“Quem vive de passado é museu”: Edson Athayde explica a transição da FCB para a Edson Tech & Soul

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Rafael Ascensão
19/05/2026
15:30
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Rafael Ascensão
19/05/2026
15:30
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A FCB Lisboa chegou oficialmente ao fim, sendo que no lugar da insígnia histórica nasce agora a Edson Tech & Soul, liderada por Edson Athayde e Vera Barros. A nova estrutura pretende afirmar-se como uma agência independente, de vocação lusófona e ambição internacional, num momento em que a indústria da comunicação atravessa uma transformação acelerada pela tecnologia e pela inteligência artificial.

A mudança acontece na sequência da integração da FCB na BBDO, após a aquisição da Interpublic pelo grupo Omnicom, mas Edson Athayde rejeita a ideia de uma rutura forçada. “Em Portugal o que está a acontecer é a descontinuação da marca. A empresa continua a mesma, seja em termos de colaboradores como de clientes. A decisão de mudança não foi apenas uma consequência da operação entre grupos: foi também uma oportunidade de redefinir o posicionamento da agência”, explica Edson Athayde à Marketeer.

“Preferimos olhar para este momento como uma evolução natural do projeto e não como uma rutura com o passado. A FCB esteve décadas no mercado, formou centenas, talvez milhares de profissionais. Fomos muito felizes com essa casca, mas ela já não estará brevemente entre nós. Quem vive de passado é museu. Vida que segue”, acrescenta. 

O lançamento da Edson Tech & Soul representa também uma reafirmação de independência, pois a FCB “nunca viveu da herança de ninguém”. “Sempre tivemos que batalhar para garantir os nossos resultados. Não temos clientes por alinhamento, foram todos conquistados a partir de Lisboa”, refere o criativo, apontando, no entanto, que a nova fase permitirá uma maior liberdade.

“Queríamos mais liberdade estratégica e capacidade de adaptação. Essa nova fase vai permitir reforçar uma visão mais internacional e independente do nosso negócio. Também sentimos que era o momento certo para construir algo mais alinhado com o futuro da comunicação, com a nossa própria identidade”, explica.

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Leia também: Assim nasce uma ideia… com Edson Athayde, diretor criativo da FCB Lisboa

O próprio nome da agência traduz também aquilo que Edson Athayde considera que será o que vai diferenciar as marcas e agências nos próximos anos e que passa por equilibrar tecnologia e criatividade humana. “A tecnologia amplia possibilidades, mas a criatividade continua a nascer da sensibilidade humana. A IA será cada vez mais importante na execução e análise. Mas ideias relevantes continuam a depender de cultura, emoção e visão criativa. O equilíbrio entre tecnologia e pensamento humano será justamente o grande diferencial das marcas e das agências nos próximos anos”, aponta.

Outro eixo central da nova agência será a aposta no espaço lusófono, com Edson Athayde a ver um “enorme potencial cultural e económico ainda pouco trabalhado de forma integrada” entre Portugal, Brasil e os mercados africanos de língua portuguesa. Segundo o responsávle, muitas marcas querem circular entre estas geografias, mas deparam-se com a “falta de estruturas verdadeiramente especializadas nesse ecossistema”.

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“Acreditamos que a língua portuguesa pode ser uma plataforma estratégica de negócios, criatividade à escala global. Somos mais de 260 milhões de falantes de português. Há que se tirar partido disso”, afirma.

Apesar de assumir uma identidade independente, a Edson Tech & Soul quer evitar aquilo que o fundador define como “isolamento”, apontando que o objetivo passa por “manter agilidade e proximidade, mas ligados a uma rede ampla de talento e competências”. Edson Athayde acredita inclusive que no futuro – apesar de existir espaço para vários modelos – as estruturas independentes vão ter vantagem em agilidade e adaptação.

“Hoje os clientes valorizam rapidez, proximidade e equipas menos burocráticas. Isso favorece operações mais flexíveis. Queremos ter clientes regulares, mas também trabalhar por projeto, somos agnósticos quanto a isso”, refere.

A nova agência inicia atividade em Portugal com cerca de 15 clientes em carteira, entre os quais Medialivre (dona de meios como Correio da Manhã, CMTV, Jornal de Negócios e Sábado), Lactogal, Turismo de Portugal, Associação dos Restaurantes de Portugal ou Unitel, a maior operadora de telecomunicações em Angola.

Num horizonte temporal a cinco anos, Edson Athayde imagina agências “mais leves, mais colaborativas e cada vez mais conectadas globalmente”. “Haverá menos fronteiras físicas e equipas mais híbridas. A criatividade continuará central, mas apoiada por tecnologia. As agências terão de funcionar mais como ecossistemas criativos do que como estruturas tradicionais fechadas. Vale lembrar que a Edson Tech & Soul já nasce tendo feito prova no agir dessa maneira de pensar. Temos escritório físico, mas cada um vai lá quando quer e precisa. Temos colaboradores que moram noutros países. Para falar a verdade, cinco anos é muito tempo. A indústria está a precisar de respostas para ontem”, conclui.

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