Num momento em que as marcas portuguesas reforçam a sua ambição internacional, a COSTA NOVA dá um novo passo na consolidação do seu posicionamento global com a abertura da primeira loja fora de Portugal, em Madrid. Mais do que um espaço de retalho, o novo projeto afirma-se como um hub multifuncional que cruza experiência de marca, relação com o consumidor e aposta no segmento profissional.
Por Sandra M. Pinto
Miguel Casal, CEO da COSTA NOVA Indústria, explica nesta entrevista como esta abertura se integra na estratégia de crescimento da marca, o papel do retalho físico num ecossistema cada vez mais omnicanal e de que forma a arquitetura, o design e a experiência contribuem para comunicar os valores de autenticidade, sustentabilidade e herança que definem a identidade da marca.
Que papel assume a abertura desta loja em Madrid na estratégia de crescimento internacional da COSTA NOVA?
Já vendemos a nossa marca em mais de 70 países, mas esta é a nossa primeira loja fora de Portugal. Por isso, representa um passo muito importante na nossa estratégia de internacionalização. Traduz também a aposta num mercado que consideramos fundamental, que é Espanha, onde já temos presença há muitos anos e onde queremos reforçar o posicionamento e a notoriedade da marca junto dos consumidores finais e dos profissionais.
O que esteve na base da escolha de Madrid como localização prioritária para reforçar a presença da marca?
O nosso espaço de Madrid é muito mais do que uma simples loja. Está localizado numa das melhores zonas da cidade, no Barrio de Salamanca, ao lado de algumas das melhores marcas de retalho e de muitos dos melhores restaurantes da capital espanhola. Com cerca de 400 m², será muito mais do que uma flagship store. É também a sede e o escritório da nossa delegação Costa Nova SL, integra um showroom dedicado à hotelaria onde podemos receber profissionais do setor, dispõe de uma pequena cozinha para eventos e apresentações e conta ainda com um armazém de apoio às vendas físicas e online e ao segmento profissional.
De que forma este novo espaço contribui para consolidar o posicionamento da COSTA NOVA enquanto marca global de lifestyle?
Dificilmente poderíamos ter escolhido um local melhor do que este espaço na Calle Lagasca, 90. A localização, a dimensão e a versatilidade do projeto permitem-nos desenvolver uma estratégia em várias frentes e ajudam-nos a afirmar a marca em Espanha de uma forma consistente. É um espaço que traduz bem aquilo que somos e aquilo que queremos comunicar enquanto marca de lifestyle com ambição internacional.
Num contexto em que o digital ganha cada vez mais relevância, que papel continua a desempenhar o retalho físico na construção de marca?
Além da componente de posicionamento, a loja é uma peça fundamental numa estratégia omnicanal. Será uma montra física da marca, um ponto de entrega e recolha de encomendas e um local onde podemos prestar um serviço de elevada qualidade ao consumidor. O objetivo é ligar de forma natural os canais online e offline, criando uma operação única e integrada que ofereça uma experiência mais completa e conveniente aos nossos clientes.
A loja é apresentada como um espaço de inspiração e imersão. Que tipo de experiência pretendem proporcionar ao consumidor?
A loja está integrada no Edifício Girasol, um ícone da arquitetura madrilena, projetado em 1965 pelo arquiteto catalão José Antonio Coderch. É um edifício extraordinariamente contemporâneo para a época e continua hoje a transmitir uma enorme modernidade. O projeto da arquiteta Mariana Torrão inspirou-se precisamente nesse edifício. As varandas ajardinadas, os tons terracota, a luz natural e as linhas orgânicas foram reinterpretados e trazidos para o interior da loja. Achamos que o resultado ficou muito bem conseguido, mas naturalmente será a crítica e os visitantes a fazer essa avaliação. A nossa filosofia industrial e os nossos produtos enquadram-se muito bem naquele espaço. As coleções estão muito bem representadas e beneficiam de uma luz fantástica. Estamos convencidos de que será uma experiência muito positiva para quem nos visita.
Em que medida este conceito se distingue das restantes lojas da marca?
A loja do Porto, embora tenha uma configuração diferente, é também uma flagship store com showroom para hotelaria. É igualmente um espaço muito bonito, desenvolvido pelo gabinete Morais Soares Arquitectos, e partilha vários elementos da nossa filosofia de exposição e dos materiais utilizados.
A loja de Lisboa foi a primeira da marca. É um espaço muito interessante, da autoria do arquiteto Mendes Ribeiro, e embora tenha uma escala mais reduzida do que os projetos do Porto e agora de Madrid, cumpre os mesmos objetivos de representação da marca. Cada loja tem a sua identidade própria, mas existe um fio condutor comum que reflete os valores da COSTA NOVA.
De que forma a arquitetura contribui para contar a história da marca?
A arquitetura é uma forma muito poderosa de comunicação. Tal como os nossos produtos, também os espaços devem transmitir autenticidade, equilíbrio e atenção ao detalhe. Neste caso, procurámos criar um diálogo entre a identidade da COSTA NOVA e a arquitetura singular do Edifício Girasol. Através dos materiais, da luz, das cores e da forma como os produtos são apresentados, conseguimos criar um ambiente que ajuda a contar a nossa história e a expressar os valores da marca de uma forma natural.
Até que ponto o design do espaço é hoje uma ferramenta estratégica de branding?
Nós acreditamos que é cada vez mais importante. Um espaço bem concebido valoriza a marca, tal como uma marca forte pode valorizar um espaço. Gostamos dessa relação entre o conteúdo e o contexto. O design ajuda a criar uma experiência memorável, reforça a identidade da marca e contribui para que as pessoas compreendam melhor aquilo que somos e aquilo que defendemos.
