Reflexões para o ano novo do retalho: a evolução dos centros comerciais na era dos ‘dispositivos’ com paredes?

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Mário Barros, centres markets manager para o sudoeste europeu da Ingka Centres
07/09/2026
09:31
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Mário Barros, centres markets manager para o sudoeste europeu da Ingka Centres
07/09/2026
09:31
Reflexões para o ano novo do retalho: a evolução dos centros comerciais na era dos ‘dispositivos’ com paredes?

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Opinião de Mário Barros, centres markets manager para o sudoeste europeu da Ingka Centres

Agosto é muitas vezes o mês das ideias. Setembro é o mês em que decidimos o que fazer com elas. Neste agosto dei por mim a refletir sobre as mudanças tecnológicas e sociais a que temos assistido nos últimos anos. Tudo interligado, claro.

Durante muito tempo repetimos que a velocidade com que a nossa geração teria de enfrentar e adaptar-se a estas mudanças iria aumentar. Hoje, não só podemos confirmar essa previsão, como vemos claramente a velocidade da inovação a acelerar. A Inteligência Artificial vai amplificar este efeito e, em pouco tempo, vamos assistir a cada vez mais dispositivos analógicos a serem convertidos em equipamentos superinteligentes, em que o seu ciclo de vida se reduz naturalmente.

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Para a minha geração, a pergunta é simples: quantos anos estiveram connosco o Nokia 3210, comparado com o smartphone atual? Não falo de obsolescência programada, falo do aparecimento de novas tecnologias a um ritmo cada vez mais rápido. O mesmo se irá passar com os carros hipertecnológicos atuais. Nesta nova geração de mobilidade, será que o software vai durar tanto como o hardware?

Mas, se esta relação entre hardware e software está a mudar em tudo o que nos rodeia, talvez valha a pena olhar para os centros comerciais com a mesma lente. E o que vai acontecer nos centros comerciais do futuro? Vamos evoluir para dispositivos com paredes?

Do hardware ao software: o que realmente envelhece num centro comercial? O hardware é o ativo físico: localização, arquitetura, GLA, eficiência energética, acessos, estacionamento. É caro, lento de mudar, mas pode ter uma vida muito longa se for bem pensado. O “software” é tudo o que corre sobre esse hardware: mix de lojas, gastronomia, programação de eventos, serviços, iniciativas de sustentabilidade, tecnologia instalada, experiências de marca, interação com o cliente, relação com a comunidade. Os ciclos de atualização destas duas componentes são diferentes, mas vão encurtar seguramente. Não pelo desgaste, mas pela relevância. Um centro comercial pode manter a mesma estrutura física durante décadas. Mas aquilo que acontece dentro dele não pode ficar parado durante esse tempo.

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É aqui que surge a ideia dos “dispositivos com paredes”. Ao contrário de um telemóvel ou de um carro hipertecnológico, um “dispositivo com paredes” não pode simplesmente ser substituído quando aparece uma nova versão. Tem de evoluir. Tem de conseguir adaptar-se às novas necessidades, aos novos comportamentos e às novas expectativas das pessoas, sem perder aquilo que o torna relevante no território onde está inserido.

E essa evolução não passa apenas pela tecnologia. Passa por criar espaços que promovam bem-estar, ligação social e momentos de qualidade. Passa por uma oferta que consiga acompanhar diferentes estilos de vida e diferentes momentos do dia. Passa por transformar um espaço de consumo num destino onde as pessoas querem estar.

É por isso que o futuro do retalho físico está em destinos de uso misto, fluídos, onde o retalho é apenas uma das dimensões de uma proposta mais rica: cultura, gastronomia, saúde, trabalho, aprendizagem, lazer e comunidade.

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O “software” de um centro comercial tem de estar em permanente atualização. Mas o objetivo não é acompanhar todas as tendências. É perceber quais as mudanças que realmente criam valor para as pessoas e para as comunidades.

No fundo, um centro comercial pode ter paredes durante muitas décadas. O desafio é garantir que aquilo que acontece entre essas paredes continua relevante. Dispositivos com paredes, sim. Mas dispositivos pensados para evoluir com as pessoas.

Para terminar volto ao ponto inicial deste texto: O que vais fazer este setembro? Ainda vais a tempo de aproveitar alguma reflexão de agosto.

Brincar é coisa muito séria. O que os espaços do futuro podem aprender com esta necessidade humana




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