Reforçar a percepção que os portugueses têm do sector e aumentar o investimento na área da sustentabilidade são dois dos pontos-chave da nova Estratégia Turismo 2027, que será apresentada em breve pelo Turismo de Portugal. Quem o revelou foi Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, durante a Visit Portugal Conference, onde afirmou ainda que as expectativas do Governo apontam para um crescimento de pelo menos 5% das receitas turísticas em 2026.
O governante abriu as hostilidades da 4.ª edição da Visit Portugal Conference, promovida pelo Turismo de Portugal, que decorre hoje na Estufa Fria, em Lisboa. Durante a sua intervenção, aproveitou para desconstruir alguns «mitos urbanos» em torno do sector – e que têm contribuído para desgastar a imagem do mesmo junto dos portugueses. O primeiro dos quais, a ideia de que existe “overtourism”. «Portugal não tem Turismo a mais. É verdade que pode ter algumas zonas com mais concentração [de turistas], mas isso passa por rever o modelo de gestão de fluxos e, respectivamente, a capacidade que temos de apresentar ofertas diversificadas que façam com que as pessoas não convirjam ao mesmo tempo no mesmo local», sublinhou Pedro Machado.
O secretário de Estado do Turismo assegurou que este é precisamente um dos pontos prioritários para o sector, «aproveitando o que a tecnologia e a inteligência artificial nos podem trazer em termos daquilo que é a gestão de fluxo de tráfego ou de visita – para que não tenhamos sistematicamente pessoas duas ou três horas à espera para visitar um monumento, por exemplo. Precisamos de melhorar desse ponto de vista da gestão». Porque o investimento nesta área, considera, será crucial para que «os portugueses tenham a percepção e convicção de que é uma vantagem para o País termos Turismo.»
Também o tema da sustentabilidade será uma prioridade estratégica para o sector. «Já não é apenas um chavão e estes dois últimos meses são o reflexo de uma alteração profunda. Hoje, estamos confrontados com fenómenos naturais mais agrestes, o que significa que temos que gerir melhor os nossos recursos e preparar-nos melhor», referiu, lembrando as empresas e actividades turísticas que foram mais fustigadas pelas tempestades recentes, em especial em territórios como o Centro. «É possível, com resiliência e engenho, ultrapassar este mau momento.»
Manter a tendência de crescimento em 2026
No ano passado, o sector do Turismo bateu um novo recorde histórico, ao apresentar, pela primeira vez, receitas acima de 29 mil milhões de euros. Os dados são do mais recente relatório do Banco de Portugal e mostram um crescimento de 5% neste indicador, face ao ano anterior. O País passou ainda a barreira dos 32 milhões de dormidas em 2025.
Durante a sua intervenção na Visit Portugal Conference, Pedro Machado comentou os «números fantásticos», lembrando que a indústria alcançou o objectivo traçado para 2027 antes do tempo – mais precisamente, dois anos antes. «Estes resultados são o reflexo de uma estratégia que o País tem tido ao longo dos últimos 20 anos e que trouxe visibilidade e consistência à marca Portugal. Hoje, somos um País que tem uma boa percepção de segurança, activos estratégicos extraordinários e um território cada vez mais complementar – que faz com que a oferta seja cada vez mais surpreendente para os turistas», afirmou o secretário de Estado.
O responsável lembrou ainda que, actualmente, o Turismo representa 400 a 450 mil postos de emprego, de forma directa, e entre 12% a 14% do PIB nacional, um valor que «pode chegar a 19-20%, contabilizando efeitos directos, indirectos e induzidos». «Isso leva-nos a esbater um mito urbano: o de que estamos demasiado dependentes do Turismo», acrescentou, citando um estudo da Universidade Europeia que concluiu que a indústria impacta 49 actividades distintas dos sectores primário, secundário e terciário. «O Turismo quer conviver muito bem com todos os sectores. Tem esta abrangência e transversalidade.»
E quanto a previsões para 2026? De acordo com Pedro Machado, os objectivos são claros e passam por manter, pelo menos, o mesmo ritmo de crescimento de 2025. «Esperamos poder continuar a crescer pelo menos 2,5% em fluxo turístico e entre 5% e 5,5% em receitas», anunciou.
Para manter a trajectória de crescimento, será importante, conforme sublinhou, dar continuidade à estratégia de diversificação de mercados emissores – que tem sido executada pelo Turismo de Portugal através dos seus delegados –, em especial nos mercados asiáticos, como a China, o Japão ou a Coreia do Sul. O que pressupõe, ainda, reforçar a conectividade aérea para estes e outros mercados, em especial nos voos de longa distância. «Queremos conquistar a América Latina – o México e a Argentina – e mercados como a Austrália. E queremos reforçar a conectividade para o Brasil, EUA e Canadá», revelou. «Estou absolutamente convicto que vamos superar [os números] de 2025», concluiu.
Texto de Daniel Almeida
*O jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico












