O papel das televisões generalistas

ricardo-florencio Ricardo Florêncio

Director Editorial Marketeer

Editorial publicado na edição de Maio de 2012 da revista Marketeer

O papel da comunicação social passa pela informação e formação dos seus clientes, audiências, leitores, ouvintes.

E é óbvio que aqueles que atingem maior número de clientes, maior responsabilidade têm. Contudo, este objectivo, esta premissa, há muito tempo que está esquecida.

Hoje em dia, ainda é corrente falar-se de mass media. É claramente um conceito em extinção. Agora, e mesmo num futuro próximo, será mais apropriado falar-se em “media de massas” e “media especializada”. Actualmente, devido ao elevado número de meios e fontes de informação existentes, a dispersão de atenção da população acentua-se, espalha-se, dividindo-se, sendo claro que no futuro essa tendência de dispersão será ainda mais acentuada.

Mas também é óbvio que ainda cabe aos três canais generalistas de televisão uma grande fatia da atenção dos portugueses, e assim dessa responsabilidade de informar e formar.

Contudo, a luta fratricida pelas audiências tem levado a caminhos totalmente contrários a estes princípios. É verdade que hoje temos muito mais períodos de jornais e telejornais, debates, entrevistas.

Mas será que temos melhor informação? Claramente, não.

Hoje, tanto se faz uma entrevista a quem apresenta argumentos que sustentam o que afirma, que se vê que tem bases do que está a falar, como se coloca o microfone à frente de quem pouco ou nada sabe do que diz. Tanto se convidam pessoas de vários quadrantes e sectores que opinam e transmitem conhecimento numa lógica de construção, como se dá tempo de antena, e em horário mais nobre, a uns meros trauliteiros, que apenas visam destruir, e nada acrescentar. Tanto se dá atenção à justiça e às instituições que velam pela nossa segurança e justiça, como se permite que muitas pessoas assistam a discursos de delinquentes. Dá-se o mesmo peso e tempo a uma notícia de importância vital para o País, como à situação mais mesquinha e sem interesse.

E para quê? Porque assim julgam que têm mais audiência, que captam mais a atenção da população. Porque, pretensamente, quanto mais truculento, melhor.

Joseph de Maistre afirmou há mais de 200 anos, “cada povo tem o governo que merece”. Talvez por analogia, “cada povo terá a televisão que merece”.

Sendo assim, pois estou convicto que merecemos melhor!

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