Uma sala construída a partir de quase 90 mil armas destruídas está a posicionar-se como um dos casos mais impactantes de marketing com propósito em 2026. A iniciativa, intitulada “Salas que Curam”, resulta de uma parceria entre a empresa siderúrgica AZA, o Governo do Chile e a agência criativa La Familia, e foi inscrita no festival internacional Cannes Lions.
O projeto partiu de um dos maiores processos de destruição de armas realizados no Chile nos últimos anos, reutilizando cerca de 3,5 toneladas de aço provenientes de 89.810 armas apreendidas. Esse material foi transformado numa sala psicossocial na Escola Tomás Vargas y Arcaya, em Maipú, uma zona particularmente afetada pela violência armada.
Mais do que uma ação simbólica, a iniciativa procurou responder a um problema concreto: o impacto da violência na saúde mental infantil. A sala, pensada para apoiar 444 alunos, foi concebida com base em princípios de neuroarquitetura, incluindo isolamento térmico e acústico, de forma a criar um ambiente seguro e propício ao acompanhamento emocional.
O contexto reforça a relevância do projeto. Entre 2022 e 2025, o Chile registou mais de 2.400 mortes associadas à crise de segurança, incluindo dezenas de menores, evidenciando a urgência de respostas estruturais.
O projeto foi acompanhado por uma curta-metragem animada que reforça a dimensão emocional da iniciativa. A banda sonora foi criada com instrumentos produzidos a partir de armas destruídas e resíduos de guerra, numa colaboração com o artista sérvio Nikola Macura.
Este elemento acrescenta uma camada simbólica ao projeto: o mesmo material associado à violência é transformado não só em infraestrutura, mas também em expressão artística.












