Opinião de Filipa Appleton (Continente): Para o marketing, o Natal devia (mesmo) ser todos os dias

Opinião CENotícias
Filipa Appleton, Head of Brand & Marketing do Continente
30/10/2025
10:00
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Opinião de Filipa Appleton (Continente): Para o marketing, o Natal devia (mesmo) ser todos os dias

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Por Filipa Appleton, Head of Brand & Marketing do Continente

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Todos os anos, aguardamos com expectativa as campanhas de Natal dos principais anunciantes, não apenas pelo que vão mostrar, mas sobretudo pelo que vão dizer. Estas campanhas tornaram-se momentos emblemáticos da comunicação de marca e, muitas vezes, em acções de responsabilidade social, capazes de gerar emoção, reflexão e diálogo. São campanhas que transcendem o universo publicitário e entram no imaginário colectivo, marcando o tom da época e, muitas vezes, abordando alguns temas muito relevantes que impactam ou fracturam a sociedade.

O Natal é, por excelência, a altura do ano em que as marcas se aproximam dos clientes que já têm ou querem ganhar, levando-lhes mensagens mais humanas e inspiradoras, em que valores como a generosidade, a união e a inclusão são protagonistas. Num momento em que os consumidores estão particularmente mais receptivos, numa época mais propícia à empatia e à introspecção, a comunicação, por parte das marcas, deixa de ser apenas uma ferramenta comercial para se tornar numa verdadeira ponte para o diálogo.

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Mas o que acontece quando as luzes de Natal se apagam e o calendário avança? Muitas dessas mensagens desvanecem e a narrativa emocional dá lugar à urgência promocional.

A força de uma marca, no entanto, não se mede apenas pela criatividade das suas campanhas sazonais, mas pela capacidade de manter uma linha coerente ao longo do tempo. A consistência não é um detalhe, é um activo estratégico. Quando os valores são comunicados de forma recorrente, transversal e autêntica, tornam-se parte da identidade da marca e não apenas de uma narrativa temporária, que se dilui na sazonalidade.

Num mercado cada vez mais exigente, mais atento à autenticidade, os consumidores e stakeholders, hoje mais do que nunca, esperam muito além de gestos pontuais. Procuram marcas que assumam posições claras, que sejam fiéis aos seus princípios e que os traduzam em acções concretas, seja na forma como tratam os colaboradores, nos produtos que desenvolvem ou nas causas que apoiam. A coerência constrói confiança. E a confiança constrói reputação.

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O Natal pode (e deve) ser um momento de reforço emocional, mas só faz sentido se estiver alinhado com uma história que já está a ser contada, todos os dias, em todas as plataformas, por todas as equipas. Os valores das marcas não podem ter calendário, sob pena de também serem avaliados, pelos consumidores, conforme a estação.

Artigo publicado na revista Marketeer n.º 351 de Outubro de 2025




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