O futebol deixou há muito de se limitar às quatro linhas. Hoje, é uma plataforma global de negócio, influência e construção de marca, onde a estratégia é tão determinante quanto a performance. É neste contexto que surge a Brands Capital Sports, liderada por Sérgio Duarte, um dos protagonistas na valorização de ativos e no desenvolvimento de projetos com ambição internacional.
Por Sandra M. Pinto
Nesta entrevista, o CEO partilha a sua visão sobre um setor em rápida transformação, marcado pela crescente profissionalização, pela entrada de novos players e pelo impacto da tecnologia. Entre desafios e oportunidades, uma conversa que ajuda a compreender como se constrói valor no ecossistema desportivo atual e para onde caminha esta indústria.
Como surge a Brands Capital Sports e que oportunidade de mercado procuraram explorar no futebol global?
A Brands Capital Sports nasceu da identificação de uma lacuna evidente na forma como os clubes de futebol são transacionados. Ao analisar o mercado, percebi que, apesar de o futeb03ol movimentar centenas de milhões de euros, a compra e venda de clubes continua a ser um setor pouco profissionalizado. Faltava uma ligação estruturada entre investidores e clubes, assente em critérios de avaliação objetivos, transparência e confiança. A oportunidade de mercado que procuramos explorar passa precisamente pela profissionalização deste setor, oferecendo uma plataforma que atua como intermediário de confiança, garantindo rigor, transparência e segurança para todas as partes envolvidas.
O futebol está a evoluir de um ativo emocional para um ativo financeiro?
Sem dúvida. Durante muitos anos, o futebol foi gerido sobretudo com base na paixão e na emoção, o que conduziu, em muitos casos, a modelos financeiros pouco sustentáveis. Hoje assistimos a uma mudança de paradigma. A indústria global do futebol está avaliada em cerca de 150 mil milhões de euros e , e mais de um terço dos clubes das cinco principais ligas europeias já tem ligações ao mercado de capitais. O futebol passou a ser encarado por fundos de private equity e consórcios globais como um ativo escasso e com potencial de valorização, exigindo processos de due diligence rigorosos e uma estratégia de longo prazo.
Que problema concreto a vossa plataforma resolve no ecossistema de investimento em clubes?
O principal problema é a falta de transparência e de critérios objetivos na avaliação dos clubes. Até agora, o valor pedido por um clube era frequentemente inflacionado a cada novo contacto com um investidor, sem qualquer base objetiva. A Brands Capital Sports introduziu um algoritmo de inteligência artificial que atribui uma valorização baseada em métricas auditáveis, como o número de adeptos, o mediatismo e o potencial comercial. Além disso, resolvemos a falta de segurança jurídica e financeira, assegurando que os clubes no nosso portefólio não têm dívidas à Autoridade Tributária ou à Segurança Social e têm contas aprovadas e auditadas.
Como funciona, na prática, o marketplace de transação de clubes de futebol?
O processo começa quando um clube manifesta interesse em captar investimento. Através do nosso simulador inteligente é realizada uma avaliação objetiva do ativo. Se existir concordância relativamente ao valor apurado, é celebrado um mandato exclusivo de intermediação por 24 meses. A partir daí, a Brands Capital Sports gere todo o processo, colocando o clube à disposição de investidores previamente registados na plataforma, que já encontram informação financeira e documental previamente analisada, tornando as negociações mais rápidas e eficientes. O marketplace distingue-se também pela sua dimensão. Atualmente reúne 49 clubes, algo inédito em Portugal, permitindo aos investidores comparar diferentes oportunidades com base em critérios objetivos, independentemente da divisão, localização ou perfil financeiro de cada clube. No futuro, pretendemos que esta plataforma se torne a principal montra de apresentação dos clubes ao mercado internacional de investimento.
Quem são hoje os principais perfis de utilizadores da plataforma?
A plataforma reúne dois perfis complementares. Do lado da oferta estão clubes Sociedades Anónimas Desportivas (SADs) de diversas divisões, desde o Campeonato de Portugal até equipas com ambições de Primeira Liga, que procuram investimento para crescer ou reestruturar-se. Do lado da procura, encontramos investidores internacionais, fundos de investimento, consórcios internacionais de mercados como Portugal, Brasil, Estados Unidos, Angola e Moçambique, que identificam no futebol uma oportunidade de investimento com potencial de valorização a médio e longo prazo.
