Com a inteligência artificial a redefinir padrões culturais e estéticos, a Dove voltou a posicionar-se no centro deste debate com “The Beauty Machine”, uma campanha lançada no Reino Unido que denuncia o papel dos algoritmos na uniformização da beleza.
Desenvolvida em parceria com a VML, a iniciativa materializa a forma como plataformas digitais e sistemas algorítmicos estão a moldar e a estreitar a perceção do que é considerado “bonito”, refere a Reason Why. A campanha parte da premissa de que os algoritmos não são neutros e que ao privilegiarem conteúdos com maior engagement, acabam por amplificar determinados traços físicos e estéticos, criando um ciclo de repetição que reduz a diversidade visual.
“The Beauty Machine” traduz essa ideia numa instalação física que simula o funcionamento dos feeds digitais, pois se à primeira vista parece oferecer variedade, rapidamente se percebe um padrão repetitivo, com o mesmo rosto idealizado, apresentado de formas ligeiramente diferentes. O objetivo passa assim por tornar visível aquilo que normalmente é invisível: a lógica de recomendação algorítmica que influencia o que vemos.
Segundo dados da própria marca, a exposição contínua a estes padrões tem impacto direto na perceção individual, sendo que a maioria das mulheres sente pressão para alterar a sua aparência, mesmo quando reconhece que as imagens são irreais ou manipuladas. Esta realidade representa também uma evolução face às críticas tradicionais à publicidade, pois se antes o problema estava nas marcas e nos media, hoje está cada vez mais nos sistemas tecnológicos que amplificam determinados conteúdos à escala global.














