Presidenciais 2026: candidatos usam redes sociais mais para manter relação do que para mobilizar eleitores

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14/01/2026
09:56
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Presidenciais 2026: candidatos usam redes sociais mais para manter relação do que para mobilizar eleitores

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A comunicação digital dos candidatos às eleições Presidenciais de 2026 tem estado sobretudo orientada para a manutenção da relação com os seguidores, em detrimento da mobilização eleitoral ou da conquista de novos eleitores. A conclusão é de um estudo académico realizado por dois professores do IPAM, que analisou a atividade dos candidatos nas principais redes sociais durante o mês de dezembro de 2025.

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O estudo incidiu sobre 2.104 publicações feitas no Facebook, Instagram e TikTok por oito candidatos presidenciais — André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo, Jorge Pinto e Luís Marques Mendes. Os resultados mostram que mais de metade dos conteúdos publicados corresponde a mensagens sazonais, maioritariamente associadas ao Natal e ao Ano Novo.

Quando agregados os conteúdos relacionados com eventos, visitas e ações de proximidade, cerca de três quartos da comunicação digital analisada assume um carácter relacional e simbólico. Em contraste, as mensagens de natureza programática ou de confronto político surgem em clara minoria. Ainda assim, apesar de abordarem contextos semelhantes, os candidatos diferenciam-se na forma como enquadram as mensagens, utilizando o mesmo cenário — como o período natalício — para transmitir ideias de justiça social, união institucional, identidade nacional ou clivagem política.

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“O objetivo deste estudo não é avaliar posições políticas, mas compreender como os candidatos utilizam as redes sociais enquanto instrumentos de comunicação, que estilos discursivos privilegiam e que tipo de relação constroem com as suas audiências”, explica Luís Bettencourt Moniz, professor do IPAM e um dos autores do estudo.

A análise do envolvimento confirma que a comunicação de cariz emocional é a que gera maior volume de reações, alcance e partilhas, sobretudo no Instagram e no TikTok. Já os conteúdos mais focados em visão política ou mobilização programática tendem a alcançar menos pessoas, mas promovem comentários mais longos e politizados, revelando maior densidade discursiva.

“Em dezembro identificámos duas estratégias claras: uma mais emocional, orientada para o alcance, e outra mais política, focada na mobilização interna. No entanto, nenhuma teve como objetivo central convencer novos eleitores”, sublinha João Andrade Costa, coautor do estudo.

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Escala versus intensidade relacional

O estudo revela uma clivagem entre candidatos que privilegiam a escala e a amplificação das mensagens e aqueles que apostam numa relação mais intensa com comunidades digitais reduzidas. Jorge Pinto destaca-se pela maior taxa média de engagement (41,2%), mobilizando fortemente uma audiência pequena, mas ideologicamente coesa. Em contraste, André Ventura lidera em volume absoluto de interações, com mais de 5,5 milhões, embora apresente a taxa de engagement mais baixa (1,9%), refletindo uma relação menos intensa com audiências amplas e polarizadas.

Cotrim Figueiredo surge como um dos candidatos com melhor equilíbrio entre escala e envolvimento, enquanto António Filipe e Catarina Martins apresentam padrões de mobilização ideológica estável, com alcance mais limitado. Gouveia e Melo distingue-se pelo elevado volume de publicações, mas com menor coesão relacional, ao passo que António José Seguro mantém uma presença regular e pouco polarizadora. Luís Marques Mendes regista a menor tração digital entre os candidatos analisados.

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Plataformas com dinâmicas distintas

O estudo confirma ainda que Facebook, Instagram e TikTok obedecem a lógicas diferentes. Enquanto Facebook e Instagram apresentam níveis de engagement mais estáveis, o TikTok é marcado por picos elevados associados a conteúdos virais pontuais, sem consistência ao longo do tempo.

“A comunicação política digital em dezembro funcionou sobretudo como um espaço de relação e reforço identitário, e não como um espaço de debate público ou de persuasão eleitoral”, conclui Luís Bettencourt Moniz. Para João Andrade Costa, os resultados mostram que “quem apostou na emoção ganhou alcance; quem apostou na política mais dura ganhou coerência, mas não escala”.

O estudo recorreu a técnicas de análise de conteúdo e Natural Language Processing (NLP), permitindo comparar padrões de comunicação, intensidade relacional e visibilidade digital dos candidatos, sem avaliar os seus posicionamentos políticos.




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