O que viram os portugueses na televisão em julho? Há um vencedor inesperado e um “grande perdedor”

NegóciosFacebook
Rafael Ascensão
06/08/2026
17:19
NegóciosFacebookLinkedin
Rafael Ascensão
06/08/2026
17:19
O que viram os portugueses na televisão em julho? Há um vencedor inesperado e um “grande perdedor”

Partilhar

O Mundial de Futebol alterou a dinâmica das audiências televisivas em julho, impulsionando a RTP1 para a segunda posição no horário nobre. Ainda assim, a SIC manteve-se como o canal mais visto, liderando quer o total do dia quer o prime time. Já a TVI foi a estação que mais perdeu espectadores.

Escolha a Marketeer como fonte preferida no Google Escolher ›

Segundo a análise da WPP Media para a Marketeer, a SIC terminou julho na liderança do total do dia, com uma quota de audiência de 14,7%, à frente da TVI (12,7%) e da RTP1 (12%). Em horário nobre, a estação de Paço de Arcos reforçou igualmente a liderança, atingindo 16,6% de share, enquanto a RTP1 subiu ao segundo lugar, com 14%, ultrapassando a TVI, que se ficou pelos 13,5%.

A subida da RTP1 está diretamente ligada à transmissão de alguns dos jogos mais decisivos do Mundial de Futebol 2026, incluindo a final da competição. O impacto fez-se sentir sobretudo na faixa de acesso ao horário nobre, onde o canal público alcançou um share de 18,3% entre as 19h30 e as 20h30, o valor mais elevado registado por um canal generalista num único período horário durante o mês.

Continue a ler após a publicidade

Quem saiu mais penalizada foi a TVI. A estação perdeu cerca de 39 mil espectadores de audiência média no total do dia e 57 mil em horário nobre face a junho, descendo para a terceira posição no prime time. Neste período, registou uma audiência média de 564 mil espectadores, bastante abaixo dos 693 mil da SIC e dos 587 mil da RTP1.

Apesar das alterações provocadas pelo Mundial, os hábitos de consumo mantiveram algumas tendências. Nos canais generalistas continuam a verificar-se dois grandes momentos de concentração de audiência: a hora de almoço, entre as 12h30 e as 14h30, e a entrada no horário nobre, entre as 19h30 e as 21h30. Em julho, este segundo pico foi amplificado pelo Mundial.

No universo da televisão por cabo, a liderança permanece incontestada, tendo a CMTV voltado a ser o canal mais visto, tanto no total do dia como em horário nobre, com uma audiência média de 137 mil espectadores durante o dia e de 178 mil no prime time. Além da liderança, destaca-se por ser o único canal de cabo com uma presença consistente ao longo de toda a grelha, atingindo os seus melhores resultados durante a manhã, até cerca das 10h30.

Continue a ler após a publicidade

Se durante o dia os canais de informação dominam claramente o consumo no cabo, à noite o entretenimento ganha protagonismo. A SIC Mulher surge como o segundo canal de cabo mais visto em horário nobre, evidenciando uma maior procura por conteúdos de entretenimento neste período. Em sentido inverso, o Canal 11 registou a maior quebra mensal em prime time, perdendo cerca de 32 mil espectadores de audiência média.

Entre os canais de informação, a liderança continua do lado da CNN Portugal (2,4%), mas que viu a concorrente SIC Notícias aproximar-se, com através de uma subida de 0,3 pontos percentuais, ficando assim apenas a uma décima de distância. Segue-se o Now, que celebrou dois anos em junho, e que aumentou o seu resultado em uma décima para 1,9% de share.

Os padrões de consumo dos canais informativos também se mantêm consistentes, com a CNN Portugal e SIC Notícias alcançam os seus melhores desempenhos durante a manhã, até às 11h30. Os dados sugerem, por isso, que o verdadeiro “prime time” da informação por cabo continua a acontecer nas primeiras horas do dia, e não à noite.

Continue a ler após a publicidade

O peso do Mundial refletiu-se igualmente no ranking dos programas mais vistos do mês, com o futebol a ocupar 14 das 20 posições do top de emissões da televisão generalista, com o jogo dos oitavos de final entre Portugal e Espanha, transmitido pela RTP1, a liderar destacado, seguido da final entre Espanha e Argentina, também exibida pelo canal público.

Apesar da capacidade do Mundial para mobilizar audiências, os dados revelam que a tendência de fundo permanece negativa para a televisão linear. Em julho, o tempo médio diário de visionamento fixou-se nas cinco horas, quando em Janeiro era de cinco horas e 34 minutos, uma redução superior a meia hora diária em apenas sete meses.

Os dados com base em YUMI, Media Monitor e GFK CAEM TV, mostra que também a audiência média global voltou a recuar, passando de 2,644 milhões de espectadores em junho para 2,619 milhões em julho, o que aponta para que, embora o Mundial tenha atenuado a quebra, não conseguiu inverter a tendência de diminuição do consumo televisivo.

A Pay TV é a plataforma que mais tem sentido esta erosão, tendo a audiência média dos canais pagos descido de 1,171 milhões de espectadores em janeiro para 997 mil em julho, reforçando a ideia de que a crescente fragmentação do consumo, impulsionada pelas plataformas de streaming e serviços de vídeo on demand, está a afetar sobretudo os canais temáticos.

Continue a ler após a publicidade

Ao longo do semestre, SIC e RTP1 destacam-se como os canais mais resilientes. São os únicos que conseguem manter uma relativa estabilidade tanto na audiência média como no tempo de visionamento, num mercado onde o consumo de televisão continua a dispersar-se por um número crescente de plataformas e formatos.






Notícias Relacionadas

Ver Mais