O que determina o valor de um clube enquanto ativo investível?
O valor de um clube não depende apenas dos resultados desportivos. Com o nosso algoritmo fazemos uma leitura mais abrangente, que combina indicadores desportivos, financeiros e de mercado. Entre os principais fatores considerados estão o valor do plantel, o número de sócios, o número de fãs, o coeficiente europeu, os valores operacionais dos últimos três anos e a divisão onde o clube se encontra. Estas variáveis são cruzadas para chegar a uma valorização que não depende exclusivamente do desempenho desportivo, reconhecendo que cada adepto tem impacto económico real, desde a compra de merchandising até às receitas de bilheteira.
O sistema integra também mecanismos de validação de dados, confrontando informação declarada pelos clubes com indicadores externos, nomeadamente presença e engagement nas redes sociais, de forma a garantir maior rigor na análise. Esta abordagem permite aproximar a avaliação de clubes de uma lógica mais próxima do que já acontece noutros setores, onde o valor de um ativo é determinado por um conjunto de métricas objetivas e comparáveis.
Que tipo de retorno procuram os investidores neste mercado?
O retorno procurado é tipicamente híbrido. Por um lado, existe a valorização do capital associada à melhoria da performance desportiva e financeira do clube, nomeadamente através de subidas de divisão ou reorganização da gestão. Por outro, há uma componente crescente ligada à exploração da marca, incluindo receitas de merchandising, bilhética, patrocínios e desenvolvimento de ativos associados ao clube, como projetos imobiliários associados às infraestruturas desportivas. O futebol está a ser cada vez mais encarado como uma plataforma de negócio, onde o valor não se esgota no desempenho em campo. O objetivo é transforar os clubes em empresas sustentáveis e lucrativas.
Em que fase está o processo de internacionalização da Brands Capital Sports?
Estamos numa fase de crescimento e consolidação internacional, com o objetivo de construir uma rede estruturada de ligação entre clubes e investidores a nível global, especialmente em mercados onde existe maior disponibilidade de capital e um interesse crescente no futebol europeu. Nesse contexto, temos vindo a desenvolver parcerias estratégicas na Península Ibérica, nomeadamente com a espanhola BHI Capital, o que reforça a nossa presença na região. Em paralelo, estabelecemos contacto com diferentes geografias, incluindo investidores e intermediários do Uruguai e do Canadá, com vista à criação de novas pontes de investimento. A nossa visão é global e sem fronteiras. Este movimento é também potenciado pela Sphere Talents Academy, em Famalicão, que funciona como um acelerador desta internacionalização. A academia já estabelece ligações com parceiros em países como Brasil, Uruguai, Canadá, vários mercados africanos lusófonos, China e mundo árabe, posicionando Portugal como uma porta de entrada natural de talento e investimento.
Este ecossistema é reforçado pela vantagem competitiva da língua portuguesa, que facilita a ligação entre geografias distintas e cria uma base comum de desenvolvimento desportivo e de captação de talento.
Quais são os mercados prioritários e porquê?
A Península Ibérica é atualmente o nosso mercado natural e prioritário, tanto pela proximidade geográfica como pela dinâmica crescente de transações no setor. Fora desta região, destacam-se o Brasil e os Estados Unidos, pela dimensão do capital disponível e pelo crescente interesse no futebol europeu enquanto classe de ativo. O mercado africano lusófono também assume relevância, não só pelo potencial de investimento, mas também pela forte ligação histórica e cultural ao futebol português. O Uruguai surge igualmente como uma porta de entrada estratégica para a América do Sul. A médio prazo, mantemos ainda atenção a mercados como a Suíça, Bélgica e Luxemburgo, que se distinguem pela sofisticação dos investidores e pela diversificação dos seus portefólios.
Que desafios encontram na expansão para diferentes geografias e enquadramentos regulatórios?
O principal desafio é a heterogeneidade dos enquadramentos legais e regulatórios entre países no que diz respeito à propriedade de clubes, regras de investimento e modelos de governação desportiva. Cada mercado tem especificidades próprias. Se em Portugal é a transição para o modelo de SAD , em Espanha são as regras de controlo financeiro muito estritas da La Liga e noutros países são as restrições à propriedade estrangeira, o que obriga a uma abordagem adaptada e à contrução de parcerias locais com conhecimento profundo da realidade regulatória.
