Portugal surge como o país europeu onde as empresas demonstram maior cautela quanto ao futuro, com 23% dos empresários a preverem uma redução das receitas em 2026, segundo o barómetro europeu da ERA Group.
O estudo, que envolveu mais de mil decisores empresariais, indica uma forte deterioração das expectativas em comparação com o ano anterior. Em Portugal, apenas 39% das empresas esperam crescer em termos de faturação, uma quebra significativa face aos 63% registados anteriormente e abaixo da média europeia.
Ainda assim, o panorama não é totalmente negativo. Mais de metade das organizações nacionais (57%) antecipa uma melhoria do EBITDA, embora este valor continue a ficar aquém da média europeia, fixada nos 62%. Setores como o retalho e distribuição, a indústria e a saúde apresentam níveis de confiança relativamente superiores.
O relatório aponta para um contexto económico e geopolítico desafiante como principal fator para esta tendência. A inflação, a instabilidade internacional e os impactos de fenómenos climáticos extremos estão entre as principais pressões identificadas pelas empresas, contribuindo para uma postura mais defensiva.
Neste cenário, as organizações têm vindo a privilegiar estratégias de contenção e eficiência, com foco no controlo de custos e na otimização de processos, em vez de apostar em expansões mais agressivas.
A tecnologia, incluindo soluções de inteligência artificial, e a sustentabilidade continuam a ser áreas prioritárias de investimento. No entanto, o aumento dos custos tecnológicos é visto como um obstáculo relevante por cerca de 40% dos decisores, valor acima da média europeia.
A falta de talento qualificado mantém-se igualmente como uma das principais dificuldades, afetando 37% das empresas e condicionando o crescimento em vários setores.
No plano externo, Portugal destaca-se como o país mais pessimista em relação ao impacto das tarifas norte-americanas, com 34% dos empresários a anteciparem efeitos negativos nas suas operações.
Perante este ambiente, muitas empresas estão a redirecionar os seus esforços para áreas como vendas, marketing e eficiência operacional, reforçando também a diversificação de produtos e a resiliência das cadeias de abastecimento.
Para João Costa, country manager da ERA Group, o momento exige uma abordagem mais rigorosa à gestão de custos, sublinhando que a capacidade de adaptação será essencial para garantir competitividade e sustentabilidade futura.












