Rodrigo Nené (VenuesIn): Portugal pode posicionar-se como uma “alternativa de segurança” no segmento dos eventos corporativos

Notícias
Daniel Almeida
09/06/2026
10:41
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09/06/2026
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Da inteligência artificial aplicada ao planeamento de eventos aos impactos da instabilidade geopolítica no turismo de negócios, o sector MICE atravessa uma fase de transformação. A VenuesIn, empresa portuguesa especializada em venue finding e produção de eventos, tem procurado responder a estes desafios através da aposta em inovação – ou não tivesse lançado uma calculadora inteligente de custos baseada em IA – e de uma estratégia de crescimento que combina mercado nacional e internacional, com destaque para Reino Unido e França – estando de olhos postos no mercado norte-americano.

Em entrevista à Marketeer, Rodrigo Nené, CEO da VenuesIn, aborda o percurso da empresa, analisa o momento que a indústria atravessa e identifica os principais obstáculos e oportunidades para Portugal enquanto destino de eventos corporativos.

Quando e em que contexto surgiu a VenuesIn? E que oportunidade identificaram, na altura, no mercado português de eventos e do segmento MICE?

Antes da VenuesIn nascer, eu estava como Sales manager de uma cadeia de hotéis na Grande Lisboa e, muitas vezes, deparava-me com a impossibilidade de aceitar determinados eventos devido à indisponibilidade do espaço ou até mesmo por estratégias comerciais focadas noutros segmentos de negócio. Nestas situações, verificava que os clientes ficavam sem uma solução simples, profissional e gratuita para encontrar uma alternativa adequada.

Esta realidade evidenciou uma lacuna no mercado português de eventos e do segmento MICE. Existiam agências de eventos tradicionais, normalmente associadas a honorários ou comissões, mas não havia um serviço especializado em venue finding que ajudasse as empresas a identificar o espaço ideal de forma independente, eficiente e sem custos para o cliente.

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E foi desta oportunidade que surgiu a VenuesIn, com uma abordagem de consultoria que combina conhecimento do mercado, uma rede qualificada de espaços e parceiros, e um acompanhamento personalizado. O objectivo tem sido desde sempre simplificar o processo de procura e organização de eventos, permitindo às empresas encontrar soluções adequadas às suas necessidades e criar eventos eficazes e diferenciadores.

 

“Mais do que disponibilizar venues, ajudamos os nossos clientes a encontrar a solução mais adequada aos seus objectivos, assegurando todo o processo de planeamento e execução do evento.”

Qual o posicionamento da VenuesIn no mercado nacional e de que forma se diferencia de outras empresas ou plataformas de venue finding e produção de eventos?

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A VenuesIn posiciona-se com um parceiro na área de venue finding, gestão e produção de eventos, diferenciando-se das plataformas tradicionais de pesquisa de espaços pela combinação de tecnologia, conhecimento do mercado e acompanhamento personalizado.

Mais do que disponibilizar venues, ajudamos os nossos clientes a encontrar a solução mais adequada aos seus objectivos, assegurando todo o processo de planeamento e execução do evento.

Que marcas, e de que sectores, integram actualmente a carteira de clientes da VenuesIn? E quais os mercados-chave para a empresa?

A VenuesIn trabalha actualmente com marcas de referência como Worten, PepsiCo, PwC, JTI, Decathlon e KW Portugal, entre outras, representando sectores tão diversos como retalho, consumo, consultoria, desporto e imobiliário. Esta diversidade reflecte a confiança que empresas nacionais e internacionais depositam na nossa capacidade para encontrar e produzir soluções à medida dos seus eventos corporativos, que sejam de âmbito mais institucional, como eventos de cariz mais leve e focados em lazer, como, por exemplo, team buildings.

Quantos aos mercados mais estratégicos para nós, embora Portugal seja o nosso principal mercado, temos vindo a reforçar a presença junto de clientes internacionais, com especial destaque para os mercados britânico e francês, que assumem um papel cada vez mais relevante na nossa estratégia de crescimento.

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Quais os principais eventos com assinatura da empresa este ano, até ao momento?

Organizámos um dos mais relevantes eventos da KW este ano, o Family Reunion, com mais de 900 pessoas, que decorreu em Março, na Alfândega do Porto. Fomos também responsáveis pela organização do Game Changers, neste passado mês de Maio, com a presença de relevantes CEO e líderes de Portugal (ministros).