Mais do que tentar uniformizar processos o nosso foco está em criar estruturas flexíveis capazes de operar com segurança e conformidade em diferentes jurisdições. Esta lógica está também presente na parceria com a BHI Capital, consultora espanhola de investimento e assessoria estratégica no desporto profissional com duas décadas de experiência e presença ativa em Espanha Portugal México Argentina e Brasil.
Esta aliança posiciona as duas empresas como operadores de referência nas transações de clubes e SADs em toda a Península Ibérica, numa altura em que o futebol ibérico atrai um volume crescente de capital internacional. A atuação conjunta cobre toda a cadeia de valor das transações desportivas desde a prospeção e avaliação financeira até à preparação negociação e acompanhamento integral do fecho de negócio.
O futebol ibérico atravessa um momento de transformação estrutural e os investidores internacionais exigem processos transparentes dados auditáveis e interlocutores com credibilidade no mercado. É precisamente essa combinação que esta parceria oferece.
Qual é a estratégia de posicionamento da Brands Capital Sports para se afirmar como referência global num mercado ainda pouco estruturado?
A nossa estratégia assenta em três pilares: tecnologia, transparência e exclusividade. A utilização de um algoritmo proprietário para a avaliação dos clubes permite reduzir a subjetividade do processo. A exigência de contas auditadas e a verificação da ausência de dívidas fiscais reforçam a transparência. Já o mandato exclusivo de 24 meses assegura uma gestão profissional e confidencial das transações, evitando processos dispersos que tendem a afastar investidores institucionais. Para além disso, existe uma ambição clara de posicionamento como referência na avaliação e no ranking de clubes em Portugal. Procuramos ocupar um espaço semelhante ao do Transfermarkt, mas aplicado aos clubes enquanto ativos financeiros e não apenas a jogadores. O ranking das SAD da Liga Portugal Betclic marcou um primeiro passo relevante, ao posicionar o Sporting com uma valorização média de 613 milhões de euros e o Benfica com 579 milhões. Este será o primeiro de vários rankings anuais que pretendem consolidar a plataforma como referência de mercado.
De que forma estão a construir uma marca credível junto de clubes, investidores e parceiros institucionais num setor tão sensível como o futebol?
A credibilidade constrói-se com execução, consistência e equipa. A nossa liderança combina experiência no ecossistema do futebol com rigor financeiro e validação externa. O CFO Filipe Castro traz experiência ligada ao FC Famalicão, acrescentando uma perspetiva financeira no futebol profissional português. O COO Raul Ribeiro Monteiro tem um percurso operacional vasto, com experiência em clubes como Sintrense, São Roque nos Açores, Aves e Santa Clara, o que lhe confere um conhecimento profundo das diferentes realidades do futebol nacional. Esta base prática é complementada por rigor financeiro e auditoria externa, incluindo o trabalho da Gestifer, que atribuiu uma avaliação inicial de 280 mil euros à estrutura. É esta combinação entre experiência operacional no futebol, rigor financeiro e validação independente que sustenta a credibilidade da Brands Capital Sports junto de clubes, investidores e parceiros institucionais.
Que papel desempenham o marketing e o storytelling na desmistificação do investimento em clubes enquanto ativos financeiros?
O storytelling é fundamental porque um clube de futebol não é apenas um ativo financeiro, tem uma história e uma identidade. O marketing ajuda a traduzir essa paixão em valor tangível para o investidor. Ao contarmos a história de um clube centenário que precisa de capital para modernizar as suas infraestruturas e regressar aos grandes palcos, estamos a mostrar ao investidor que não está a comprar apenas uma empresa, está a investir num projeto com impacto social e emocional profundo e que, bem gerido, tem retorno financeiro.
O turismo desportivo e as experiências para adeptos já são uma linha relevante de receita?
