O vinho tem espaço na conversa digital em Portugal, mas as marcas ainda aparecem pouco. É uma das conclusões da análise da Buzzmonitor, plataforma de Inteligência Artificial de monitorização e análise de redes sociais do Elifegroup, que acompanhou 5.308 publicações entre 24 de junho e 22 de setembro de 2026.
A análise, realizada através dos termos “vinho” e “vinhos” e com filtro geográfico orientado para Portugal, mostra que eventos, provas e enoturismo dominam o discurso online. Apenas 6,3% das publicações analisadas fazem referência direta a marcas.
Entre as insígnias mais mencionadas está a Tarelo, do Pico, nos Açores, com 0,4% das referências, seguida pela Sogrape e pela Rocim, ambas com 0,3%. A Casa Santos Lima e a Super Bock surgem também com 0,3%.
Entre as diferentes categorias, o vinho branco é o mais mencionado, representando 10,4% das referências. Lançamentos, concursos e sugestões para o verão ajudam a alimentar a conversa, enquanto entre consumidores surge sobretudo associado a encontros com família e amigos.
O vinho tinto representa 9% das menções e mantém uma forte associação às refeições, à restauração tradicional e à tradição familiar. Já os vinhos de reserva, Vinhas Velhas e referências como Barca Velha e Pêra-Manca concentram 6,9% das referências, sobretudo em conteúdos de produtores e imprensa especializada.
Os Vinhos Verdes representam 5,6% da conversa e surgem particularmente associados aos meses mais quentes.
Quando o tema são os momentos de consumo, as feiras, festivais e provas lideram, com 29% das referências. O enoturismo surge depois, com 22,6%, impulsionado por vindimas e visitas a quintas. A categoria “Amigos e família” representa 21,9% das menções.
Os dados mostram, assim, uma associação do vinho a experiências e momentos de convívio, mais do que apenas ao produto. No discurso positivo, “tradição, território e sustentabilidade” reúne 30,8% das referências, seguida por “sabores, aromas e frescura”, com 21,5%, e pela qualidade reconhecida e pelos prémios, com 21%.
Do lado das críticas, a crise provocada pelos excedentes e a pressão sobre os produtores são os temas mais referidos, com 1,8% das menções. Seguem-se fraudes e processos judiciais no setor (1,6%) e referências a vinhos de menor qualidade (1,1%).
Também os locais de compra têm presença no discurso digital. Supermercados e restauração dividem o protagonismo, embora por motivos distintos. Restaurantes, delicatessens e lojas de topo surgem sobretudo através de conteúdos de autopromoção, enquanto, na perspetiva dos consumidores, Pingo Doce, Lidl, Continente e Mercadona são referidos principalmente a propósito de promoções.
E se um livro pudesse escolher o vinho certo para o acompanhar?











