Num cenário em que as marcas deixam de ser apenas fornecedores de produtos para assumirem um papel mais ativo na sociedade, cresce a importância de iniciativas com impacto mensurável e duradouro nas comunidades. No setor da beleza, esta evolução reflete-se numa abordagem mais ampla, que vai além do consumo e aposta na inclusão, na capacitação e na criação de autonomia. É neste contexto que o Grupo Boticário tem vindo a reforçar, em Portugal, o programa “Empreendedoras da Beleza”, uma iniciativa que combina formação técnica, desenvolvimento pessoal e competências de gestão, com o objetivo de apoiar mulheres na construção de trajetórias profissionais mais autónomas e sustentáveis. Com mais de 26 mil participantes no país, o projeto traduz uma resposta concreta às transformações do mercado de trabalho e ao crescimento do empreendedorismo feminino.
Por Sandra M. Pinto
Em entrevista, Rossana Gama, Country Manager do Grupo Boticário Portugal, explora o racional estratégico por detrás do programa, o impacto gerado junto das participantes e a forma como esta iniciativa se integra numa visão mais ampla de marca, onde propósito, impacto social e desenvolvimento humano assumem um papel central.
O que motiva o Grupo Boticário a continuar a investir no programa “Empreendedoras da Beleza” em Portugal e como é que este projeto se enquadra na estratégia global da marca?
No Grupo Boticário, acreditamos que a beleza pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social e económica. O programa “Empreendedoras da Beleza” traduz este compromisso ao criar oportunidades concretas de capacitação, geração de rendimento e autonomia financeira para milhares de mulheres. Em Portugal, temos assistido a uma crescente procura por modelos de trabalho mais flexíveis e independentes, especialmente no setor da beleza, e queremos continuar a responder a essa necessidade com formação acessível, gratuita e relevante. Esta iniciativa está totalmente alinhada com a estratégia global do Grupo Boticário, que coloca o impacto social, a inclusão e o desenvolvimento humano no centro da sua atuação.
De que forma esta nova edição de 2026 evolui face às anteriores e o que acrescenta em termos de impacto e relevância para o mercado?
A edição de 2026 surge mais robusta e alinhada com os desafios atuais do mercado. Mantemos a forte componente técnica que sempre caracterizou o programa, mas reforçámos a oferta com novos cursos de Gestão de Atendimento e Educação Financeira, hoje críticos para quem quer iniciar, consolidar ou escalar um negócio sustentável. Esta evolução reflete uma visão mais integrada do empreendedorismo na beleza, combinando domínio técnico, gestão, relação com o cliente e autonomia financeira, preparando as participantes para um setor cada vez mais competitivo e exigente.
Que resultados e impacto concreto têm identificado junto das mais de 26 mil participantes em Portugal?
O facto de já contarmos com mais de 26 mil inscritas em Portugal é, por si só, um indicador da dimensão e da relevância do programa no contexto nacional. Este número reflete uma procura real por qualificação acessível e por oportunidades de independência financeira, sobretudo num setor tão dinâmico como o da beleza. Mais do que métricas quantitativas, o impacto torna-se evidente nas histórias individuais: muitas mulheres deram os primeiros passos na atividade profissional através do programa, outras reforçaram os seus rendimentos, diversificaram a sua oferta de serviços ou ganharam confiança para criar o seu próprio negócio. Vemos uma evolução clara em competências técnicas, mas também em autoestima, autonomia e na construção de novos projetos de vida, pessoais e profissionais.
Como é que este programa responde às tendências atuais do setor da beleza e ao crescimento do empreendedorismo feminino?
A transformação do setor da beleza em Portugal é marcada pela digitalização, pela procura de serviços mais personalizados e pela valorização de modelos de trabalho flexíveis. Em paralelo, assistimos a um crescimento expressivo do empreendedorismo feminino, com cada vez mais mulheres a procurar formas de criar rendimento próprio e gerir o seu tempo com maior autonomia. O “Empreendedoras da Beleza” nasce precisamente na intersecção destas tendências, oferecendo formação prática, gratuita e orientada para a realidade atual do mercado. Para além da técnica, o programa promove uma visão mais estratégica do negócio da beleza, preparando as participantes para atuar num setor mais competitivo, mais digital e mais exigente do ponto de vista da experiência do consumidor.
