O “novo tabaco”: há cidades a apagar dos outdoors a publicidade aos combustíveis fósseis

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23/02/2026
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O “novo tabaco”: há cidades a apagar dos outdoors a publicidade aos combustíveis fósseis

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De Haia a Amesterdão, de Edimburgo a Sydney, cresce o número de cidades que decidiram retirar do espaço público anúncios a voos, cruzeiros, SUV e automóveis a gasolina ou gasóleo. A lógica é simples: se os governos pedem cortes nas emissões, faz sentido continuar a promover produtos intensivos em carbono nas ruas?

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A pioneira foi Haia, refere a BBC. Em 2024, a cidade aprovou uma lei municipal que proíbe publicidade a produtos com elevada pegada carbónica, tornando-se a primeira no mundo a fazê-lo por via legislativa local. Desde Abril de 2025, desapareceram dos painéis urbanos anúncios a carros movidos a combustíveis fósseis, viagens aéreas de longa distância e cruzeiros.

A decisão não é apenas simbólica. Sede do Tribunal Internacional de Justiça, Haia apresenta-se como cidade da paz e da justiça — e quis alinhar o espaço público com os compromissos climáticos. Para os responsáveis locais, há uma contradição evidente entre apelar à redução do consumo de combustíveis fósseis e permitir a sua promoção em outdoors e paragens de autocarro.

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O movimento alastrou. Amesterdão tornou-se, em Janeiro de 2026, a primeira capital do mundo a inscrever na lei uma proibição deste tipo. A medida, que entra em vigor a 1 de Maio, vai além dos combustíveis fósseis e inclui restrições à publicidade à carne.

Também Estocolmo e Florença adotaram limitações, tal como várias cidades britânicas, entre as quais Edimburgo, Sheffield e Portsmouth. Em Londres, a política publicitária da Transport for London está sob revisão, após o presidente da câmara, Sadiq Khan, ter admitido a necessidade de a tornar mais verde.

Fora da Europa, Sydney aprovou restrições, enquanto na Nova Zelândia a região de Greater Wellington retirou anúncios a combustíveis fósseis dos

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O debate ganhou força internacional depois de o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ter acusado a indústria dos combustíveis fósseis de alimentar desinformação climática com o apoio de agências de publicidade. A diretora de Saúde Pública e Ambiente da Organização Mundial da Saúde, Maria Neira, foi mais longe, classificando os combustíveis fósseis como “o novo tabaco”.

A comparação não é inocente. As restrições à publicidade ao tabaco, introduzidas progressivamente desde os anos 1960, contribuíram para reduzir o consumo global. Estudos sobre outras áreas mostram que a exposição publicitária influencia comportamentos de consumo.

 

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