E se o graffiti pudesse ser cantado? É a partir desta pergunta que nasce “Ópera Graffiti”, a nova criação da AREPO – Ópera e Artes Contemporâneas, que estreia nos dias 26 e 27 de setembro, no Centro de Artes e Criatividade de Torres Vedras.
A produção propõe uma viagem pouco convencional pelo universo operático, cruzando música erudita, hip-hop, graffiti e arte contemporânea. No centro da criação estão frases de graffiti recolhidas em diferentes pontos do país, que passam agora do espaço público para o palco e dão origem a uma narrativa sobre a cidade e as pessoas que nela vivem.
A estreia acontece a 26 de setembro, às 20h30, e a 27 de setembro, às 17h00, no CAC de Torres Vedras.
Antes de chegar ao palco, “Ópera Graffiti” já começou a ganhar voz através da rádio. As 12 mini-óperas que estão na origem do espetáculo estão atualmente a ser transmitidas pela Antena 2, às terças-feiras, pelas 15h00.
Cada uma destas pequenas peças parte de frases encontradas em paredes e outros espaços urbanos, explorando as personagens, histórias e contextos sociais associados a essas inscrições.
No espetáculo, os diferentes episódios deixam de funcionar de forma isolada e encontram-se numa narrativa contínua com cerca de uma hora de duração.
A proposta pretende, desta forma, aproximar a ópera de públicos que habitualmente não contactam com este género artístico, utilizando uma linguagem familiar à cultura urbana para falar sobre a sociedade contemporânea.
A criação reúne diferentes áreas artísticas e coloca em palco Nuno de Araújo Pereira, Inês Simões e Ricardo Rebelo da Silva, que interpretam personagens inspiradas em diferentes figuras da cidade, entre graffiteiros, autoridades e cidadãos.
A eles juntam-se três instrumentistas: Angélica Fonseca, no violino, Sandra Pinto, no fagote, e Romeu Santos, no contrabaixo. A componente performativa é reforçada pela presença da bailarina Beatriz Pereira.
A equipa artística inclui ainda Luís Soldado, responsável pela música, Rui Zink, autor do libreto, Linda Valadas, na encenação, e Rui Pinheiro, na direção musical. O design de som é assinado por Pedro Pascoal.
O resultado procura construir uma linguagem cénica onde diferentes universos convivem, sem deixar de ter a ópera como elemento central.
A estreia no Centro de Artes e Criatividade marca apenas o início do percurso de “Ópera Graffiti”. A criação da AREPO seguirá depois para uma digressão nacional.
O espetáculo passa pelo Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, a 30 de outubro, pelo Teatro Municipal Beatriz Costa, em Mafra, a 15 de novembro, e chega a Vila Nova de Santo André a 27 de novembro.
Sediada no Centro de Artes e Criatividade de Torres Vedras, a AREPO dedica-se à criação, produção e internacionalização de ópera contemporânea, procurando aproximar esta forma artística de novos públicos através de cruzamentos com outras disciplinas.
Com “Ópera Graffiti”, a companhia leva essa missão ainda mais longe: transforma frases que nasceram nos muros das cidades em música, personagens e histórias para o palco.