Qual o racional estratégico por trás da introdução de cursos como Gestão de Atendimento e Educação Financeira nesta edição?
Hoje, ser uma boa profissional de beleza já não chega para se ser bem sucedida. A capacidade de gerir o atendimento, comunicar com clareza, fidelizar clientes e organizar a componente financeira é determinante para a viabilidade de qualquer projeto. A introdução de cursos de Gestão de Atendimento e de Educação Financeira responde a lacunas que identificamos no terreno: profissionais com grande talento técnico, mas sem as ferramentas de gestão necessárias para transformar esse talento num negócio consistente. Ao alargar o conteúdo formativo a estas áreas, oferecemos uma proposta mais completa e alinhada com os desafios reais que as empreendedoras enfrentam no dia a dia.
De que forma a educação financeira contribui para reforçar o propósito da marca na promoção da autonomia feminina?
A educação financeira é uma ferramenta essencial de independência e liberdade. Quando desenvolvemos competências para gerir rendimentos, planear investimentos ou tomar decisões financeiras informadas, ganhamos mais autonomia e segurança para definir o seu futuro. Ao integrar esta temática no programa, reforçamos o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a criação de oportunidades que tenham impacto real na vida das participantes.
Historicamente, existe ainda uma diferença significativa entre a autonomia financeira feminina e masculina. Os homens continuam, em média, a apresentar maior independência económica, maior participação em investimentos e maior confiança na tomada de decisões financeiras, muito devido a fatores estruturais, culturais e sociais. Já muitas mulheres enfrentam desafios adicionais, como disparidade salarial, carreiras interrompidas por responsabilidades familiares e menor acesso a educação financeira desde cedo.
Portanto, a educação financeira assume um papel transformador: ajuda a reduzir desigualdades, fortalece a autoconfiança e cria ferramentas práticas para que mais mulheres possam alcançar o mesmo nível de autonomia económica e liberdade de decisão. Ao promover este conhecimento, estamos não apenas a apoiar o crescimento individual das participantes, mas também a dar o nosso contributo para uma mudança social mais ampla.
Como é que o programa articula formação técnica, desenvolvimento pessoal e competências de gestão numa lógica de construção de valor a longo prazo?
O programa foi concebido com uma lógica de percurso e não apenas de curso. A formação técnica assegura a base de competência profissional necessária para atuar no setor; os conteúdos de desenvolvimento pessoal trabalham dimensões como autoconfiança, comunicação e posicionamento; e os módulos de gestão oferecem instrumentos para estruturar e sustentar o negócio ao longo do tempo. Esta articulação permite às participantes sair não só com mais conhecimento, mas com uma visão mais clara do seu papel enquanto empreendedoras e da forma como podem criar valor duradouro para si, para as suas clientes e para as comunidades onde estão inseridas. O foco é preparar carreiras com futuro, e não apenas uma resposta imediata.
Que perfil de participantes tem aderido ao “Empreendedoras da Beleza” e o que procuram na marca e no programa?
O programa tem atraído perfis muito diversos, o que reforça a sua relevância e capacidade de inclusão. Entre as participantes, encontramos mulheres a iniciar o seu percurso profissional, pessoas em reconversão de carreira, profissionais que querem complementar rendimento e muitas das nossas revendedoras, que veem no programa uma forma de aprofundar competências e valorizar a atividade que já desenvolvem no dia a dia. Em comum, todas procuram formação prática, acessível e com aplicabilidade imediata, bem como uma marca que as acompanhe, lhes dê credibilidade e com a qual se identifiquem. Em Portugal, sentimos claramente que estas mulheres veem no Grupo Boticário um parceiro na construção do seu caminho profissional.
De que forma o Grupo Boticário acompanha o percurso das participantes após a formação e potencia a sua continuidade no mercado?