Além disso, nestes primeiros meses do ano temos estado a preparar vários eventos internos, de âmbito menos corporativo, como as festas de Verão de algumas empresas, mas gostaríamos também de realçar as reuniões anuais de entidades internacionais, que têm escolhido Portugal para juntar os seus líderes.

Felizmente, a VenuesIn tem sido consultada para estes momentos únicos e tido a oportunidade para estar lado a lado com diferentes insígnias de referência.

Recentemente, a VenuesIn lançou a primeira Calculadora Inteligente de custos de eventos corporativos em Portugal, desenvolvida com base em inteligência artificial. Em que consiste esta ferramenta e que vantagens aporta aos clientes da empresa?

A Calculadora Inteligente de Custos de Eventos Corporativos nasceu para responder a uma das maiores dificuldades das empresas na fase inicial de planeamento: perceber rapidamente qual o investimento necessário para realizar um evento. Foi um projecto totalmente pioneiro em Portugal, desenvolvido com recurso a Inteligência Artificial e alimentado pelo conhecimento gerado a partir de centenas de propostas elaboradas pela VenuesIn.

A nossa ferramenta fornece uma estimativa preliminar de custos em poucos minutos, auxiliando os clientes a tomar decisões mais informadas, a ganhar tempo no processo de planeamento e, sobretudo, a avaliar a viabilidade dos seus projectos desde o primeiro momento.

 

“Como é sabido, estamos na linha da frente dos cortes das empresas, tal como aconteceu na pandemia, tendo em conta que trabalhamos com várias áreas que têm impacto directo, como é o caso da aviação e matérias-primas.”

Em que medida é que o contexto geopolítico, com a subida dos preços do jetfuel e toda a incerteza que paira sobre o sector da aviação e das viagens, poderá impactar o sector este ano? Que impacto sentem, desde já, no negócio?

Como é sabido, estamos na linha da frente dos cortes das empresas, tal como aconteceu na pandemia, tendo em conta que trabalhamos com várias áreas que têm impacto directo, como é o caso da aviação e matérias-primas. Por um lado, Portugal está a ser procurado como alternativa, pelas boas condições meteorológicas que apresenta, e pela segurança ao Médio Oriente no que toca aos mercados europeus. Por outro, existe uma grande preocupação, e naturalmente, já há adiamentos e até mesmo cancelamentos de eventos.

Posso revelar que, infelizmente, tivemos um cancelamento significativo, no passado mês, para um evento em Barcelona. Tal deveu-se à estrutura de custos interna do nosso cliente, que disparou em toda a cadeia de valor devido ao conflito no Médio Oriente e, por essa razão, teve de cortar custos para garantir a rentabilidade do negócio e não reflectir esses mesmos custos nos preços de venda ao consumidor. É uma realidade, sentimos um abrandamento, já confirmado por vários parceiros da indústria, como cadeias hoteleiras, empresas de catering, entre outros.

E até que ponto é que este contexto tem obrigado a VenusIn a adaptar a estratégia internacional e a focar-se noutros mercados?

É fundamental ter uma estratégia comercial focada no mercado nacional, mas também a nível internacional, para que não estejamos tão dependentes de um único espaço físico, ainda para mais num contexto que muda semanalmente. Para já, a nossa estratégia passa por uma forte aposta local, como também na Europa. Mas, garantidamente, está no nosso pipeline apostar no mercado americano, que acreditamos ter um potencial enorme.

Além deste contexto, a escassez de venues continua a ser uma barreira estrutural para consolidar Portugal como um destino de referência no segmento MICE?

Sem dúvida, principalmente ao nível de dimensão, há pouquíssima oferta para eventos que têm de contar com a presença de mais de 400/500 pessoas… Gostaria ainda de reforçar que destinos de excelência, como Cascais, estão a perder relevância. Infelizmente há inúmeros hotéis a fechar para renovações e prevê-se que reabram com conceitos diferentes (service apartaments). Falo, por exemplo, do The Oitavos e do Hotel Miragem Cascais (ainda por saber o novo nome).

Sem o apoio destes hotéis, que sempre foram uma referência e eram considerados de grande dimensão, será muito complicado, para não dizer impossível, organizar esta tipologia de eventos na região. Ainda por cima, com a presença local de um magnífico recinto para eventos de grandes dimensões, o Centro de Congressos do Estoril.

Texto de Daniel Almeida

*O jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico






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