou situações de abuso, podem deixar marcas no corpo, mesmo quando já passaram anos.
O desconforto pélvico gerado pode gerar ansiedade, vergonha e medo de voltar a sentir dor. Esse estado emocional reforça a contração muscular, criando um ciclo vicioso: quanto mais stress, mais tensão; quanto mais tensão, mais sintomas. As mulheres com este tipo de disfunções não apresentam falta de força muscular pélvica, mas sim uma hiperactividade constante. Nestes casos, aprender a relaxar, libertar e confiar no corpo pode ser mais terapêutico do que realizar inúmeros exercícios, explica a profissional.
E há formas do corpo reaprender a relaxar e confiar. O tratamento pode incluir fisioterapia pélvica (com técnicas de relaxamento, respiração e consciência corporal), apoio psicológico (quando há ansiedade, trauma ou bloqueios emocionais), exercícios de respiração, mindfulness e ioga (que ajudam a reconectar corpo e mente).
Durante o encontro, Ana Miguel não se cansa de repetir que, em primeiro lugar, é necessário compreender o que o pavimento pélvico precisa em cada caso, sendo essencial uma primeira avaliação por uma fisioterapeuta pélvica. Isto porque nem sempre se trata de fortalecer: por vezes o problema não é a falta de força, mas sim uma musculatura rígida, pouco coordenada ou desconectada.
Nestes casos, a vibração pode facilitar o relaxamento muscular e, ao mesmo tempo, ajudar a reconectar com essa parte do corpo: não apenas o pavimento pélvico, mas também a mandíbula. O objectivo é ensinar a relaxar e a libertar tensão, aprendendo a perceber quando estamos a acumular stress e permitindo que o corpo volte ao seu estado de equilíbrio. E neste contexto, o uso de massajadores íntimos pode fazer a diferença, uma vez que facilitam o relaxamento e o autocuidado, permitindo reconectar com o corpo de forma consciente e tranquila. Além disso, segundo a Intimina, o seu uso favorece a circulação sanguínea, o tónus muscular e ajuda a melhorar o estado de cicatrizes. “Estes dispositivos foram concebidos para combater problemas como a secura vaginal, bem como outras condições relacionadas com a zona íntima (anorgasmia, episiotomias, vaginismo ou dispareunia – sensação de dor ou desconforto durante as relações sexuais).”
Quando o que a mulher precisa é de fortalecer a muscular pélvica, os exercícios de Kegel são os indicados, numa série de contracções e relaxamentos.
“O cuidado consciente desta área não é apenas físico, é também emocional: permite reconectar com a nossa sexualidade, autoestima e energia vital. O stress e a saúde mental estão intimamente ligados ao bem-estar físico, e o pavimento pélvico não é excepção. Reconhecer como as emoções se refletem no corpo é o primeiro passo para recuperar o equilíbrio”, assegura a Intimina.













