Pareciam condenados ao museu. Afinal, estão a voltar às mãos dos consumidores. Os telemóveis de teclas, que dominaram o mercado nos anos 2000 antes de serem progressivamente substituídos pelos smartphones, estão novamente a ganhar procura em Portugal.
A Worten diz ter registado nos últimos meses um aumento das vendas na categoria de Feature Phones, dedicada aos telemóveis clássicos com teclado físico, e prevê que a tendência se mantenha ao longo do ano, estimando um crescimento anual de pelo menos 2%. Para acompanhar esta procura, reforçou a oferta do segmento, que conta atualmente com 18 modelos e passou também a ter maior espaço em loja.
O movimento é particularmente curioso porque acontece num mercado dominado por equipamentos cada vez mais sofisticados. Mas é precisamente essa evolução que parece estar a abrir espaço para uma alternativa mais simples.
“Temos assistido a uma evolução consistente da procura por telemóveis de teclas, quer entre consumidores que pretendem reduzir o tempo de exposição a ecrãs, quer entre jovens em idade escolar – sobretudo após as restrições relativas ao uso de smartphones nas escolas, recentemente alargadas a mais alunos. É uma categoria que continua a crescer, com uma oferta cada vez mais adaptada às necessidades atuais, nomeadamente através da incorporação da conectividade 4G e de funcionalidades desenhadas para públicos específicos, com o segmento sénior a destacar-se. Acreditamos que existe potencial para que esta tendência se mantenha nos próximos anos, acompanhando diferentes perfis de consumidores e momentos de utilização”, explica Diogo Silva, diretor da Unidade de Negócio de Mobile da Worten, citado em comunicado.
Do público sénior aos consumidores que querem desligar
O segmento sénior continua a ser o principal público destes equipamentos, sobretudo pela simplicidade de utilização. Teclas maiores, autonomia elevada e uma experiência mais direta tornam estes equipamentos particularmente adequados para quem não procura aplicações, redes sociais ou funcionalidades avançadas.
Mas já não são apenas os consumidores mais velhos que estão a comprar telemóveis de teclas. A Worten identifica também procura por parte de consumidores que valorizam uma utilização mais simples e intuitiva, de pessoas que procuram um segundo equipamento para situações em que a autonomia é prioritária e de utilizadores que querem reduzir a dependência do smartphone no quotidiano.
A lógica é quase inversa à que dominou o mercado durante os últimos anos: em vez de procurar concentrar cada vez mais funcionalidades num único dispositivo, há quem esteja agora a procurar um equipamento que faça menos, precisamente porque faz menos.
Alguns modelos dispensam funcionalidades como câmara ou acesso à internet e apostam numa utilização prática, resistente e prolongada. A autonomia entre carregamentos e a conectividade 4G são, por isso, alguns dos argumentos que continuam a sustentar a categoria.
A tecnologia também pode passar por fazer menos
O regresso dos telemóveis de teclas acontece num contexto mais amplo de reflexão sobre a relação dos consumidores com a tecnologia. Depois de anos em que a indústria procurou acrescentar funcionalidades aos dispositivos, cresce o interesse por soluções que permitam limitar o tempo passado diante de um ecrã.
O próprio conceito de digital detox e a preocupação com o excesso de exposição às redes sociais ajudam a explicar por que razão um equipamento tecnologicamente mais limitado pode voltar a ser relevante.
O regresso dos telemóveis de teclas ganha ainda uma dimensão simbólica no ano em que a Worten celebra 30 anos. Para assinalar a data, a marca criou o Museu Worten, uma viagem pela evolução da tecnologia em Portugal que inclui precisamente alguns destes equipamentos.
A coincidência não passa despercebida à insígnia. “Curiosamente, no ano em que celebramos 30 anos de história e lançamos o Museu Worten, dedicado à evolução da tecnologia em Portugal, encontramos alguns destes equipamentos em exposição, enquanto continuamos a vê-los ganhar relevância junto dos consumidores”, nota Diogo Silva












