Paixão pela terra

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Portugal sempre teve uma forte tradição vitivinícola de norte a sul do País e Campo Maior não é excepção. No entanto, no período que antecedeu o 25 de Abril, a cultura vitivinícola sofreu um declínio acentuado. O comendador Rui Nabeiro, empreendedor e confesso apaixonado pelo mundo do vinho e por Campo Maior, investiu neste sector de forma a inverter essa tendência.

Neste contexto, os primeiros passos para a construção de um projecto vinícola tiveram início com a plantação das primeiras vinhas em 1997, na Herdade da Godinha. Dez anos mais tarde, em 2007, o sector vinícola assistia a um grande crescimento, tendo emergido diversos projectos de valor. O projecto vitivinícola do Grupo Nabeiro foi um deles.

Foi nesse ano que foi inaugurada a Adega Mayor, um projecto singular desenhado pela mão do arquitecto Siza Vieira. Foi a primeira adega de autor do País, o que reforçou o carácter pioneiro do Grupo Nabeiro, ao mesmo tempo que levava mais riqueza industrial e patrimonial para a região.

Desde então, a evolução do negócio de vinhos do Grupo Nabeiro tem sido bastante positiva, assegura Rita Nabeiro, directora- -geral da Adega Mayor. «Desde cedo que temos conseguido conquistar o nosso espaço no mercado português, fidelizando cada vez mais consumidores, obtendo o reconhecimento da qualidade do nosso produto e, por fim, afirmando cada vez mais a marca Adega Mayor.» A produção cresceu mais de 50% nos últimos cinco anos e as vendas acompanharam a tendência de forma consolidada, tendo havido uma aposta na qualidade, consistência e identidade do produto. Em 2017 foram vendidas mais de um milhão de garrafas, estimando para este ano um crescimento de aproximadamente 15%. O volume de negócios previsto para 2018 cifra-se acima dos 4,5 milhões de euros, sendo o peso das vendas online ainda residual – «mas que também tem vindo a crescer ano após ano e que permite que os nossos produtos cheguem a diferentes pontos do País e do mundo», sublinha Rita Nabeiro.

A provar que as apostas do Grupo Nabeiro têm sido as certas estão os mais de 300 prémios conquistados em concursos internacionais e nacionais desde o início da produção.

«A par dos vinhos procurámos diversificar o negócio, tendo no nosso portefólio um conjunto alargado de vinhos tranquilos, os espumantes, os licorosos e o azeite e vinagre na gama da selecção Mayor», enumera.

A actual área vitivinícola da Adega Mayor está concentrada na região de Campo Maior, numa herdade com uma área total de 350 hectares. «Estando situados no Alto Alentejo, os nossos vinhos reflectem características marcadamente alentejanas, como um carácter intenso e envolvente», diz Rita Nabeiro. Por outro lado, a proximidade das vinhas à Serra de São Mamede, os solos graníticos e o clima temperado conferem um perfil mais elegante, fresco e singular.

No que respeita às castas, as que mais utilizam correspondem ao encepamento tradicional português e do Alentejo em particular, nomeadamente nas tintas o Aragonês, a Touriga Nacional, a Trincadeira, o Alicante Bouschet e o Castelão. Já nas brancas, têm o Antão Vaz, o Arinto, o Verdelho, entre outras.

Artes tradicionais

A Adega Mayor produz vinhos alentejanos, inovadores, simples na relação, mas sofisticados na execução. «O que nos distingue é uma paixão pela nossa terra e uma visão contemporânea e cosmopolita desta arte tão tradicional. É desta visão que surge a associação à arte, que desafia os sentidos. Se, por um lado, apostamos numa ligação ao universo artístico e cultural, do ponto de vista comercial procuramos proximidade numa relação directa e próxima com os nossos clientes», sublinha Rita Nabeiro.

