“Queremos ter 1/3 do mercado português a sete anos”

Reed Hastings, fundador e CEO do Netflix, não tem limites. Até final do próximo ano quer que o Netflix esteja disponível em todo o mundo, entre Europa, Ásia, África e Américas. Isto,  apesar das operações internacionais continuarem a trazer prejuízos ao Grupo que fundou há 17 anos: só no primeiro trimestre, o saldo negativo das operações fora dos EUA chegou aos 100 milhões de dólares.

Também para o mercado português a sua ambição não poderia ser limitada. Depois de ter arrancado ontem, após uma parceria fechada com a Vodafone, acredita que a sete anos irá ter conquistado 1/3 dos clientes de banda larga para a sua marca. Assim como acredita que, a prazo, serviços como o Netflix irão mesmo substituir a Tv convencional, «assim como o telemóvel substituiu o telefone fixo».

Porquê a parceria com a Vodafone?

Netflix funciona com todos os operadores. Pode-se aceder ao Netflix no iPhone, Android, laptops ou Smart Tv. Mas a Vodafone foi o nosso parceiro local e o que está a fazer é a ajudar a promover-nos e a permitir ter o primeiro mês de subscrição grátis. Já o tínhamos feito com a Vodafone Espanha, assim como no Reino Unido ou Alemanha e trouxe-nos grandes resultados. Somos ambas marcas que desafiam o mercado, o status quo. A Sky no Reino Unido e a NOS em Portugal!

Qual é a sua ambição em termos de conquista de clientes, no mercado português?

Tivemos grandes resultados nos EUA e no Brasil, assim como noutros países. Estou muito optimista e acredito chegar rapidamente a 1/3 do total do mercado; ter 1/3 das casas portuguesas com banda larga a subscrever o Netflix nos próximos sete anos. Foi isso que conquistámos nos EUA.

Para já, e no primeiro ano, vamos focar-nos na “felicidade” e não nos números. Queremos que as pessoas percebam que fazemos tudo bem feito. Só depois nos vamos preocupar mais com o crescimento.

Até à data, as operações internacionais ainda não trouxeram resultados positivos. Quando é que acredita que isso acontecerá?

Neste trimestre estamos a perder 100 milhões de dólares. Estamos a investir fortemente em conteúdos e marketing. Ainda vamos precisar de alguns anos até conseguirmos o break-even das operações internacionais. Até porque queremos continuar a entrar em mais mercados.

Os primeiros mercados já começam a dar resultados positivos. Mas queremos continuar a entrar em mais.

E quer também chegara à Ásia e a África!

É verdade. Queremos estar em todo o mundo no final do próximo ano.

Estamos focados em ter o serviço disponível a toda a gente, em todo o mundo. Para já estamos na América Latina e Europa e queremos ir para a América Central, Rússia, África, Médio Oriente. Temos muito trabalho pela frente.

Um dos pontos fortes do Netflix é a sua aposta em parcerias locais, em termos de produção. Já reuniu com alguns produtores portugueses?

Sim, temos tido algumas reuniões com produtores, um pouco por todo o mundo. Temos um modelo de negócio muito bem sucedido com produtores locais. Porque, basicamente, sabem melhor que nós o que é que faz sentido produzir localmente e conhecem o mercado. Mas, para já, ainda não podemos revelar mais que isto. Estamos em negociações e posso dizer que nos próximos anos poderemos vir a assinar alguma parceria neste âmbito.

Portugal é um mercado com forte apetência para este tipo de serviços. Os portugueses lidam bem e respondem bem a este tipo de oferta e conteúdo.

Isso significa que apesar da plataforma para Espanha e Itália ser em Portugal, os conteúdos a produzir localmente serão adaptados e formatados para cada um destes mercados separadamente?

Sim. Já estamos neste momento a produzir no México, já temos séries originais em França. Estamos a fazer uma série de ficção no Brasil. E é por aqui que queremos continuar. A produzir cada vez mais originais.

Reed, costuma dizer que não demorará muito até termos a “social Tv”, em que eu, aqui em Portugal, posso estar a partilhar uma série com uma amiga minha que esteja em Itália, por exemplo. Quando é que acredita que isso poderá tornar-se realidade?

Hoje já se pode falar em Tv social quando vemos as pessoas, nas mercearias, a falar dos filmes ou séries ou programas que viram. Usamos a Tv na internet para ligar pessoas. Isso já acontece no Twitter, no Facebook, no Whatsapp, em que as pessoas partilham entre elas informação. Esta é a base. O que estamos a tentar perceber é de que forma conseguiremos suportar isto numa aplicação. Mas acredito que o centro disto tudo são bons conteúdos, conteúdos que as pessoas queiram partilhar.

Serviços como o Netflix irão mesmo, a prazo, substituir a Tv convencional?

Acredito que sim, assim como o telemóvel substituiu o telefone fixo. Já não se fazem cassetes. Os consumidores estão “on demand”. Querem ver a sua série a meio da noite, a meio da tarde, quando tiverem disponibilidade para isso. Tudo se está a mover para o “on demand”. Por isso, a Tv também caminhará nesse sentido.

A BBC já tem o iPlayer. Há o HBO. Em cada mercado, há redes de Tv que se estão a transformar em redes de internet. Essa é uma oportunidade para a Netflix criar uma nova rede. O Youtube está a fazê-lo, com outro tipo de conteúdos. Netflix não vai substituir ninguém. Mas a Tv na Internet, a ideia de se ter apps em vez de canais, e de se poder escolher a app que se quer ver a partir do nosso smartphone – que estará sincronizado com a Tv.

Eventualmente as Tv passarão a ter sistemas iOs ou Android.

Texto de M.ª João Vieira Pinto

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