Depois de beber uma cerveja, uma água ou uma sidra numa garrafa de vidro, o destino da embalagem parece simples: o vidrão. Mas há um detalhe que pode gerar dúvidas: a carica ou tampa metálica.
Apesar de ser feita de metal, a carica deve ser colocada novamente na garrafa e seguir com ela para o ecoponto verde quando tem até 5 centímetros. A razão está no seu reduzido tamanho: se for colocada isoladamente no ecoponto amarelo, pode perder-se nos crivos das estações de triagem. Já quando segue juntamente com a garrafa, pode ser recuperada no processo de reciclagem do vidro e encaminhada para reciclagem.
A regra não é exclusiva das caricas, sendo que as tampas pequenas de embalagens devem, em geral, permanecer agregadas à embalagem antes de esta ser colocada no ecoponto correspondente. Assim, uma tampa pequena de uma garrafa de plástico segue com a própria garrafa para o amarelo, enquanto uma carica de metal acompanha a garrafa de vidro até ao verde.
Já quando falamos de tampas com mais de 5 centímetros, a lógica muda. No caso de um boião ou frasco de vidro com uma tampa metálica de maiores dimensões, por exemplo, a embalagem de vidro deve seguir para o verde e a tampa de metal para o amarelo.
E a caixa da pizza? E o esferovite?
As caricas estão longe de ser a única dúvida que surge quando chega o momento de decidir o destino de uma embalagem.
A caixa da pizza, por exemplo, pode seguir para o ecoponto azul, mas é importante retirar primeiro todos os restos de comida. Se houver partes do cartão com alimentos agarrados que não possam ser removidos, essas devem ir para o lixo indiferenciado; o restante cartão pode ser reciclado.
Outra dúvida frequente envolve a esferovite. Ao contrário do que poderá parecer, as embalagens e peças de esferovite utilizadas para acondicionar ou proteger produtos devem ser colocadas no ecoponto amarelo. É o caso das cuvetes de carne, peixe ou fruta ou da esferovite utilizada para proteger pequenos eletrodomésticos dentro das respetivas caixas.
Perfume no verde, copo de vidro no lixo comum
Também o vidro pode gerar confusão. Um frasco de perfume de vidro, por exemplo, deve ser colocado no ecoponto verde, mesmo que tenha borrifador. O mesmo princípio aplica-se a frascos e boiões de vidro: devem ser colocados no verde, depois de escorridos. Não é necessário lavá-los.
Mas isso não significa que todos os objetos de vidro devam ir para o vidrão.
Copos, loiça, pirex, espelhos, cristais ou vidros de janelas não devem ser colocados no ecoponto verde. Estes materiais têm composições e temperaturas de fusão diferentes das embalagens de vidro e podem comprometer o processo de reciclagem. Um copo partido, por exemplo, deve ser acondicionado de forma a evitar cortes e colocado no lixo indiferenciado.
Papel não significa automaticamente ecoponto azul
Outra associação que pode induzir em erro é a de que tudo o que é feito de papel ou cartão deve ir para o azul. Guardanapos, lenços de papel, papel absorvente e toalhitas não devem ser colocados neste ecoponto. O mesmo acontece com o papel vegetal utilizado na cozinha, que, devido ao seu revestimento e ao contacto com gordura e alimentos, deve ficar fora da reciclagem do papel.
Já os pacotes de leite, sumo, natas ou polpa de tomate têm outro destino. Apesar de terem cartão no exterior, são embalagens compostas por diferentes materiais e devem ser colocados no ecoponto amarelo.
Já o papel de alumínio utilizado como embalagem, por exemplo para acondicionar alimentos, deve seguir para o ecoponto amarelo. O mesmo acontece com bandejas e outras embalagens de alumínio.
A película aderente utilizada para envolver alimentos também pode ser colocada no amarelo, desde que não tenha resíduos de comida agarrados.
Nem tudo vai para o ecoponto
Há, contudo, resíduos que não devem ir para nenhum dos três ecopontos.
É o caso das lâmpadas, que devem ser entregues num ponto de recolha específico para resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos.
Também os medicamentos fora de prazo ou que já não são utilizados, bem como as embalagens que ainda contenham resíduos de medicamentos, têm um circuito próprio e devem ser entregues numa farmácia aderente ao sistema Valormed.
A regra é pensar na embalagem e não apenas no material
As dúvidas identificadas pela Sociedade Ponto Verde através do ELO, o seu assistente digital de reciclagem, mostram que uma das dificuldades está precisamente em associar automaticamente cada objeto ao material de que é feito. A regra não é sempre “metal para o amarelo”, “vidro para o verde” ou “papel para o azul”. É necessário perceber primeiro se estamos perante uma embalagem e, em alguns casos, considerar a dimensão, os diferentes componentes e a forma como estes devem ser separados.
É por isso que uma carica de metal pode acompanhar uma garrafa de vidro até ao ecoponto verde, enquanto uma tampa metálica maior de um frasco de vidro deve ser separada e colocada no amarelo.
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