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Portugal reforça pontes com a China na MITE: turismo como estratégia global

TurismoNotícias
Marketeer
20/04/2026
16:21
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A APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo levou à 14.ª edição da Macao International Travel (Industry) Expo – MITE – a ambição global do turismo nacional, reforçando a ligação estratégica à China e afirmando Portugal como uma ponte activa entre mercados, culturas e geografias.

A presença da APAVT na MITE, em Macau, reflecte uma estratégia clara: posicionar Portugal no mapa global do turismo e, ao mesmo tempo, fortalecer pontes com mercados de elevado potencial, como a China. Mais do que uma presença institucional, trata-se de um movimento que cruza promoção, relacionamento e visão de futuro para o sector.

Criada em 2013, a MITE tem vindo a afirmar-se como uma das principais plataformas internacionais do sector, reunindo destinos, operadores e compradores de todo o mundo. Ao funcionar como elo entre a China continental e o mercado global, o evento não só promove a descoberta de novos destinos, como impulsiona relações comerciais e institucionais, assumindo-se como um espaço privilegiado para o desenvolvimento do turismo internacional.

Portugal, palco do mundo

É neste “palco” que Portugal reforça a sua proposta. Segundo Tiago Brito, director do Turismo de Portugal na República Popular da China e nas regiões administrativas e especiais de Macau, o país está hoje orientado para crescer em valor e não apenas em volume. «Há séculos, os portugueses partiam à descoberta do mundo; hoje, o mundo descobre-se em Portugal», começou por dizer.

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E os dados confirmam essa trajectória: 32 milhões de hóspedes em 2025 (12,77 milhões de portugueses e 19,74 milhões de estrangeiros), 82 milhões de dormidas (25 milhões de portugueses e 56,96 milhões de estrangeiros) e 29,13 mil milhões de euros gerados pelo turismo (mais 5% face a 2024). «Estamos efectivamente a crescer em valor — não temos necessariamente mais hóspedes, mas ficam mais tempo e geram mais valor para a economia», acrescentou durante a sua apresentação no stand de Portugal.

Um dos focos estratégicos passa pela Ásia, com destaque para a China. O mercado continua em forte expansão, com quase 340 mil hóspedes e um crescimento anual superior a 10%. «A procura é cada vez mais forte», afirma, sublinhando o potencial de expansão e o impacto económico associado, com cerca de 175 milhões de euros em receitas. O reforço da conectividade aérea — incluindo um novo voo directo entre Pequim e Lisboa, previsto para Junho, ainda que por um período limitado — surge aqui como uma peça-chave: «Estamos com uma expectativa bastante elevada para que possa ter uma procura grande e que este voo continue depois».

A estratégia passa, igualmente, por diversificar a oferta e reforçar a atractividade ao longo de todo o ano, com eventos, gastronomia, cultura e sustentabilidade a assumirem um papel central. «O objectivo é que possam permanecer mais tempo em Portugal», refere o responsável, deixando ainda um apelo a todas as entidades: «Peço que sejam embaixadores destas ideias», porque, mais do que um destino, Portugal quer afirmar-se como uma experiência completa — e global.

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APAVT: O turismo é tudo o que o mundo precisa

A dimensão estratégica do turismo vai além dos números e é ao nível institucional que a presença portuguesa na MITE, sobretudo através da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, ganha maior profundidade.

Para Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, o turismo deve ser entendido como uma verdadeira ferramenta de ligação entre países — uma «estrada de duas vias» que beneficia ambos os lados. «É mais uma etapa do nosso relacionamento com a China, enquanto mercado emissor e enquanto destino turístico e essa é a grande vertente estratégica desta relação», relata, adiantando que «quanto mais turistas chineses existirem em Portugal, mais turistas portugueses existirão na China e vice-versa».

Num contexto internacional desafiante, o presidente reforça ainda o papel quase estrutural do turismo: «O mundo precisa mais do que nunca de turismo hoje», associando-o a valores como tolerância e abertura — «o turismo traz tolerância, traz amor pelas diferenças e isso é tudo o que o mundo precisa agora».

Durante a MITE, essa mensagem foi partilhada junto da comitiva do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que visitou o stand de Portugal. Numa intervenção dirigida aos deputados presentes, Pedro Costa Ferreira sublinhou o peso económico do sector, assim como a sua relevância estratégica para o país. «A única esperança de retenção de pessoas no interior é o turismo», afirmou, apontando para o impacto directo do sector na fixação de população e no desenvolvimento regional. A mensagem final sintetizou a sua visão: «Portugal está melhor com turismo, Portugal fica pior sem turismo».

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MITE como ponto de encontro e catalisador de oportunidades

Esta leitura do turismo como ponte — económica, cultural e política — ganha expressão concreta na relação entre a APAVT e a MITE. Para Carlos Baptista, vice-presidente da APAVT, esta parceria é um exemplo consolidado de cooperação internacional. «A nossa relação tem séculos de existência, sempre marcada por admiração e respeito […] com uma tolerância e uma diplomacia invejável», destacou.

Desde 2019, a presença da APAVT na MITE tem vindo a crescer de forma consistente. «Sentimos uma evolução enorme e isso é algo que nos satisfaz todos os anos ao chegar aqui e ver uma evolução bastante acentuada». Nesse sentido, a estratégia passa por alargar o alcance de Macau à escala europeia. «Promovemos Macau não só a nível de Portugal e de Espanha, mas a nível europeu», afirma, destacando o trabalho desenvolvido junto de associações e mercados internacionais.

Essa ambição tem-se traduzido em iniciativas concretas, desde a participação em feiras (como BTL ou FITUR), a programas de formação para agentes de viagens e roadshows, além de grandes eventos, como o congresso da APAVT, realizado em Macau no final do ano passado.

A MITE assume, assim, um papel estruturante nesta relação, funcionando como ponto de encontro e catalisador de oportunidades. A continuidade da parceria tem permitido não só consolidar o posicionamento de Macau em Portugal, mas também expandi-lo para novos mercados. Em 2026, essa estratégia ganhou uma nova escala: «Lançámos o primeiro programa de formação de Macau em três países europeus adicionais […] e queremos continuar a intensificar este tipo de colaboração», partilhou durante a sua apresentação no palco da MITE.

Apesar de o mercado português ainda ter uma dimensão reduzida — cerca de 14 mil turistas —, os sinais de crescimento são claros. «São números pequenos, mas com sinais muito positivos de crescimento», apontando para um aumento expressivo nos últimos anos. O futuro, acredita, passa também por melhorar a conectividade: «Gostaríamos muito de poder voltar a retomar uma ligação mais directa com Macau».

No fundo, a participação portuguesa na MITE reflecte uma estratégia alinhada entre promoção, diplomacia económica e visão de futuro. Um esforço conjunto entre entidades públicas e privadas que confirma o papel do turismo como um dos principais motores de ligação entre Portugal, Macau e a China. Uma ideia fica latente: o turismo pode — e deve — ser uma ponte entre geografias, economias e culturas, afirmando e amplificando Portugal no contexto global.




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