A Puma, uma das marcas mais icónicas do universo desportivo, poderá em breve mudar de mãos. Fundada em 1948 por Rudolf Dassler, após a rutura com o irmão Adolf “Adi” Dassler, com quem criou a histórica Gebrüder Dassler Schuhfabrik na Baviera, a marca nasceu de uma rivalidade familiar que não só dividiu a cidade de Herzogenaurach, como também deu origem a duas das maiores potências da indústria: Adidas e Puma.
Enquanto Adi se destacou pelo foco na inovação e design, Rudolf tornou-se a força comercial da marca, dando especial atenção ao marketing e às relações com atletas. Após a separação, Rudolf fundou a sua própria empresa a poucos metros da nova sede da Adidas, iniciando uma disputa empresarial que perduraria por décadas.
A Puma construiu a sua identidade em torno da performance, da velocidade e da ousadia, valores refletidos na escolha do nome e na imagem do felino. Desde a introdução da primeira chuteira com travas rosqueáveis, em 1954, até parcerias históricas com figuras como Pelé, Johan Cruyff ou Tommie Smith – cujo protesto nos Jogos Olímpicos de 1968 se tornou um marco global, a marca sempre soube aliar inovação técnica a uma forte presença cultural.
Durante os anos 90 e 2000, a Puma expandiu-se para o segmento lifestyle, através de colaborações com designers e marcas de luxo, posicionando-se na confluência entre desporto e moda urbana. Ainda hoje, mantém a sede em Herzogenaurach, lado a lado com a sua eterna rival, Adidas.
Contudo, a situação atual da Puma é menos brilhante. A marca enfrenta uma fase financeira delicada, com uma queda de vendas de 2% no segundo trimestre de 2025 e um impacto severo das novas tarifas norte-americanas sobre importações asiáticas, que resultaram numa perda de 93 milhões de dólares no lucro bruto. Estes resultados levaram à revisão em baixa da previsão anual de lucros e a uma desvalorização de mais de 50% nas ações ao longo do ano, reduzindo o valor de mercado para cerca de 3,2 mil milhões de dólares.
É neste contexto que se intensificam os rumores sobre a possível saída da Artémis, holding da família Pinault e atual acionista maioritária com 29% da empresa. O mercado reagiu de imediato às notícias, com as cções da Puma a subirem quase 16% no final de Agosto, apesar de continuarem longe dos valores registados no ano anterior.
Entre os potenciais interessados numa aquisição estão empresas chinesas como a Anta Sports ou a Li Ning, marcas norte-americanas concorrentes e até fundos soberanos do Médio Oriente. A eventual venda poderá representar um ponto de viragem decisivo para a marca do felino, que terá de reinventar a sua estratégia para voltar a competir ao mais alto nível num sector em constante evolução.
Com mais de 75 anos de história, marcada por inovação, rivalidade e impacto cultural, o futuro da Puma dependerá, mais do que nunca, da visão de quem liderar os seus próximos passos.