Ainda não são a principal fonte de receita para a maioria dos clubes, mas representam uma das áreas com maior potencial de crescimento. Estamos a desenvolver soluções de turismo desportivo e programas de fidelização que permitam aos clubes aumentar receitas de forma antecipada, mesmo antes da entrada de investidores. Iniciativas como campos de férias, experiências em dias de jogo ou programas de envolvimento de famílias têm um potencial significativo, sobretudo em clubes com forte base de formação. Num clube com cerca de 400 jovens na formação, existe também uma comunidade alargada de familiares que pode ser mobilizada como parte desse ecossistema de receitas.
Um exemplo desta abordagem é a Sphere Talents Academy, com abertura prevista para outubro de 2026 em Famalicão. Trata-se de uma academia de formação desportiva e inserida num conceito eco-natural, com capacidade para 50 jovens atletas em regime residencial.
O projeto integra ainda residências imersivas, espaços de treino e recuperação e uma componente de turismo desportivo orientada para atletas, famílias e grupos. Esta dimensão cria uma linha de receita autónoma e posiciona a academia como um ativo relevante no ecossistema desportivo nacional, combinando formação, performance e experiência.
Que novas formas de monetização estão a ser desenvolvidas para os clubes?
Estamos em processo de registo de marcas próprias de apoio aos clubes, com o objetivo de criar soluções à medida que vão além das receitas tradicionais como quotas anuais e bilhética. A estratégia passa por otimizar o merchandising, desenvolver programas de fidelização digital, explorar naming rights de infraestruturas e criar conteúdos exclusivos para redes sociais com maior capacidade de atrair patrocinadores globais. Os sócios e adeptos assumem aqui um papel central enquanto base de geração de receita, desde que exista uma proposta de valor clara e relevante por parte do clube.
A Sphere Talents Academy é, neste contexto, o projeto que melhor ilustra este modelo de monetização integrado. A academia opera com três planos mensais em regime completo, ajustados a diferentes perfis de atletas: Standard, Standard Plus e Standard Elite, com mensalidades de 2.000€, 2.500€ e 3.000€, respetivamente. Os planos incluem diferentes níveis de formação desportiva, acompanhamento técnico, fisioterapia, nutrição, estadia e suporte académico, evoluindo de uma componente mais focada na formação desportiva para modelos mais completos de desenvolvimento académico e gestão de carreira.
Para estadias de curta e média duração, os valores variam entre 67€ por dia em programas de maior duração e cerca de 200€ por dia em estadias de curta duração, com opções intermédias de 15 dias, 1 mês, 3 meses e 6 meses. Trata-se de um modelo flexível que serve tanto atletas em imersão pontual como aqueles em percurso de formação contínua.
Todas as valências da academia são asseguradas por técnicos certificados com grau UEFA e incluem treino diário, análise técnico-tática com vídeo, preparação física individualizada e acompanhamento fisioterapêutico contínuo, integrando também o conceito eco-natural como parte do processo formativo. Para além da componente desportiva, a academia desenvolverá ainda parcerias académicas com a BGA Academia, incluindo programas online e presenciais, com a participação de monitores ligados ao empresário Tim Vieira. O português será língua de formação obrigatória, reforçando uma estratégia de posicionamento internacional focada em países lusófonos e mercados que valorizam a língua como vantagem competitiva no acesso ao futebol europeu. No conjunto, trata-se de um ecossistema integrado que liga formação de talento, desenvolvimento académico e inserção direta no mercado de clubes através da Brands Capital Sports.
Como é que a integração da Brands&Go complementa o vosso modelo de negócio?
O grupo Brands Capital atua em três frentes complementares. A Brands Capital Sports dedica-se ao mercado de clubes de futebol e SAD. A Brands Capital Investments funciona como marketplace para empresas de outros setores, em parceria com a Deloitte Legal Telles. Já a Brands&Go é uma plataforma focada na compra e venda de marcas prontas a usar, incluindo naming, identidade visual e domínios. A Brands&Go complementa este ecossistema ao permitir que investidores ou clubes adquiram de forma mais rápida marcas registadas e identidades visuais estruturadas, reduzindo o tempo e a complexidade associados aos processos tradicionais de registo. Trata-se de uma oferta integrada orientada para a valorização e transação de ativos intangíveis.
Estamos a assistir à criação de um mercado estruturado para ativos intangíveis no desporto?
