Quando a música é feita por algoritmos: o fenómeno The Velvet Sundown, a banda que não existe mas que tem milhões de seguidores

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Marketeer
08/07/2025
18:30
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08/07/2025
18:30
Quando a música é feita por algoritmos: o fenómeno The Velvet Sundown, a banda que não existe mas que tem milhões de seguidores

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A palavra “tecnologia” significa o conjunto de técnicas que permitem aplicar o conhecimento científico na prática. Desde sempre, a música fez-se com tecnologia. Agora, entramos na era da inteligência artificial (IA), que promete tornar os músicos cada vez mais dispensáveis.

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Os mais otimistas garantem que canções feitas só por IA nunca terão o “pulso emocional” das composições humanas, especialmente em géneros como o rock.

Mas essa ideia acaba de ser posta em causa.

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A 5 de junho, apareceu nas plataformas musicais um álbum chamado Floating and Echoes, do grupo The Velvet Sundown. Duas semanas depois, veio Dust and Silence, e, antes de o mês acabar, a banda já tinha quase um milhão de ouvintes no Spotify.

De imediato surgiram dúvidas.

A biografia do grupo e as fotografias dos membros pareciam irreais. A imprensa começou a investigar e nas redes sociais multiplicaram-se os comentários, tanto a favor como contra a existência física da banda. O grupo respondeu com ironia: “Dizem que não somos reais. Talvez tu também não sejas.”

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O fenómeno ganhou contornos quase de novela quando a revista Rolling Stone publicou uma entrevista com Andrew Frelon, que dizia ser o “manager” da banda e admitia que as músicas eram feitas por IA. Poucas horas depois, The Velvet Sundown negou qualquer relação com Frelon, acusando-o de falsificar entrevistas e perfis. Frelon acabou por confessar que tinha enganado a revista.

Apesar do fervor dos fãs, a plataforma Deezer alertou que várias músicas do grupo poderiam ter sido feitas com IA, e um estudo do Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique confirmou que pelo menos 10 das 13 faixas do álbum Dust and Silence foram compostas por inteligência artificial.

Com o mistério a dissipar-se, os autores do projeto revelaram: “The Velvet Sundown é um projeto de música sintética guiado pela direção criativa humana, com composição, interpretação e visualização apoiadas por IA. Isto não é um truque, é um espelho , uma provocação artística para desafiar os limites da autoria, identidade e o futuro da música na era da IA.”

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No próximo dia 14 de julho será lançado o terceiro álbum, Paper Sun Rebellion, e será interessante perceber se mantém a popularidade. Se os ouvintes deixarem de ouvir, significa que ainda valorizam a presença humana na música. Se continuar a crescer, é sinal de que cada vez mais o público aceita e até prefere a música criada por máquinas.

Esta mudança preocupa especialistas como Gina Neff, professora da Universidade de Cambridge, que diz à BBC: “Talvez não importe se a banda é de IA ou não, mas importa que nos custa cada vez mais distinguir o que é real.”






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