O nosso objetivo é criar impacto para além da formação inicial. Procuramos disponibilizar conteúdos relevantes, incentivar a continuidade da aprendizagem e manter uma relação próxima com a comunidade criada em torno do programa. Mais do que um momento pontual, queremos que o “Empreendedoras da Beleza” seja uma plataforma contínua de desenvolvimento e capacitação.
Como é que esta iniciativa contribui para o posicionamento do Grupo Boticário enquanto marca com propósito no mercado português?
Esta iniciativa reforça a forma como o Grupo Boticário entende o seu papel na sociedade: não apenas como uma marca de beleza, mas como um agente ativo de transformação social. Ao investir na capacitação feminina e na criação de oportunidades, consolidamos um posicionamento assente em propósito, impacto positivo e proximidade com as comunidades onde estamos presentes. A nossa história sempre foi marcada pelas mudanças e, principalmente, pelas necessidades do consumidor. A forma como compramos, consumimos, vivemos e trabalhamos está em permanente evolução. Aquilo que permanece inalterável são os pilares que sempre definiram o Grupo: o nosso propósito, os nossos valores e a essência da marca. Iniciativas como o Empreendedoras da Beleza permitem-nos continuar a traçar esse caminho.
Que papel tem o marketing com impacto social na estratégia de comunicação do Grupo Boticário em Portugal?
O marketing com impacto social é uma dimensão estrutural da forma como comunicamos em Portugal. Temos a preocupação de desenvolver iniciativas que respondam a necessidades reais e que estejam alinhadas com o que os consumidores esperam hoje de uma marca com a nossa escala e visibilidade, é exemplo disso o Pacto Skincare Responsável que lançámos há uns meses, onde nos comprometemos a identificar todos os nossos cosméticos que são apenas indicados para peles adultas. Mais do que falar sobre produtos, queremos mostrar como o Grupo Boticário contribui para temas como inclusão, desenvolvimento e autonomia, de forma consistente e mensurável. Este tipo de comunicação constrói relações mais sólidas, porque assenta em ações concretas e não apenas em mensagens.
De que forma iniciativas como esta reforçam a notoriedade, reputação e ligação emocional à marca?
Quando uma marca cria iniciativas com impacto concreto na vida das pessoas, constrói relações mais autênticas e duradouras. O “Empreendedoras da Beleza” permite-nos estar próximos das comunidades, gerar valor para além do produto e criar uma ligação emocional baseada em confiança, identificação e propósito partilhado. Queremos ouvir as necessidades reais das consumidoras e responder de forma relevante. Mais do que fazer com que associem a marca a este ou àquele produto, o nosso objetivo é que a associem ao impacto que geramos e à experiência que proporcionamos.
O que representou lançar esta nova edição numa semana simbólica como a celebração da liberdade em Portugal?
Lançar esta edição numa semana dedicada à liberdade em Portugal teve um significado que vai muito além do calendário. A liberdade está intimamente ligada à autonomia, à independência e à possibilidade de escolher o próprio caminho – valores que estão no centro do “Empreendedoras da Beleza”. Para muitas mulheres, conquistar autonomia económica é um passo decisivo para poder tomar decisões com mais segurança e voz própria. Ao associar o lançamento do programa a esta semana, reforçamos a mensagem de que a liberdade também se constrói através do acesso à educação, oportunidades e ferramentas para gerar rendimento e definir o futuro com mais controlo.
Quais são os próximos passos para a evolução do programa e que ambição têm para o seu crescimento futuro?
A nossa ambição é continuar a fortalecer o programa em Portugal, acompanhando a evolução do setor da beleza e as necessidades emergentes das participantes. Estamos atentos às mudanças no comportamento do consumidor, à digitalização dos serviços e às novas competências que o mercado exige, para garantir que o conteúdo se mantém atual e relevante. Queremos ampliar o alcance da iniciativa, diversificar áreas temáticas, aprofundar o acompanhamento pós-formação e, sobretudo, continuar a criar condições para transformar talento em projetos de negócios sustentáveis. O foco está em crescer com impacto e consistência, para que cada vez mais mulheres tenham a oportunidade que merecem.












