“Os nossos clientes valorizam curadoria, exclusividade e atendimento personalizado”, Inês Madureira e Vânia Moraes (Big Closet)

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Sandra M. Pinto
26/05/2026
11:01
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Sandra M. Pinto
26/05/2026
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A sustentabilidade, a exclusividade e o luxo encontram-se no coração da Big Closet, a marca portuguesa que tem vindo a redefinir o conceito de segunda mão premium. Fundada por Inês Madureira e Vânia Moraes, a empresa combina curadoria rigorosa, autenticidade e uma experiência de compra diferenciada, tanto online como nas suas lojas físicas.

Por Sandra M. Pinto

Com a abertura da nova loja na Rua Castilho, em Lisboa, a Big Closet dá mais um passo na sua expansão, aproximando-se de um público urbano, exigente e atento ao valor das peças de luxo em segunda mão. Esta entrevista explora os motivos desta escolha estratégica, o conceito inovador do “grande armário”, o modelo de consignação, e a forma como a marca alia sustentabilidade, estilo e acessibilidade, ao mesmo tempo que transforma a perceção do público sobre o luxo sustentável. Inês e Vânia explicam ainda como equilibram o digital e o físico, narrativas criativas e experiências diferenciadoras, enquanto consolidam a Big Closet como referência nacional neste segmento em crescimento.

O que motivou a decisão de abrir uma nova loja em Lisboa, especificamente na Rua Castilho?
Lisboa era um passo natural no crescimento da Big Closet. Desde a abertura da nossa loja no Freeport Lisboa Fashion Outlet, muitos clientes nos questionavam sobre quando abriríamos uma loja em Lisboa, precisamente por sentirem que não existia na cidade uma oferta física semelhante à nossa no segmento de luxo e premium em segunda mão. A Rua Castilho destacou-se pela sua localização premium, pela proximidade à Avenida da Liberdade e por estar inserida numa zona com forte ligação à moda, ao turismo e ao universo do luxo.
A decisão surgiu, assim, da combinação entre a procura real dos clientes, a oportunidade de mercado e a vontade de aproximar a Big Closet de um público que valoriza curadoria, exclusividade e atendimento personalizado.

De que forma a nova loja complementa a presença já existente nos outlets do Freeport e Vila do Conde?
As lojas em outlet permitiram-nos consolidar a marca e compreender profundamente o comportamento do consumidor português.
A loja da Rua Castilho complementa esta presença ao oferecer um ambiente mais exclusivo, no centro de Lisboa, e aproxima-nos de um público diferente, incluindo residentes, turistas e clientes habituados a zonas premium. No conjunto, as três lojas aumentam a visibilidade da marca e permitem-nos testar os artigos em diferentes mercados.

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Qual é o conceito por trás do “grande armário” e de que forma ele reflete a identidade da Big Closet?
O conceito da Big Closet nasceu da ideia de criar um grande armário partilhado, onde é possível comprar e vender artigos de marcas premium e de luxo de forma simples, segura e acessível. Queríamos que a Big Closet fosse um espaço onde fosse possível encontrar artigos especiais, autênticos e cuidadosamente selecionados, mas também onde cada peça pudesse continuar a sua história nas mãos de outra pessoa.
Este conceito reflete muito a nossa identidade: criar um ponto de encontro entre quem procura artigos de luxo com curadoria, autenticidade e valor, e quem pretende dar uma nova vida a peças que já não utiliza. Mantemos o desejo, a exclusividade e a qualidade associados ao luxo, acrescentando uma forma de consumo mais consciente e circular. Mais do que uma loja, a Big Closet é precisamente isso: um grande armário em constante renovação, onde cada entrada pode trazer uma descoberta inesperada.

Como é que o modelo de consignação influencia a relação da marca com os clientes e o ciclo de vida das peças?
A consignação está na essência da Big Closet e continuará a estar. O nosso modelo não passa pela compra direta de artigos: cada peça pertence a uma pessoa que decidiu dar-lhe uma nova oportunidade, através de um processo acompanhado pela nossa equipa.
Esta é uma das características que torna a Big Closet tão especial. Cada artigo tem uma origem real, uma história e um proprietário que confia em nós para o representar no mercado da melhor forma possível. Ao mesmo tempo, este modelo permite que os clientes valorizem artigos que já não utilizam, prolongando o ciclo de vida de peças de elevada qualidade e colocando-as novamente em circulação de forma cuidada, segura e consciente.