Um ponto em que o Grupo Nabeiro acredita é o papel social e a responsabilidade das marcas. A neta do fundador sublinha que as empresas têm que ser economicamente sustentáveis, mas não se podem demitir do seu papel na sociedade enquanto agentes de transformação. Começando pelas suas pessoas, na forma como interioriza a sua missão, e na forma como interage com os diferentes stakeholders, sejam estes clientes, fornecedores, investidores e, por fim, com o planeta.

O Grupo Nabeiro tem vindo a fazer investimentos em praticamente todas as áreas funcionais da Adega Mayor: investiram no aumento da capacidade, na melhoria contínua da qualidade, na melhoria de processos, na construção da marca, no desenvolvimento de canais de venda, entre outros. «No futuro, pela importância que têm para nós, destacaria, sem dúvida, além do aumento da capacidade produtiva, o contínuo investimento na qualidade e na sustentabilidade. Esta última é uma necessidade crítica e transformadora de todas as actividades e tem um impacto, quer na natureza, quer na nossa comunidade.»

Marca-mãe Adega Mayor

Com o rebranding apresentado em 2017, a marca adoptou uma estrutura monolítica em que todos os produtos assumem a marca-mãe Adega Mayor. Todas as gamas vivem sob esta marca: o Caiado (exclusiva do canal Horeca), o Adega Mayor Reserva e Seleção (Reservas jovens com introdução de alguma complexidade), os Monocastas Adega Mayor, o Reserva do Comendador (vinho Reserva com estágio duradouro e complexidade elevada), e o Grande Reserva Pai Chão (vinho Grande Reserva produzido em anos excepcionais). Cada gama é dedicada a uma arte: a Caiado à Pintura, a Reserva e Seleção à Fotografi a, as Monocastas à Música, e a Reserva do Comendador e Grande Reserva Pai Chão à Literatura.

Apesar de terem volumes mais baixos, as gamas altas – o Reserva do Comendador e o Pai Chão – têm grande popularidade junto de um consumidor com maior poder de compra. Já a gama Caiado e a Adega Mayor Reserva e Seleção, quer pelo perfi l, quer pelo volume de produção, estão mais acessíveis e como tal gozam de um maior reconhecimento por parte dos consumidores.

Todos os anos, a Adega Mayor apresenta novas colheitas pensadas para os diferentes consumidores e para todos os que procuram uma experiência diferenciadora.

Este ano foram também lançados dois vinhos monocasta em que a marca procurou diferenciar-se ao apostar em duas castas portuguesas – o Encruzado e o Sercial, oriundos, respectivamente, do Dão e da Madeira. Apesar da aposta ousada, Rita Nabeiro garante que a receptividade foi bastante positiva.

«O consumidor e os canais de venda estão cada vez mais atentos e curiosos com as propostas apresentadas pelos produtores. No passado já tínhamos apresentado os monocastas Pinot Noir e Pinot Gris e no próximo ano iremos apresentar novidades», revela.

No final deste ano apresentam ainda a gama Esquissos. «São experiências em forma de vinho, onde o resultado da nossa experimentação fará parte de uma oferta regular. Neste primeiro ensaio iremos apresentar uma trilogia de branco tinto e rosé, elaborados a partir da mesma casta tinta, o Aragonês.»

Entre os interessados nas novas propostas da Adega Mayor estão os mercados internacionais que representam actualmente 30% do volume de negócios. A Adega Mayor está presente em países como a França, Alemanha, Luxemburgo, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Suíça, Brasil, Estados Unidos, Inglaterra e China, sendo os principais mercados Angola, França, Luxemburgo, Suíça e Alemanha.

«É essencial para qualquer marca portuguesa ter bem presente a ambição de conquistar novos mercados. Para qualquer produtor é importante alargar o leque de consumidores e levar os seus vinhos para outros mercados, mesmo aqueles com alguma tradição vitivinícola. Os vinhos têm o papel de embaixadores ao levar Portugal além-fronteiras.»

No entanto, a empresa vê como prioritário o reforço da marca em mercados onde já está presente, dando-lhe consistência, acrescentando valor à nossa marca e contribuindo cada vez mais para o reconhecimento da qualidade dos vinhos portugueses.

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