Realidade Aumentada pode ser o futuro do Marketing?

Eduardo Vieitas, CEO da NextReality, acredita que Portugal já passou a fase da evangelização da Realidade Aumentada. Em entrevista à Marketeer, o responsável conta que o País se encontra numa fase de implementação em que cada vez mais marcas e negócios compreendem o potencial desta tecnologia, especialmente na área do Marketing. Aliás, Portugal é um dos países com maior volume de projectos de Realidade Virtual/Realidade Aumentada per capita da região EMEA.

Simulação de produtos e pré-visualização de cores são apenas alguns dos caminhos possíveis quando falamos em Realidade Aumentada e Marketing. Segundo Eduardo Vieitas, é uma ferramenta que permite, por exemplo, contar a mesma história a diferentes públicos, personalizando a experiência.

No percurso da NextReality contam-se já mais de 100 projectos para empresas como EDP Produção, CTT, Nos, Revigés ou Deloitte, museus, municípios e associações. Já criaram um stand apenas visível através de óculos de Realidade Aumentada (Universidade Atlântica) e efeitos de Facebook para apoiar a Selecção Nacional com selfies personalizadas.

A realidade aumentada está em que fase de implementação em Portugal?

Inicialmente, a Realidade Aumentada no Marketing servia para a criação de gimmicks, o que se deveu essencialmente ao hardware e software disponíveis na altura. Mas essa experiência inicial matizou a valorização que todas as organizações fizeram da tecnologia – utilização one-shot, sobretudo orientada para um impacto inicial em eventos ou activações mas sem continuidade ou sequer integração com campanhas. Foi por isso muito importante todo o período de evangelização que decorreu nos últimos anos, que serviu essencialmente para desmistificar essa noção e permitir que as empresas e departamentos de Marketing integrassem a Realidade Aumentada enquanto força transformadora do Digital nas empresas.

Hoje, já não estamos numa fase de evangelização, mas sim num tempo de implementação de projetos, com empresas a concretizarem pilotos ou a iniciarem projectos que valorizam o uso da tecnologia de forma continuada. Para profissionais de Marketing, a grande novidade é a forma como a Realidade Aumentada transforma o storytelling.

O que justifica este ritmo de adopção?

O mercado corporativo mostra uma adesão muito maior à Realidade Virtual e Aumentada do que o dos clientes finais. A IDC prevê um crescimento acima dos 60% para serviços B2B de Realidade Virtual e Aumentada a nível global. O relatório EMEA Mixed Reality 2018, que coordenámos no âmbito da IAMCP, enquadra Portugal como um dos países com maior volume de Projetos de VR/AR per capita da zona EMEA. Acredito que a utilização da tecnologia irá crescer a um ritmo acima do global.

A área do Marketing irá naturalmente crescer, tendo em conta a integração que as agências fazem da tecnologia nas suas campanhas e estratégias.

O que é preciso para que a Realidade Aumentada se torne uma prática cada vez mais comum?

Acredito que esse processo de normalização das experiências de Realidade Aumentada começa nos serviços que as organizações disponibilizam para comunicar os seus negócios – daí a importância que a área do marketing assume, por ser igualmente um veículo dessa normalização e os casos de utilização já existem: simulação de produtos, pré-visualização de cores, pavimentos ou hologramas, endomarketing, comunicação institucional, didáctica de produto e outros já estão testados.

Quais são os benefícios para as marcas em recorrer à realidade aumentada?

Desde já, é o caminho natural para a web. Ao trazer os conteúdos digitais que temos na web para o mundo real, encontramos aplicações alternativas, muito mais ricas, que nos facilitam o acesso à informação e ao conhecimento, para além de podermos contar uma história de forma diferente para cada utilizador. Por exemplo, um museu pode ter uma mascote como guia para as crianças, uma personagem histórica como guia para adultos e um cientista reputado como guia para especialistas ou investigadores – o mesmo espaço e a mesma visita ao espaço correspondem assim a três experiências completamente diferentes, dado o conteúdo. É uma revolução nos conteúdos.

E potenciais desvantagens?

Diria a necessidade de acompanhar a tecnologia e de saber escolher a melhor plataforma de software e equipamento para cada contexto. O que é facilmente resolúvel com o parceiro certo.

Quais os custos envolvidos? Compensam face a outras formas de Marketing mais tradicionais?

É um novo formato, que promove experimentação e acelera a decisão de consumo. Por outro lado, e como em todos os novos formatos, tem uma curva de penetração no mercado e nas agências, pelo que não podemos analisar comparativamente a eficiência de ambas. Posso dizer que, sempre que é integrada na estratégia de comunicação do produto, os resultados são bastante mais visíveis.  Quanto a custos, existe uma amplitude relativamente grande de possibilidades, que dependem sempre do objectivo do cliente.

Texto de Filipa Almeida

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