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O Diabo veste Prada. E os clientes vestem marcas com boa reputação

OpiniãoNotícias
Marketeer
04/08/2025
20:02
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Opinião de Sónia Lage Lourenço, CEO do Portal da Queixa e Co-Founder da Consumers Trust

Todos querem ser desejados. Mas só as marcas confiáveis são escolhidas. No mundo da reputação, o que se constrói todos os dias vale mais do que qualquer campanha. Porque uma marca não se veste apenas com imagem, veste-se com coerência, proximidade e verdade.

“Everyone wants to be us.” — diz Miranda Priestly, com um misto de poder e vaidade que, aos olhos de quem assiste, tanto fascina como incomoda. No universo das marcas, esta frase ecoa mais vezes do que gostaríamos de admitir. A ilusão da notoriedade, do prestígio, da diferenciação. Mas o que nem sempre se vê por detrás dessa ambição é a ausência de escuta, de empatia, de coerência. Porque todos podemos querer ser desejados. Mas será que estamos verdadeiramente preparados para sermos confiáveis?

A reputação de uma marca não nasce da estética da campanha, nem da criatividade de um claim. Constrói-se, subtilmente, na forma como cada cliente é tratado em toda a sua jornada de compra. E quando a expectativa criada por uma marca de luxo, como uma “Prada”, se desfaz numa experiência medíocre, o impacto é brutal. A imagem atrai, mas é a consistência que sustenta.

Essa consistência só existe quando há sintonia entre todas as áreas, em especial entre os departamentos de Marketing e de Customer Success. Não pode haver uma marca que comunica excelência se quem a representa, no contacto direto com o cliente, não tem voz, ferramentas ou apoio. O marketing pode definir o tom, mas é o sucesso do cliente que lhe dá profundidade. Quando estes dois universos trabalham em conjunto, o resultado é uma experiência coerente, fluida e memorável.

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Mas essa sintonia não se constrói sozinha. Depende da liderança. De uma liderança presente, que compreende o valor do detalhe e não se refugia em indicadores de vaidade. Procura saber, verdadeiramente, o que o cliente sente. Liderar com foco no cliente é um exercício de humildade. Exige calçar os sapatos de quem reclama, acompanhar os pontos de dor e abrir espaço para as equipas operacionais partilharem insights, sem filtros.

Ainda assistimos a demasiadas lideranças reféns do seu próprio ego, presas a uma imagem de autoridade que as afasta da realidade e das equipas. Um verdadeiro líder, comprometido com uma cultura centrada no cliente, precisa de ouvir mais do que falar, de criar pontes entre marketing, vendas, atendimento e produto, e de promover a união entre áreas e não a sua fragmentação. Porque é nessa ligação transversal que se constrói a reputação de uma marca. E quando essa coerência interna existe, ela reflete-se com autenticidade no exterior. Pelo contrário, uma marca que comunica valores, mas internamente vive desalinhada, será sempre incoerente aos olhos do consumidor. Num mercado onde todos prometem e poucos entregam, a confiança tornou-se a moeda mais valiosa e os consumidores já não toleram ser enganados.

No Portal da Queixa, testemunhamos diariamente esta exigência. Já não há margem para campanhas descoladas da realidade do serviço. A reputação não é um KPI do marketing, é o reflexo de toda a cadeia de valor. E por isso, cada membro da equipa, cada decisão estratégica, cada resposta dada ao cliente, conta.

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Tal como Andrea Sachs, que começa sem saber muito sobre moda, mas termina com um olhar maduro sobre o que significa realmente pertencer a algo maior do que ela própria, também as equipas de hoje precisam de sentir que fazem parte de um propósito partilhado. Quando a liderança encontra essa ligação perfeita entre as pessoas, os processos e o propósito, o resultado não é apenas uma marca admirada. É uma marca amada.

No final, as marcas que triunfam não são as mais ruidosas, são as mais consistentes. Porque “style is knowing who you are and being it unapologetically”. E isso, no mundo da reputação, é o que verdadeiramente distingue quem se veste… e quem se revela.




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