“Queremos chegar a novos públicos”: Ciência Viva transforma festival em alavanca de marca e marketing

EntrevistaGood Living
Sandra M. Pinto
21/07/2026
09:33
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“Queremos chegar a novos públicos”: Ciência Viva transforma festival em alavanca de marca e marketing

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Trinta anos depois de ter iniciado a sua missão de aproximar a ciência dos cidadãos, a Ciência Viva aposta num novo formato para reforçar a sua presença junto do público. O Festival Geração Ciência nasce como uma extensão natural desse percurso, combinando experiências, cultura e participação para afirmar a ciência como parte integrante do quotidiano.

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Por Sandra M. Pinto

Em entrevista, Ivone Fachada, da direção da Ciência Viva. explica como esta iniciativa se assume como um marco estratégico na evolução da marca, ao mesmo tempo que responde aos desafios atuais da comunicação de ciência. Entre a descentralização da oferta, o cruzamento com a arte e o entretenimento e a aposta em formatos mais imersivos, o objetivo é claro: tornar a ciência mais próxima, acessível e relevante para todos.

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Festival Geração Ciência assinala os 30 anos da Ciência Viva. Que papel estratégico assume este evento na evolução da marca?
Os festivais Geração Ciência surgem para comemorar os 30 anos da Ciência Viva e dão continuidade à missão que acompanha a Agência Nacional para a Cultura Científica desde 1996: aproximar a ciência das pessoas. Desde o início do ano que os Centros Ciência Viva dinamizam estes festivais: começaram no Minho, em Arcos de Valdevez, passaram o Atlântico, até à ilha de São Miguel, nos Açores, viajaram pelo país, passando por Braga, Porto, Vila Nova de Foz Côa, Proença-a-Nova, Alcanena, Aveiro, Estremoz, Lousal e Tavira, e é chegada a vez de Lisboa, com o Festival Geração Ciência no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva. Mais do que celebrar um percurso, os festivais projetam a Ciência Viva para o futuro, reforçando a sua relevância junto das gerações ciência, através de experiências, participação e cultura científica à escala nacional. O facto de envolver toda a Rede Ciência Viva reforça uma visão descentralizada e inclusiva que a Agência sempre promoveu.

Este posicionamento como “maior festival científico do verão” reflete uma ambição clara. Que objetivos estão definidos em termos de notoriedade e alcance?
Estes festivais cruzam ciência, arte e música com o verão. É uma altura em que as pessoas estão mais disponíveis para novas experiências. É isso que queremos: chegar a públicos muito diversificados e levar a Ciência Viva até quem habitualmente não tem oportunidade de participar em atividades científicas, consolidando a ideia de que a ciência é acessível, inspiradora e relevante para todos. Aumentamos o alcance da cultura científica através de formatos contemporâneos e de uma programação distribuída pelo território nacional.

O cruzamento entre ciência, cultura e entretenimento é cada vez mais relevante. Como é que este festival traduz essa tendência?
A programação do Festival Geração Ciência no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva foi desenhada para promover esse cruzamento. Investigadores, artistas, criadores e comunicadores de ciência partilham o mesmo palco através de concertos, videoarte, talk-shows, oficinas, espetáculos e experiências interativas. A ciência deixa de ser apresentada apenas em contextos formais e passa a estar interligada com linguagens artísticas e culturais que fazem parte do quotidiano das pessoas.

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De que forma este formato mais experiencial contribui para tornar a ciência mais acessível e relevante para o grande público?
Se pensarmos que a experiência está no centro da aprendizagem, quando as pessoas experimentam, constroem, observam, provam ou participam diretamente numa atividade, criam uma ligação emocional com o conhecimento científico. Este tipo de envolvimento reduz barreiras, desperta a curiosidade e permite que conceitos complexos sejam compreendidos de forma intuitiva, independentemente da idade ou formação. Há um apropriar do conhecimento por parte das pessoas, sendo elas próprias o motor das suas aprendizgens e experiências.

Que importância tem a componente artística — como concertos ou videoart — na construção de uma narrativa mais apelativa para a ciência?
Dentro dos festivais cabe praticamente tudo e, por isso, teremos conversas com investigadores e investigadoras, videoarte, concertos, talk-shows, teatro, espetáculos, oficinas laboratoriais… A componente artística promove novas portas de entrada para a cultura científica. Permite-nos chegar a públicos diferentes e torna os conteúdos mais envolventes, até porque a criatividade é um elemento comum à investigação científica e à criação artística.

