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“Objetivos Subjetivos” no Marketing: a busca pelo impacto real

OpiniãoNotícias
Marketeer
15/09/2025
20:02
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Opinião de Cláudia Ribau, professora no ISCA-Universidade de Aveiro, na área do marketing e diretora do Mestrado em Marketing e Comunicação Digital

Em marketing, os objetivos mensuráveis são ferramentas indispensáveis. Fornecem direção, permitem avaliar o progresso e, acima de tudo, justificam os investimentos. Contudo, é pertinente questionar: será que apenas os objetivos mensuráveis devem orientar as estratégias de marketing?

Atravessamos uma época em que os números dominam as decisões. As taxas de conversão, o retorno sobre o investimento (ROI) e o crescimento do market share tornaram-se as métricas favoritas. Apesar de sua relevância, existe um universo paralelo de objetivos – subjetivos e imensuráveis – que pode ser ainda mais determinante para a sobrevivência e relevância das marcas.

Pensemos, por exemplo, na ligação emocional que uma marca estabelece com os seus consumidores. Esta conexão, que emerge muitas vezes através de histórias autênticas, valores partilhados e experiências positivas, é um dos pilares mais fortes da fidelização. No entanto, como medir o impacto de um consumidor que defende e recomenda espontaneamente uma marca? Ou o valor intangível de uma memória emocional associada a um produto ou serviço?

Ignorar esses ‘objetivos subjetivos’ pode custar caro. Uma marca pode apresentar números robustos de vendas a curto prazo, mas se não cultivar valores e conexões que toquem os consumidores, corre o risco de perder relevância e ser rapidamente substituída por concorrentes que têm bem consciência deste equilíbrio. Afinal, o marketing não pode ser apenas um jogo de métricas. É, acima de tudo, uma construção de relações humanas. De pessoas para pessoas (P2P).

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Não se trata de abandonar os objetivos mensuráveis. Pelo contrário, o verdadeiro desafio é integrar os dois universos. Marcas que conseguem alinhar os seus KPIs financeiros com os seus valores subjetivos criam um fluxo favorável: não apenas vendem mais, mas também criam embaixadores/seguidores/advogados fiéis da marca. Um exemplo claro é o de marcas que promovem a sustentabilidade. Os consumidores podem escolher esses produtos pelos preços competitivos ou benefícios tangíveis, mas permanecem fiéis devido ao alinhamento com os seus valores mais humanos/emocionais.

No contexto do capitalismo atual, onde as dinâmicas de mercado são aceleradas, os profissionais de marketing enfrentam uma pressão constante por resultados rápidos e tangíveis. Muitos sentem-se ‘consumidos’ por este ciclo contínuo, onde apenas os números parecem importar. No entanto, é crucial lembrar que o verdadeiro impacto do marketing vai para além das vendas imediatas. Reside na capacidade de criar valor, significado e relevância para os consumidores.

Por isso, o apelo é claro: deem aos ‘objetivos subjetivos’ o espaço que merecem nas estratégias de marketing. Combinar o poder dos dados com a força das emoções é o caminho mais adequado para as marcas que não querem apenas sobreviver, mas que pretendem prosperar, mantendo-se relevantes neste mercado atual.

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