Os cartões de fidelidade estão a ganhar peso nas compras de bens de grande consumo em Portugal. Em 2026, 48,1% das ocasiões de compra de FMCG envolvem a utilização de um cartão, mais 5,3 pontos percentuais do que em 2022.
Os dados foram apresentados pela Worldpanel by Numerator no Retail Check-Up, encontro dedicado à análise da evolução do retalho português e dos comportamentos de consumo.
A maior utilização dos cartões acontece num contexto de maior pressão sobre os orçamentos familiares. Face a 2022, a frequência de compra aumentou 5%, enquanto o volume adquirido em cada ocasião caiu 13%. As marcas da distribuição (MDD) continuam também a reforçar a sua presença nos cabazes.
As promoções associadas aos cartões assumem igualmente um papel relevante. 81,6% dos portugueses dizem gostar de participar neste tipo de promoções, enquanto 67,5% recorrem aos folhetos dos estabelecimentos para se informarem sobre campanhas.
A utilização de cartões está ainda associada a uma maior frequência de compras. Segundo a Worldpanel by Numerator, os consumidores que utilizam cartão registam, em média, 53,3 atos de compra, contra 37,3 entre os que não utilizam. O gasto médio por ato é de 28,15 euros, face a 20,31 euros.
Apesar da crescente importância dos programas de fidelização, estes não significam exclusividade. Os portugueses utilizam, em média, três cartões de diferentes retalhistas, o que mostra que os consumidores continuam a comparar benefícios entre insígnias.
A lógica dos cartões já ultrapassa o supermercado. Em 2026, 56,2% do volume de combustível abastecido por veículos particulares está associado à utilização de um cartão de fidelidade, contra 47,5% em 2022.
Os três principais programas analisados — Continente, Pingo Doce e Lidl — estão presentes em 32,8% dos abastecimentos, mais 8,9 pontos percentuais do que em 2022. As parcerias entre retalhistas alimentares e operadores de combustível contribuem para alargar os benefícios a outras despesas das famílias.
Entre os retalhistas, o Lidl aumentou a sua quota em valor de 12,6% para 13,8% no acumulado até 9 de agosto de 2026. A insígnia registou também crescimento na penetração do cartão e na frequência de compra.
A Jerónimo Martins passou de 21,4% para 22,2% de quota em valor, enquanto a Sonae manteve uma posição estável em valor e aumentou a sua quota de visitas.
No conjunto do mercado, a penetração surge como um dos principais motores de crescimento: em 76% dos períodos analisados em que um retalhista cresceu em valor, esse crescimento foi acompanhado por um aumento da penetração.
A evolução mostra um consumidor que recorre cada vez mais a cartões, promoções e marcas da distribuição para gerir o orçamento, mas que mantém uma relação repartida entre diferentes retalhistas. Para as insígnias, o desafio passa assim por transformar os programas de fidelização em relações de compra mais frequentes e relevantes.











