Se há marca portuguesa de temperos e condimentos que é conhecida, é Paladin, adquirida no início dos anos 2000 pela empresa familiar Casa Mendes Gonçalves, a partir da Golegã, e relançada alguns anos mais tarde, tornando-se na marca que conhecemos hoje. A empresa, essa já tinha sido fundada em 1982 por Carlos Mendes Gonçalves, que aos 15 anos desafiou o pai a criar uma fábrica apenas e só focada no fabrico de vinagres. A verdade é que após a compra de Paladin, a empresa sofre um realinhamento estratégico interno com muito foco na inovação, investigação e em sabores portugueses. Agora, e a partir daquela Casa, é ver a marca na mesa de quase todos os portugueses e a viajar lá fora, com o Grupo a faturar 60 milhões de euros e a vender para cerca de 40 mercados externos, entre Europa, África ou Médio Oriente.
M.ª João Vieira Pinto
«A Paladin é uma marca que vem para Portugal em 1976. Entretanto, tivemos a possibilidade e comprámos uma Paladin que não era o que é hoje e nem sequer era uma marca, era uma mostarda», recorda Carlos Mendes Gonçalves no podcast Marcas com Marca, da Marketeer, onde lembra ainda o facto de, uns anos depois, se ter transformado o nome e produto na marca que é hoje, «fruto de visão e muito trabalho».
De resto, na altura avançam com a primeira fábrica de molhos em Portugal, com a Paladin a ser «o porta-estandarte da inovação». Inovação que é tema ”caro” no Grupo, com Carlos Mendes Gonçalves a assumir o seu perfil de desafiador, ou não confirmasse, também, nunca ter querido «ser mais um». E isso, sublinha, só se consegue com inovação. «Estamos na Golegã, em Portugal, as marcas de molhos são das maiores multinacionais, pelo que tínhamos que encontrar um campo onde pudéssemos jogar e a inovação é claramente aquele onde apostámos desde o início!» Uma aposta que resultou numa equipa interna de Inovação&Desenvolvimento, hoje com 15 colaboradores, com Carlos Mendes Gonçalves a garantir que, ali, o que procura é «dar liberdade para se fazer, para se criar e se poder errar».
«Hoje, e cada vez, mais o mercado é inovação. A inovação move muito o mercado. Nós não esperamos que o consumidor diga que aquele produto já não faz sentido. Sempre que o percebemos somos os primeiros a retirá-lo do mercado», partilha, lembrando, por exemplo, o facto de terem sido vários os produtos lançados antes do tempo, como foi o caso de um vinagre de sidra há vários anos, ou maioneses com sabores.
«Não temos nenhum produto estrela, o que vende, realmente, é a inovação que colocamos no mercado, o facto de estarmos sempre a alimentar o mercado com produtos novos. É a única forma em que acreditamos que é possível estar no mercado», aliado à rapidez e celeridade nos processos, entre o desenvolvimento e colocação do produto nas prateleiras.
Com este perfil e posicionamento, o CEO da Casa Mendes Gonçalves confere não ter medo das grandes multinacionais, acreditando ser possível competir, a partir de Portugal, com as maiores empresas do Mundo.
A Paladin, essa é «uma marca orgulhosamente portuguesa», que tenta sempre aportuguesar os produtos, mas que quer ir ainda mais para fora.
«A ambição é de manter e poder continuar a cumprir a nossa obrigação junto das pessoas que estão connosco. Mas, cada vez mais, queremos estar fora, com a mensagem que venceu em Portugal e olhando para as dificuldades enquanto oportunidades. Olhamos para aquilo que somos capazes de fazer e onde somos capazes de ter sucesso, como é o caso de países desenvolvidos na Europa ou países emergentes onde há uma grande parte da população a chegar à classe média e queremos que a Paladin venha a ser relevante nesses países como o é em Portugal», declara Carlos Gonçalves.












