«Temos que comprar alguma coisa para contar uma história aos jornalistas de onde vem o melhor vinho!». A conversa, de Dirk Niepoort com o pai, é o momento que haveria de levar a empresa – com uma história que remonta a 1842 – a dar o salto de produtora de vinhos do Porto para ícone da inovação e da tradição vitivinícola portuguesa, em particular dos vinhos de mesa no Douro, com Dirk Niepoort à cabeça.
Por M.ª João Vieira Pinto
Dirk é a quinta geração do produtor de renome mundial, sendo que a sexta também já está nos vinhos e na empresa. E, depois do Douro, já estendeu a regiões como Dão e Bairrada, com trabalhos também por Espanha. «Gostava de fazer vinho em Portalegre, já fiz e já sei porque é que gosto de fazer vinhos lá. Estou a fazer em Gredos, Espanha, mas sei que agora tenho que andar mais devagar», partilha.
Dirk, que nunca estudou nada na área – apenas Economia -, ganhou paixão pelos vinhos quando se cruzou com um estágio, na área, em Bordéus. Um momento que o encaminharia para onde está hoje, e que o levou a querer aprender como se faz com os melhores. «Nunca fui castrado, por isso tenho uma visão mais ampla e menos medos a fazer vinhos», conta, conferindo que «os erros são a melhor aprendizagem.»
Uma visão e ambição que o ajudaram a pensar um projecto inédito em Portugal, à altura, os Douro Boys, juntamente com mais três produtores, entre Cristiano Van Zeller, Tomás Roquette, Francisco Olazábal e João Ferreira Álvares Ribeiro. «Ninguém conhecia o Douro, ninguém vinha ao Douro, e tivemos que ir para fora. Depois, percebemos que tínhamos que começar a trazer as pessoas até cá para conhecerem o dramatismo do Douro.» Além disso, diz, sempre teve a ideia de que sozinho não iria a lado e que a partilhar se vai mais longe. Resultados? «Quando comecei a trabalhar com o meu pai, em 1987, fazia-se mais ou menos 100 mil pipas de vinho do Porto, e menos de 1000 de vinhos Doc. Hoje, são cerca de 90 mil de vinho do Porto e 90 mil de vinhos de mesa. O vinho de mesa veio ajudar a consolidar uma região, dar-lhe dimensão, visibilidade» e, no final, ajudar a «trazer clientes para o vinho do Porto.»
Antes dos Douro Boys e depois dos Douro Boys a diferença é, pois, significativa, confirma.
Quanto à Niepoort, mais de 80% do total da produção é para exportação, para 78 países. «Dá muito mais trabalho, mas dá-nos uma visibilidade que outros produtores não têm, além de que não estamos dependentes de um único mercado», revela Dirk, em conversa tranquila no Podcast Marcas com Marca, para ouvir em marketeer.sapo.pt, Youtube e Spotif














