O setor dos Seguros enfrenta uma pressão crescente por parte dos consumidores. O mais recente Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal do Portal da Queixa (que se baseia na análise de queixas registadas neste portal) revela um aumento significativo das reclamações no setor, com 4.302 queixas registadas em 2025 (um aumento de 3,86% face às 4.142 do ano anterior) e uma aceleração no início de 2026. No primeiro trimestre deste ano somam-se 1.382 reclamações, refletindo um crescimento homólogo de 21,44%, com picos em fevereiro (+32,04%) e março (+29,62%). As companhias de seguros concentram o maior volume de ocorrências.
De acordo com o Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal, este agravamento reflete uma “fissura operacional” no setor, que continua a depender de sistemas tecnológicos desatualizados para responder a um consumidor cada vez mais digital e exigente. Eventos extremos, como as tempestades no início de 2026, vieram agravar esta pressão, sobretudo nas áreas de peritagem e gestão de sinistros.
As Companhias de Seguros concentram a maior fatia de reclamações (44,28% no primeiro trimestre de 2026), seguidas pelos Planos de Saúde (12,16%) e Seguros de Saúde (11,22%), que continuam a refletir a sensibilidade das famílias face aos custos e coberturas. Segundo o Portal da Queixa, em termos globais, mais de metade das reclamações concentra-se nestas três áreas, refletindo a crescente complexidade das disputas contratuais e financeiras. Seguem-se as Seguradoras de Assistência e Produtos (10,93%), as Companhias de Seguros Auto Direto (10,85%) e com valores abaixo dos 4% as Companhias de Seguros Pessoal e Vida, os Mediadores de Seguros, as Peritagens e Regularização de Sinistros e os Seguros de Viagem.
Entre as marcas mais reclamadas no período analisado destacam-se: Generali Tranquilidade, Fidelidade e Ageas Seguros (entre as Companhias de Seguros); Médis e AdvanceCare (em Seguros de Saúde); Medicare (em Planos de Saúde); Domestic & General (em Assistência a Produtos); Seguro Directo, LOGO e ok! seguros (em Auto Direto); BNP Paribas Cardif, Chubb e MetLife (em Pessoal e Vida); UON, Realperitos e Van Ameyde (em Peritagens).
O relatório evidencia crescimentos particularmente relevantes: um aumento de 42,20% nas reclamações em Seguros de Saúde; um crescimento de 37,50% no segmento Pessoal e Vida e uma acentuação de 94,44% nas reclamações relacionadas com peritagens e regularização de sinistros.
“O aumento de 21% no número de reclamações no primeiro trimestre de 2026 sinaliza que a clivagem entre as expectativas digitais dos consumidores e a realidade operacional dos sistemas legados atingiu um nível crítico. O setor dos Seguros em Portugal encontra-se num momento decisivo, onde a sustentabilidade futura dependerá não apenas da solidez financeira, mas da capacidade de adaptação tecnológica e da gestão eficaz da reputação junto dos consumidores. A transformação digital, aliada à confiança e à transparência, será determinante para garantir a resiliência e a competitividade das seguradoras no horizonte 2026-2030”, comenta Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust.












