Plataformas de revenda transformam o luxo: que desafio se coloca às grandes marcas?

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Marketeer
03/11/2025
11:45
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Plataformas de revenda transformam o luxo: que desafio se coloca às grandes marcas?

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O mercado de artigos em segunda mão está a viver um momento de grande expansão, impulsionado pela revenda de produtos de luxo. Numa altura em que as grandes marcas sentem os efeitos de um consumo mais cauteloso e de uma conjuntura económica desafiante, o comércio online de artigos usados está a conquistar cada vez mais adeptos, sobretudo entre os consumidores mais jovens. Fatores como a inflação, uma nova perceção sobre o verdadeiro valor dos bens e o prazer de encontrar peças únicas a preços mais acessíveis estão a mudar os hábitos de compra.

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Há muito que se diz que “o que é velho volta a ser novo”. Essa expressão ganha hoje um novo significado, refletindo a tendência de dar uma segunda vida a objetos que, embora usados, continuam a ter valor e que, em muitos casos, são vistos como mais autênticos ou sustentáveis. Num contexto económico frágil, o consumo consciente e a procura de alternativas ao novo estão a tornar-se cada vez mais relevantes.

Para as marcas de luxo, no entanto, esta tendência representa um desafio. Plataformas de revenda estão a crescer rapidamente, oferecendo produtos de marcas como Louis Vuitton, Balenciaga ou Chloé, muitas vezes com serviços de autenticação que garantem a legitimidade dos artigos. O resultado é um aumento da confiança dos consumidores nestes canais, que se estão a tornar numa alternativa viável ao mercado tradicional.

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Comprar em segunda mão deixou de ser visto como um sinal de limitação financeira. Hoje, encontrar peças vintage ou usadas é encarado como um gesto de estilo, consciência e exclusividade. Este fenómeno tem também um lado social: cria comunidades de consumidores que partilham interesses e valores semelhantes.

Os números confirmam o dinamismo deste mercado. A RealReal, considerada a maior plataforma de revenda de artigos de luxo do mundo, aumentou as suas vendas em cerca de 10% nos últimos 18 meses, segundo o Wall Street Journal. Já as vendas no setor do luxo tradicional têm-se mantido estáveis, com previsões de crescimento modesto entre 2% e 4% nos próximos dois anos.

Além disso, o que antes era visto como uma forma de desfazer-se de bens indesejados, tornou-se agora uma fonte de rendimento. Muitos utilizadores vendem artigos que já não usam e utilizam o lucro para comprar outros produtos em segunda mão, em vez de adquirirem novos diretamente às marcas.

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O sucesso destas plataformas é tal que as próprias marcas de luxo estão a monitorizar o mercado de revenda. Graças aos algoritmos sofisticados é possível perceber quais os modelos mais procurados e quais mantêm melhor o seu valor ao longo do tempo. Este fenómeno levou marcas como Chloé, Louis Vuitton e Balenciaga a relançarem modelos clássicos de malas, inspiradas na procura observada nas plataformas de segunda mão.

Perante esta transformação, as marcas de luxo começam a repensar as suas estratégias. Segundo o guia de boas práticas da WARC, What We Know About Luxury Brands, há formas eficazes de reconquistar consumidores, especialmente os mais jovens. Uma das chaves está em criar comunidades de fãs genuinamente envolvidas, que sintam uma ligação emocional à marca e se tornem suas defensoras.

Entre as tendências apontadas estão as “Brand Schools”, espaços dedicados à partilha de conhecimento e inspiração sobre a marca; as “Brand Homes”, experiências presenciais que permitem aos consumidores mergulhar no universo da marca; e as “Brand Spin-offs”, extensões do seu universo criativo que exploram novos canais e públicos.

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