Como estão a trabalhar a experiência do visitante enquanto “consumidor de conteúdo”, num contexto cada vez mais competitivo ao nível dos eventos?
Hoje, os visitantes procuram experiências desafiantes. Gostam de ser colocados à prova com experiências e atividades que estimulam a curiosidade. Tal como os festivais de música, o Festival Geração Ciência foi pensado como um percurso de descoberta, com diferentes ambientes e formatos, onde a ciência é o elo entre zonas de experiências científicas, palcos de conversa, música e espaços para todas as pessoas. Procuramos que cada visitante encontre os conteúdos e formatos mais adequados aos seus interesses e que possa construir a sua própria experiência, combinando conhecimento e entretenimento.

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A entrada gratuita é uma decisão estratégica. Que impacto tem ao nível da democratização do acesso e da construção de marca?
O Festival Geração Ciência no Pavilhão do Conhecimento é uma dupla celebração: 30 anos da Agência Ciência Viva e 27 anos da sua sede, o Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, assinalados no dia 25 de julho. Todos os anos, neste dia, visitantes, famílias e turistas são convidados a conhecer as nossas exposições e a participar em atividades. Fazemos sempre uma grande festa com casa cheia. Pareceu-nos a data ideal para o nosso festival de dois dias, 24 e 25 de julho. Com a entrada gratuita, queremos eliminar barreiras e garantir que qualquer pessoa possa usufruir da programação, independentemente da sua condição. Quanto mais pessoas tiverem contacto com a ciência, maior será o impacto social da iniciativa.

Que perfis de público querem conquistar com este festival e que estratégias estão a ser usadas para chegar até eles?
O festival dirige-se a famílias, crianças, jovens, estudantes, professores e também a adultos que habitualmente visitam centros de ciência, mas também a quem não está tão desperto para eventos que envolvem conteúdos científicos. A diversidade da programação é precisamente uma estratégia de captação de públicos. Ao combinar ciência, tecnologia, arte, música e gastronomia, criamos vários pontos de interesse e atraímos pessoas com diferentes motivações e níveis de familiaridade com a ciência.

Como é que o Festival Geração Ciência reforça o posicionamento do Pavilhão do Conhecimento no ecossistema de inovação e educação?
O Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva é o maior e mais emblemático centro de ciência do país e desempenha um papel central na promoção da cultura científica em Portugal. Este festival reforça esse posicionamento ao reunir investigadores, instituições científicas, artistas e público num mesmo espaço, demonstrando a capacidade do Pavilhão para funcionar como plataforma de encontro entre conhecimento, educação, criatividade e inovação.

As parcerias com investigadores, artistas e entidades externas são centrais. Que critérios orientam estas colaborações?
Procuramos parceiros de referência nacional e internacional que partilhem os valores da Ciência Viva: rigor científico, inovação, criatividade, inclusão e capacidade de comunicação com públicos diversos. Exemplo disso é o apoio do European Research Council (ERC), que cofinancia o Festival Geração Ciência e promove a participação de cientistas com bolsas ERC para partilharem os resultados das suas investigações, interagindo com o público através de diferentes formatos. Reforçamos também o apoio de associações, escolas, instituições científicas e de ensino superior, Centros Ciência Viva e empresas, que enriquecem o cartaz deste festival com as suas participações.

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Num cenário em que o digital ganha peso, que valor acrescenta a experiência física e imersiva deste tipo de evento?
O digital é uma ferramenta extraordinária de disseminação de conhecimento, mas há dimensões da experiência que só acontecem presencialmente. O contacto direto com cientistas, a experimentação prática, a interação entre participantes e a descoberta coletiva criam níveis de envolvimento difíceis de replicar online. O festival oferece precisamente essa dimensão humana, sensorial e social da ciência.

Este festival pode abrir portas a uma nova abordagem da Ciência Viva enquanto plataforma de conteúdos e experiências? Qual é a visão a médio prazo?
O Festival Geração Ciência representa não apenas uma celebração dos 30 anos, mas também um laboratório para novos formatos de comunicação de ciência. A visão é reforçar o papel da Ciência Viva como um elemento que liga cultura científica, educação, arte e cidadania através de experiências presenciais e digitais, mantendo a capacidade de surpreender, inspirar e envolver diferentes gerações. O objetivo é continuar a fazer da ciência uma presença natural no dia a dia das pessoas e consolidar uma comunidade cada vez mais ampla em torno do conhecimento.






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