De que forma a Big Closet equilibra sustentabilidade, estilo e acessibilidade?
A Big Closet equilibra estes três pilares através de uma curadoria muito criteriosa, onde o estado de conservação dos artigos tem um papel essencial. Selecionamos peças de marcas premium e de luxo que mantêm qualidade, atualidade e desejo, garantindo que continuam a fazer sentido no mercado e no guarda-roupa de quem as compra. A sustentabilidade surge de forma natural neste modelo: ao prolongarmos o ciclo de vida de artigos em bom estado, evitamos que peças de elevada qualidade fiquem paradas ou sejam descartadas prematuramente.
Ao mesmo tempo, tornamos possível o acesso a marcas e modelos desejados por valores mais competitivos face ao preço original, sem retirar ao luxo aquilo que o torna especial: qualidade, exclusividade, design e experiência.

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Qual é a importância de ter espaços físicos além da plataforma online?
No mercado de segunda mão, os espaços físicos continuam a ter uma importância enorme, sobretudo no segmento do luxo.
Apesar de a plataforma online ser essencial para dar visibilidade aos artigos e chegar a clientes em todo o país, muitos consumidores valorizam a possibilidade de ver o artigo ao vivo antes de comprar. Avaliar a condição real da peça, observar os detalhes, perceber os materiais, experimentar e comparar proporções são fatores muitas vezes decisivos.
Quando falamos de artigos de luxo em segunda mão, a confiança é fundamental. As lojas físicas permitem criar essa proximidade, oferecer aconselhamento personalizado e tornar a experiência de compra mais segura e completa. Por isso, vemos o online e as lojas físicas como canais complementares: o digital amplia o alcance da Big Closet, enquanto as lojas reforçam a confiança, a experiência e a relação com o cliente.

De que forma a Big Closet pretende transformar a perceção do público sobre o luxo sustentável?
Queremos que o luxo em segunda mão seja visto pelo seu verdadeiro valor: artigos com qualidade, história, exclusividade e desejo, cuidadosamente selecionados e prontos para continuar o seu percurso. Na Big Closet, cada artigo é escolhido com atenção ao estado de conservação, à autenticidade, à marca, ao modelo e ao seu potencial no mercado. Esse trabalho de curadoria é essencial para que a experiência de compra seja cuidada, segura e alinhada com o universo do luxo. O nosso objetivo é mostrar que comprar em segunda mão não significa abdicar de estilo, qualidade ou exclusividade. Pelo contrário, pode ser uma forma muito interessante de aceder a artigos especiais, muitas vezes raros ou descontinuados, fazendo ao mesmo tempo uma escolha mais consciente e circular.

Como estão a explorar narrativas criativas e experiências diferenciadoras?
Através da curadoria, do storytelling associado a cada peça, da forte presença nas redes sociais e da experiência em loja. Procuramos criar um ambiente onde cada visita seja uma descoberta.

Que desafios enfrentaram ao comunicar esta proposta em Portugal?
Quando iniciámos a Big Closet, o mercado português ainda não tinha a mesma abertura para a segunda mão que já existia noutros países, como França, Reino Unido ou Estados Unidos, onde este conceito está presente há muito mais tempo.
O maior desafio foi mostrar que o luxo em segunda mão não é uma escolha menor, mas sim uma forma diferente e muito inteligente de consumir moda. Falamos de artigos autênticos, criteriosamente selecionados, em excelente estado de conservação e com valor no mercado.
A nossa presença em centros comerciais com elevada afluência diária teve também um papel muito importante neste percurso. Permitiu-nos expor o conceito a um público muito diverso, muitas vezes sem contacto anterior com este mercado, e demonstrar, através da experiência em loja, que comprar artigos de luxo em segunda mão pode ser uma decisão segura, interessante e alinhada com uma forma de consumo mais consciente.
Com o tempo, sentimos uma evolução muito positiva. Os consumidores estão hoje mais informados, mais atentos à sustentabilidade e mais disponíveis para comprar artigos de luxo em segunda mão, não apenas pelo preço, mas também pela exclusividade, pela qualidade e pela possibilidade de encontrarem modelos que já não estão disponíveis em loja.

Quais são os próximos passos da Big Closet?
Queremos continuar a consolidar a nossa posição como referência nacional no mercado de luxo em segunda mão. Os próximos passos passam por reforçar a notoriedade da marca, expandir a presença física, melhorar continuamente a experiência digital e continuar a elevar os padrões de curadoria. O nosso objetivo é que a Big Closet seja a primeira marca em que os consumidores portugueses pensam quando querem comprar ou vender artigos de luxo em segunda mão.

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