Num momento em que o Mundial de Futebol de 2026 concentra as atenções de milhões de adeptos em todo o mundo, um novo estudo da Tradingpedia mostra que a influência do futebol ultrapassa largamente as quatro linhas. Nas redes sociais, e em particular no Instagram, os clubes tornaram-se autênticas supermarcas globais, capazes de rivalizar – e muitas vezes superar – empresas avaliadas em milhares de milhões de euros.
A análise cruzou os dados mais recentes da Brand Finance sobre as marcas mais valiosas de cada país com o número de seguidores no Instagram registado no final de maio deste ano. O resultado revela uma tendência clara: em várias das maiores economias europeias, as marcas que dominam a atenção online não são bancos, tecnológicas, companhias aéreas ou grupos de luxo mas sim os clubes de futebol.
Portugal surge como um dos exemplos mais evidentes deste fenómeno, sendo que, segundo a Tradingpedia, a marca portuguesa mais seguida no Instagram é o Benfica, com perto de 3,5 milhões de seguidores. O número coloca o clube da Luz acima de qualquer empresa nacional na plataforma, demonstrando a capacidade do futebol para gerar comunidades digitais altamente envolvidas e globais.
O contraste torna-se ainda mais relevante quando comparado com os rankings de valor de marca, pois enquanto empresas como a EDP, a Galp ou a Caixa Geral de Depósitos figuram entre as marcas portuguesas mais valiosas, é o Benfica que conquista a maior audiência nas redes sociais, confirmando que notoriedade e valor económico nem sempre caminham lado a lado.
Uma tendência europeia
Mas Portugal está longe de ser caso único, com o estudo a identificar uma verdadeira hegemonia do futebol no Instagram europeu. Em Espanha, o Real Madrid lidera destacado com quase 179 milhões de seguidores, tornando-se não apenas a maior marca espanhola na rede social, mas também uma das organizações mais seguidas do mundo. O rival FC Barcelona surge logo atrás, com mais de 145 milhões.
Em França, o Paris Saint-Germain ultrapassa as grandes casas de luxo francesas e soma mais de 56 milhões de seguidores. Na Alemanha, o Bayern Munique lidera com 44,5 milhões. Já em Itália, a Juventus aproxima-se dos 59 milhões, enquanto no Reino Unido, não é um único clube mas sim a Premier League quem assume o primeiro lugar, com quase 80 milhões de seguidores.
Até a Suíça, tradicionalmente associada a marcas financeiras e relojoeiras, vê a Liga dos Campeões da UEFA assumir o topo das preferências digitais, com cerca de 119,5 milhões de seguidores, sendo que o Mundial FIFA, também sediado no país, ocupa a segunda posição. Um dos casos mais curiosos surge nos Países Baixos. Em vez de um clube, é a plataforma de media futebolístico 433 que domina o Instagram, acumulando quase 77 milhões de seguidores e superando largamente gigantes empresariais holandeses como a Heineken ou o ING.
De acordo com Brian McColl, da Tradingpedia, os clubes de futebol transformaram-se em poderosas marcas mediáticas globais, acumulando em vários países audiências superiores às de empresas avaliadas em dezenas ou centenas de milhares de milhões de dólares, o que demonstra que a relevância cultural se tornou um ativo tão importante quanto o valor económico.
“Curiosamente, o domínio do futebol nas redes sociais não se limita a gigantes globais como o Real Madrid ou a Premier League; clubes como o Benfica e a Juventus também superam muitas das empresas mais reconhecidas de seus países. Para as marcas que investem bastante para captar a atenção no Instagram, estes números servem como um lembrete de que poucos produtos conseguem competir com a lealdade emocional gerada pelo desporto. Na Europa, em particular, o futebol deixou de ser apenas o passatempo nacional para se tornar numa das exportações digitais de maior sucesso do continente”, diz Brian McColl.
A própria lista dos países analisados mostra que as marcas mais valiosas raramente coincidem com as mais seguidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Apple mantém-se como a marca mais valiosa do mundo, avaliada em mais de 600 mil milhões de dólares pela Brand Finance, mas é a Nike que lidera nas redes sociais, com quase 300 milhões de seguidores. O mesmo padrão repete-se em diversos mercados: empresas de energia, banca ou telecomunicações dominam os rankings financeiros, enquanto o Instagram privilegia marcas associadas a paixão, entretenimento e identidade cultural.












