Onde ficam as pessoas e o marketing quando vendemos a nossa casa online?

Por Sina Afra, CEO TIKO

Na era do digital tudo acontece a uma velocidade estonteante. No entanto, há sectores onde a turbulência só agora começa a sentir-se. Falo do sector imobiliário, que até há pouco tempo se estruturava tal qual como na década passada. Hoje, esta realidade está a sofrer alterações e há como que um movimento crescente que está a obrigar o sector a modernizar-se e a completar ou recupere o atraso na sua digitalização.

A acelerar este processo de modernização há dois factores. Por um lado, as proptech, que resultam da união entre o sector imobiliário e a tecnologia, e, por outro, o confinamento gerado pela pandemia Covid-19, que levou a que a digitalização do imóvel não fosse uma novidade, mas antes uma necessidade. Se a esta necessidade juntarmos o interesse dos investidores e o muito talento tecnológico existente, encontramos o terreno fértil ou a combinação perfeita que tem permitido assistir a uma grande evolução no sector imobiliário e que, acredito, irá continuar a acentuar-se.

Na base deste sucesso estão factores tão básicos como a rapidez com que se efectua um dos negócios que mais de metade dos portugueses considera como um dos mais stressantes das suas vidas, só comparado ao processo de divórcio: a venda da casa; e está o facto de as proptech apresentarem uma oferta no prazo de 24 horas sem, por exemplo, os inconvenientes das visitas ao imóvel e sem stress.

Para as proptech o processo é muito simples e todo ele efectuado online. Começa com o vendedor a partilhar informação básica sobre o imóvel. Com base nessa informação o comprador (proptech) apresenta uma oferta de compra gratuita no prazo de 24 horas. Caso o vendedor aceite a proposta, é efectuada uma vistoria técnica do imóvel e a transferência da propriedade acontece em 7 dias.

Com os procedimentos simplificados ao máximo e com a inteligência artificial ao serviço de todo o processo, a pergunta “onde ficam os profissionais do imobiliário e onde fica o marketing” impõe-se.

O sector imobiliário irá necessitar sempre de profissionais. A burocracia irá sempre existir e aqui o humano será a chave para ajudar na sua resolução, quer no momento da compra, da venda ou de todo o processo entre uma situação e outra. E isto não é só ao nível das proptech. Ainda que desde Abril passado seja possível (DL 126/2021) a conservadores e oficiais de registos, notários, advogados e solicitadores realizarem diversos actos notariais, incluindo escriturar casas online, sem que os envolvidos tenham de estar fisicamente presentes, a verdade é que os processos necessitam sempre do humano, incluindo o profissional do imobiliário.

No caso da venda de casa a uma proptech o proprietário tem de preencher um pequeno formulário num site, aceitar a oferta e agendar com um perito imobiliário a inspecção técnica da casa, para que se possa efectuar de forma formal a transferência da propriedade; no processo de compra os proprietários necessitam de conhecer o imóvel onde irão investir, passar grande parte da sua vida ou momentos de lazer. E, aqui, cabe ao profissional do sector imobiliário estar ao lado de quem está a investir na compra de casa, até para ajudar em todo o processo burocrático, inclua ou não pedido de concessão de crédito. Nesta fase o profissional do imobiliário poderá fazer a diferença e permitir ao futuro proprietário utilizar o tempo noutra actividade.

Quanto ao marketing, o seu peso estará sempre presente, pois o sector necessita escoar as compras para que possa continuar a existir. E nesta equação o marketing, com as suas técnicas pode fazer a diferença. Por exemplo, através de home staging é possível transformar o imóvel e adicionar valor através de uma decoração rápida, funcional e acessível. Dados da Associação Espanhola de Home Staging deixam perceber que graças a esta técnica, que é executada a 100% por profissionais, a venda do imóvel é oito vezes mais rápida (aproximadamente menos 38 dias tendo em consideração a média espanhola).

Em suma, o profissional do imobiliário fará sempre a diferença e terá sempre lugar para que os negócios possam chegar a bom porto e, porque não, o imóvel se apresente no seu melhor.

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