Cientistas desenvolveram um novo tipo de material que pode revolucionar a luta contra a poluição: um “plástico vivo” capaz de se decompor totalmente graças à ação de bactérias incorporadas na sua estrutura.
A investigação, divulgada pela comunidade científica internacional, mostra que foi possível integrar esporos bacterianos em polímeros, criando um material que se biodegrada por completo sem gerar microplásticos — um dos maiores problemas ambientais da atualidade.
O sistema baseia-se em microrganismos do género Bacillus, que permanecem inativos dentro do plástico até serem ativados em determinadas condições. Quando isso acontece, as bactérias produzem enzimas capazes de quebrar a estrutura do material e acelerar a sua decomposição.
Enquanto um plástico convencional pode demorar até 500 anos a desaparecer na natureza, este novo material pode decompor-se em apenas seis dias quando ativado.
Os investigadores explicam que a ideia surgiu da contradição entre a durabilidade extrema do plástico e a sua utilização em produtos de vida curta, como embalagens descartáveis. A solução passou por integrar a degradação diretamente no ciclo de vida do próprio material.
O chamado “plástico vivo” funciona através de esporos bacterianos que permanecem inativos até serem ativados, por exemplo, a cerca de 50 graus. A partir desse momento, inicia-se o processo de degradação.
As bactérias produzem enzimas específicas que atuam em diferentes fases da decomposição, quebrando as cadeias do polímero até à sua eliminação total, sem resíduos ou microplásticos.
Para além do impacto ambiental, os investigadores estão também a explorar aplicações tecnológicas e médicas. O material pode ser utilizado em dispositivos eletrónicos flexíveis e biodegradáveis, produzidos através de impressão 3D.
Há ainda estudos que apontam para a possibilidade de substituir certos materiais usados em biomedicina, como os aplicados em suturas cirúrgicas, por alternativas mais sustentáveis e programáveis.