Que perfis de consumidor pretendem atrair com esta nova loja em Madrid?
Naturalmente, queremos chegar ao consumidor final, começando pelos habitantes daquela zona da cidade. O Barrio de Salamanca reúne algumas das melhores lojas e restaurantes de Madrid, mas é também uma importante zona residencial. Madrid vive atualmente um momento muito positivo e atrai visitantes de todo o mundo. Além dos consumidores espanhóis, esta localização permite-nos estar próximos de um público internacional que visita regularmente a cidade.
Como avaliam o potencial do mercado espanhol para uma marca como a COSTA NOVA?
Espanha é um mercado muito competitivo, mas também muito relevante para nós. Estamos presentes há muitos anos e já construímos uma posição importante. Gostaríamos agora de dar mais um passo e afirmar-nos ainda mais junto dos consumidores espanhóis. O nosso objetivo é sermos vistos não apenas como uma marca portuguesa presente em Espanha, mas como uma marca ibérica…adotada pelos próprios espanhóis.
Como é que o espaço ajuda a comunicar atributos como sustentabilidade, autenticidade e tradição?
Esperamos que o faça cada vez mais. Vivemos num contexto em que continuamos a importar muitos produtos de fora da Europa, frequentemente sem os mesmos níveis de exigência ambiental, energética e social que cumprimos enquanto fabricantes europeus. A nossa sustentabilidade é real e resulta de um compromisso efetivo com as pessoas, os processos e o ambiente. Queremos que os consumidores conheçam melhor essa realidade e acreditamos que a loja será um espaço importante para comunicar essa mensagem, através dos nossos produtos, das coleções com selo Ecogres e da forma como contamos a nossa história.
De que forma a COSTA NOVA equilibra a herança artesanal com uma visão contemporânea do universo da mesa?
Nascemos numa região onde a cerâmica faz parte da identidade local. Está presente na arquitetura, nos azulejos, nas louças e em muitos elementos do quotidiano. A nossa visão passa por reinventar sem desvalorizar a história. Procuramos respeitar essa herança e, ao mesmo tempo, reinterpretá-la para os dias de hoje. A inspiração nunca termina; há sempre novas formas de contar a mesma história.
A aposta num showroom dedicado à hotelaria reflete uma estratégia mais ampla no segmento B2B?
Sem dúvida. A hotelaria é uma parte importante da nossa atividade e acreditamos que continuará a crescer. Hoje viaja-se mais, procuram-se mais experiências e existe uma maior valorização da restauração e da hotelaria. As pessoas investem cada vez mais em experiências e menos em bens materiais apenas. Queremos acompanhar essa evolução e acreditamos que temos conseguido trazer inovação a um mercado que, por natureza, é muito competitivo.
Que relevância tem hoje o canal profissional no crescimento internacional da marca?
Somos um país pequeno e, para garantir escala, qualidade e capacidade de investimento, precisamos de estar presentes em vários mercados. A empresa está internacionalizada há bastante tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, temos uma operação própria de distribuição desde 2017, com uma dimensão já significativa. Não temos lojas físicas, mas contamos com showrooms em Nova Iorque, Chicago, Las Vegas e Atlanta, que desempenham um papel importante no desenvolvimento do negócio profissional.
Que papel terão os workshops e eventos na dinamização do espaço e na proximidade com os diferentes públicos?
Trabalhamos sobretudo com nichos de mercado e não numa lógica de mass market. Por isso, é fundamental criar oportunidades para comunicar diretamente com as pessoas. Os workshops, eventos e outras iniciativas ajudam-nos a explicar melhor quem somos, o que fazemos e aquilo que distingue os nossos produtos. A comunicação continua a ser um elemento essencial da relação com os nossos clientes e parceiros.
Existe a ambição de posicionar esta loja como um ponto de encontro para a comunidade criativa e gastronómica?
Sim, claramente. Gostaríamos que o espaço fosse também um ponto de encontro para profissionais, criativos, chefs, arquitetos, designers e pessoas que valorizam a cultura da mesa. Mas queremos fazê-lo de forma descomplicada, acessível e autêntica, em linha com aquilo que caracteriza a COSTA NOVA.
Que impacto esperam que esta abertura tenha na notoriedade da marca fora de Portugal?
Esperamos que tenha um impacto muito relevante. Madrid é hoje uma cidade extremamente visível e influente, tanto para Espanha como para muitas comunidades internacionais. Acreditamos que esta presença nos ajudará a aumentar significativamente a notoriedade da marca e a reforçar a nossa posição junto de públicos estratégicos.
Este espaço poderá servir de modelo para futuras aberturas internacionais?
Sim, gostaríamos que pudesse servir de inspiração para futuras localizações onde esta estratégia faça sentido. No entanto, acreditamos num crescimento sustentado. Queremos avançar passo a passo e garantir que a estrutura da empresa acompanha adequadamente cada nova etapa do processo de expansão.
Quais são os próximos passos na estratégia de expansão da COSTA NOVA?
Estamos a estudar a abertura de uma nova loja em Lisboa, num formato mais compacto, que seria a segunda unidade na cidade. O objetivo passa também por desenvolver um conceito que possa eventualmente ser franchisado em mercados mais distantes onde já contamos com parceiros locais, como o Dubai ou a Coreia do Sul. Noutros mercados, a estratégia continuará a passar pelo reforço das vendas online e pelo desenvolvimento da logística necessária para suportar esse crescimento de forma eficiente.












