“Ritual Bodies”: duas artistas encontram-se no Algarve para repensar o corpo e a natureza

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31/08/2026
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“Ritual Bodies”: duas artistas encontram-se no Algarve para repensar o corpo e a natureza

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A relação entre o corpo humano e o mundo que o rodeia está no centro de “Ritual Bodies”, a nova exposição que chega à Alfaia — Arte e Comunidade, em Loulé, a 18 de setembro. Com curadoria de David Revés e Nicolai Sarbib, diretores da Salto, em Lisboa, a mostra reúne trabalhos de Christine Henry e Joana Coelho, duas artistas de gerações distintas que partilham uma reflexão sobre natureza, animalidade, memória e transformação.

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A inauguração está marcada para as 18h de 18 de setembro, dando início a uma exposição que ficará patente até 7 de novembro. A entrada é livre.

“Ritual Bodies” parte do conceito de ritual enquanto forma de relação com aquilo que ultrapassa a experiência racional. A exposição procura explorar a forma como o corpo pode ser entendido não como uma entidade isolada, mas como parte de uma rede mais ampla de forças e formas de existência.

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Nesta leitura, o ritual surge como um processo de transformação e ligação entre o indivíduo e o mundo exterior. O corpo torna-se matéria permeável, atravessada por memórias, impulsos e elementos naturais, aproximando o humano de outras formas de vida.

Duas gerações, diferentes linguagens

Radicada no Algarve desde 1981, Christine Henry, nascida no Porto em 1958, desenvolve uma prática artística multidisciplinar que passa pela fotografia, pintura, escultura, instalação e vídeo.

O seu trabalho explora sobretudo as relações e tensões entre Natureza e Humano, Natureza e História, Ausência e Presença, assim como entre permanência e impermanência. A artista procura questionar mecanismos de perceção e as formas através das quais nos relacionamos com aquilo que nos é simultaneamente familiar e estranho.

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Joana Coelho, nascida em Lisboa em 1998, parte sobretudo do desenho para criar paisagens interiores e figuras híbridas, onde se cruzam corpo, mente e espírito.

A artista trabalha a partir da reinterpretação de mitologias, narrativas e sistemas simbólicos, estabelecendo diálogos com áreas como a neurologia, a psicologia, a ecologia e o pensamento feminista. A metamorfose e as relações entre o humano e outras formas de vida assumem um papel central na sua prática.

É precisamente no encontro entre estas duas práticas que a exposição se desenvolve. Em “Ritual Bodies”, o corpo é apresentado como um território de passagem, sujeito a forças que ultrapassam a experiência individual.

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A dimensão animal e vegetal do humano ganha espaço, enquanto paisagem, memória e experiência interior se cruzam. O presente surge também atravessado por vestígios do passado e por possibilidades de futuros ainda por imaginar.

A exposição propõe, desta forma, uma reflexão sobre o ritual enquanto prática simultaneamente ancestral e especulativa. Mais do que procurar uma origem perdida, trata-se de questionar outras formas de relação, transformação e coexistência com o mundo mais-que-humano.

A questão ganha particular relevância perante um contexto marcado pela crise ambiental, pela destruição dos ecossistemas e pela crescente fragilidade das estruturas que organizam a vida coletiva. Neste cenário, “Ritual Bodies” propõe pensar o corpo não como uma fronteira fechada, mas como um espaço de ligação entre diferentes formas de existência.

Arte contemporânea no Algarve

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A exposição integra a programação da Alfaia — Arte e Comunidade, associação cultural sem fins lucrativos fundada em 2017 e sediada em Loulé. A organização dedica-se à criação, programação, investigação e mediação no campo da arte contemporânea, com uma abordagem transdisciplinar.

Com uma forte ligação ao território algarvio, a Alfaia desenvolve regularmente exposições, residências artísticas e curatoriais, projetos de criação e investigação, conversas, oficinas e iniciativas de mediação.

“Ritual Bodies” estará patente de 18 de setembro a 7 de novembro de 2026, com visitas às quintas e sextas-feiras, das 14h30 às 18h, e aos sábados, das 10h30 às 18h.

A entrada é gratuita.






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