O verdadeiro significado do Natal

Opinião
Rita Oliveira, fundadora e CEO da Shift
23/12/2024
20:16
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Rita Oliveira, fundadora e CEO da Shift
23/12/2024
20:16
O verdadeiro significado do Natal

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Texto de Rita Oliveira, fundadora e CEO da Shift

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A transformação do Natal numa celebração consumista, como é hoje, começou no século XIX. Especialmente em Inglaterra e nos Estados Unidos, o Natal começou a tornar-se uma celebração mais focada na família e menos na religião. Charles Dickens, entre outros escritores, enfatizou em “A Christmas Carol” temas de generosidade, família e caridade. Foi nessa época que os comerciantes perceberam o potencial económico da data e surgiram com a ideia dos presentes sazonais.

Com a ascenção de uma nova era da publicidade no início do século XX, as empresas começaram a trabalhar produtos expecíficos só para o Natal. O trabalho de marketing em torno do Natal como o conhecemos hoje surgiu em 1930 com o icónico Pai Natal da Coca-Cola. Na verdade, a Coca-cola recorre ao Pai Natal para a publicidade desde 1920 embora o que foi eternizado até aos dias de hoje tenha sido criado em 1930, quando se dá a grande viragem para o Natal do consumismo. No Pós 2ª Guerra Mundial, com aumento do poder de compra dos europeus e a massificação da televisão, o apelo a um Natal consumista intensificou-se ainda mais nos países ocidentais.

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No final do século XX, a globalização trouxe novos contornos à realidade pós-moderna e o Natal, através de um espírito consumista, passou a ser celebrado nos países não cristãos. Na Coreia do Sul, por exemplo, todas as famílias celebram o Natal mesmo sem serem cristãs. Por outro lado, na China a atmosfera do Natal é sentida nas exuberantes decorações em grandes shoppings. Já na Turquia, um país maioritariamente muçulmano, respira-se o Natal em zonas turísticas, com efeites e pinheiros de Natal. Muitos turcos acham que é uma forma de comemorar o Ano Novo e não associam toda a decoração ao significado do Natal ocidental. Nos Emirados Árabes Unidos, na Tailândia e em tantos outros países onde a presença dos expatriados é grande, o Natal também foi adotado pelo comércio como uma época festiva.

Chegados aqui, é pertinente perguntar se hoje continua a haver Natal, ou se ao longo do tempo foram criadas novas formas de o celebrar sem haver qualquer associação à tradição religiosa? Quantas crianças, nos dias de hoje, terão a consciência que o Natal é a celebração do nascimento do Menino Jesus?

O setor corporativo em Portugal, assim como nos países ocidentais cristãos, teve de se adaptar à existência de vários natais. As empresas começaram a ter colaboradores, clientes e parceiros de várias origens que festejam o Natal, porque o comércio e a economia viram nesta festividade uma grande oportunidade para os negócios e o marketing e a publicidade criaram “o pacote Natal” como um sonho que serve várias geografias e culturas, mas longe das raízes católicas originais.

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Curioso olhar para esta evolução através das mensagens que as empresas escrevem nos seus chamados cartões de Natal. Há cerca de 50 anos, na maioria dos cartões de Natal – senão mesmo em todos eles – podia ler-se “Um Santo Natal e um Feliz Ano Novo”. Hoje, os cartões passaram a ter uma simples mensagem de “Festas Felizes” ou “Boas-Festas”. A adaptação à globalização tem sempre esta tendência de retirar a identidade à cultura.

A minha geração é aquela que passou do Pirolito para a Coca-Cola, do analógico para o digital, da expressão “vou ao estrageiro” para “vou à cidade X”, do orgulho de ir à Missa do Galo, para a correria em shoppings por presentes de última hora. Acredito que muitas pessoas desta geração, apesar de estarem habituadas à mudança – e de saberem aproveitar o bom que ela tem –, quando chegam a esta época, já não sabem, em consciência, qual é realmente o Natal que celebram todos os anos.

A ideia de Natal continuará a evoluir para ir ao encontro das necessidades, valores e expectativas das sociedades contemporâneas. Acredito que estamos a entrar numa nova mudança de paradigma com a valorização da sustentabilidade ambiental.

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O consumismo ainda domina completamente, mas nos últimos anos a ideia de que “menos é mais” começou a ganhar força, e as pessoas tornaram-se mais sensíveis para a necessidade da conservar os recursos naturais através da diminuição do consumo. Com isto, aos poucos, acredito, vamos voltar a pensar sobre o significado de muita coisa e o retorno ao significado original do Natal, seja religioso ou o Natal de Charles Dickens vai acontecer.

Até lá, sempre que quisermos falar do verdadeiro significado do Natal, teremos de juntar à famosa frase “O Natal é quando o Homem quiser” a frase “O Natal é o que qualquer Homem quiser”.

 




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