Completamente. O valor de um clube reside cada vez mais nos seus ativos intangíveis, como a marca, a base de dados de adeptos, o alcance nas redes sociais e os direitos de propriedade intelectual. A abordagem da Brands Capital Sports e da Brands&Go reflete precisamente essa evolução. O mercado está a reconhecer que a marca de um clube pode ser monetizada a nível global, independentemente da sua localização geográfica. O nosso papel é fornecer as ferramentas necessárias para estruturar, valorizar e transacionar esse tipo de ativos.
Qual é o papel da tecnologia na escalabilidade desta plataforma?
A tecnologia é o motor da nossa escalabilidade. O algoritmo de avaliação combina seis variáveis objetivas e integra dados em tempo real, incluindo redes sociais, relatórios financeiros, contas dos clubes e dados da UEFA, permitindo analisar e atribuir valor a dezenas de clubes em simultâneo, com critérios uniformes e auditáveis. O formato de marketplace digital permite que um investidor em Nova Iorque consulte o dossiê de um clube nos Açores em tempo real e com total segurança. A dimensão mais estratégica desta infraestrutura é a capacidade de produzir rankings periódicos com base neste algoritmo. Cada ranking funciona, na prática, como um produto de data intelligence que o mercado não tinha até aqui.
Tudo isto posiciona a Brands Capital Sports não apenas como intermediário de transações, mas também como produtor de informação de referência para o setor, acrescentando valor ao próprio ecossistema e aos seus parceiros.
Sem esta infraestrutura tecnológica, o modelo estaria limitado a uma abordagem de consultoria tradicional, mais lenta e geograficamente mais restrita.
O futebol pode vir a funcionar com lógicas semelhantes às dos mercados financeiros tradicionais?
Já está a acontecer. A entrada de fundos de private equity, a criação de estruturas de multipropriedade de clubes e a utilização de instrumentos de dívida estruturada são práticas importadas de mercados como Wall Street e a City de Londres. O futebol está a adotar progressivamente lógicas de corporate finance, com maior exigência em termos de auditoria, planos de negócio a cinco anos e estratégias claras de saída para investidores. A nossa plataforma enquadra-se nesta evolução, funcionando simultaneamente como reflexo e facilitador da maturidade crescente deste mercado.
Como imagina a evolução deste setor nos próximos cinco anos?
Nos próximos cinco anos, prevejo uma consolidação do mercado. Os clubes que não profissionalizarem a sua gestão enfrentarão dificuldades acrescidas para se manterem competitivos. Veremos um aumento significativo de fusões, aquisições e investimentos cruzados, com o capital internacional a entrar de forma mais estruturada em ligas periféricas com talento, como a portuguesa. A avaliação de clubes baseada em dados tenderá a tornar-se a norma, e plataformas como a Brands Capital Sports poderão assumir um papel relevante enquanto pontos de encontro e negociação no setor.
Qual é a ambição global da Brands Capital Sports?
Queremos ser a plataforma de referência global para a transação de clubes de futebol e SADs. Estimamos atingir uma avaliação de 1,6 milhões de euros em quatro anos e de 6 milhões em oito anos, com presença progressiva em diferentes mercados internacionais, democratizando o acesso ao investimento desportivo de forma transparente e segura. Esta ambição assenta também num ativo estratégico que estamos a construir de forma deliberada, o ranking. Já publicámos, o primeiro ranking das SAD da Liga Portugal Betclic, com o Sporting no topo, avaliado em 613 milhões de euros, seguido do Benfica com 579 milhões. Este é apenas o ponto de partida.
A nossa intenção é publicar quatro rankings por ano, consolidando-nos como referência na avaliação de clubes portugueses enquanto ativos financeiros, num paralelismo claro com o papel que o Transfermarkt assumiu na avaliação de jogadores.
Este posicionamento reforça diretamente o valor da própria plataforma. Cada ranking publicado aumenta a nossa autoridade, atrai mais clubes, mais investidores e mais parceiros institucionais, tornando a Brands Capital Sports um ativo progressivamente mais relevante e potencialmente mais atrativo para grupos de investimento estratégicos. O nosso portefólio atual de 49 clubes listados já representa uma dimensão inédita em Portugal e deverá crescer de forma significativa à medida que a rede internacional se expande. Este crescimento articula-se ainda com a Sphere Talents Academy, com abertura prevista para outubro.












