Maiores empresas de publicidade exterior do país divulgam anúncio fraudulento que prometia créditos até 900 mil euros

Notícias
Marta Ferreira
28/05/2025
13:06
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28/05/2025
13:06
outdoor cartaz painel publicidade
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A situação foi denunciada pela TSF através do caso do empresário Pedro Maia que descreveu à emissora o anúncio “altamente credível” que “quase acabou num caso de phishing”. O empresário revelou que o outdoor podia ser de um qualquer banco tradicional, mas foi ao entrar no QR Code que percebeu que se tratava de uma tentativa de phishing. Desde esse momento, a sua caixa de correio encheu-se de e-mails com pedidos para enviar dados.

Contactada pela Marketeer, a empresa Metropolitano de Lisboa confirmou a publicidade fraudulenta advertindo que “a campanha publicitária em causa esteve patente em várias redes de espaços publicitários e não exclusivamente nos suportes existentes no Metropolitano de Lisboa”. Quanto à responsabilidade, remeteu para a Publimetro, S.A. (MOP), empresa concessionária da publicidade.

“Contratualmente é da exclusiva responsabilidade da concessionária avaliar e garantir que as campanhas publicitárias patentes no Metropolitano de Lisboa cumprem as devidas exigências legais e éticas, pelo que o Metropolitano de Lisboa não intervém diretamente na escolha das campanhas publicitárias, nem valida o respetivo conteúdo ou a identidade das entidades anunciantes”, indicou.

Adicionalmente, a empresa “determinou que os cartazes fossem retirados de imediato dos seus espaços e que a empresa concessionária da publicidade, Publimetro, S.A., encetasse as devidas diligências legais junto das entidades competentes, designadamente junto do Ministério Público”.

De acordo com o jornal ECO, estiveram envolvidas na divulgação desta publicidade as principais empresas de publicidade exterior em Portugal: JCDecaux, MOP e DreamMedia. O anúncio fraudulento de uma suposta concessão de crédito era atribuído a uma suposta entidade que se fazia passar pelo banco norueguês DNB.

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A DreamMedia confirmou ao ECO ter difundido os anúncios, mas afirmou que os suspendeu em menos de uma hora após o sistema interno detetar inconformidades, acionando o departamento de compliance e denunciando o caso às autoridades. As outras empresas não responderam.

Apesar da aparência profissional dos anúncios, o esquema revelava-se fraudulento após o primeiro contacto, com comunicações confusas por WhatsApp de números brasileiros e a exigência de um pagamento antecipado de 5% do valor do crédito como parte de um alegado seguro.

A Marketeer pediu ainda reações às empresas de publicidade exterior. Em resposta, a DremMedia alega que “implementa rigorosos protocolos de verificação e controlo que garantem a segurança das marcas e dos consumidores e que rapidamente detetaram fortes indícios de fraude relacionados com a campanha em questão, tendo denunciado, de imediato, o caso às autoridades competentes”.

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A empresa acrescenta que “recebeu uma solicitação comercial para a divulgação dos anúncios publicitários em questão, sendo certo que a campanha publicitária foi enviada para a sua sala de controlo, sendo inserida na respetiva plataforma de exibição”, contudo, “a sua difusão foi automaticamente suspensa pelo sistema de controlo interno, em menos de 1 hora após a sua inserção, uma vez que foi acionado, de forma automática, o sistema de alertas, por suspeita de inconformidades”.

“Após se efetivar a suspensão automática da difusão de conteúdos, foi acionado o Departamento de Compliance que, após análise aos elementos que lhe foram disponibilizados, concluiu que subsistia uma elevada probabilidade de prática de atividade fraudulenta, sendo que, nesse sentido, determinou a não difusão dos conteúdos”, detalha ainda.

Mais, a DreamMedia aponta que “não recebeu qualquer denúncia externa relativamente a este caso” e que o “alerta partiu do próprio Departamento de Compliance”. Ao detetar “a possibilidade de se tratar de um esquema ilícito, a DreamMedia denunciou, de imediato, a situação junto da Procuradoria-Geral da República, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, da Polícia Judiciária, do Banco de Portugal e da CSSF (Commision de Surveillance du Secteur Financier)”.

A empresa alerta ainda que, “perante a crescente sofisticação dos esquemas fraudulentos, tanto na sociedade em geral como no setor da publicidade em particular”, é importante a “vigilância permanente”. No caso em questão, considera que foi “um reforço inequívoco das suas boas práticas e dos seus mecanismos internos de monitorização”.

A JCDecaux e MOP não respondeu, até ao momento, às questões enviadas.

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