A poucos minutos do quarteirão artístico de Miguel Bombarda, dos Jardins do Palácio de Cristal, do Miradouro das Virtudes e da Avenida dos Aliados, há uma casa que se abre e recebe quem chega para entregar um Porto mais intimista, mais criativo e profundamente ligado às pessoas que lhe dão vida. Porque há hotéis que oferecem uma estadia. E outros que entregam toda uma história. Aqui, a história conta-se e é contada pela Casa Cedo, instalada numa casa senhorial do século XIX, em plena Rua de Cedofeita. Um boutique hotel de apenas oito quartos que foi trabalhado desde sempre para ser precisamente isso, muito mais do que um lugar onde dormir: um espaço de encontro entre património, design, arte, natureza e comunidade.
As fundações do projecto começaram a ser alicerçadas há cerca de oito anos, quando Massimiliano Salè, italiano, e Jeremiah Healy, irlandês, se conheceram em Mykonos. Ambos tinham visitado o Porto e partilhavam o mesmo fascínio pela cidade. Desse cruzamento de gostos e vontades desenvolveu-se a ideia que viria a transformar-se num sonho comum. Mais precisamente, recuperar um edifício histórico e criar um lugar onde viajantes e comunidade local se pudessem cruzar de forma espontânea. No Porto, claro!
Durante anos procuraram o edifício certo, que viriam a encontrar em 2019. Nem mais que uma antiga casa familiar com azulejos originais, uma escadaria monumental, uma claraboia e um jardim literalmente escondido nas traseiras. Todos juntos, entenderam – e bem – que eram elementos mais que suficientes para se começar a traçar as linhas de um projecto onde a memória do lugar fosse preservada, sem deixar de dialogar com uma linguagem contemporânea.
Por isso, a recuperação arquitectónica, assinada pelo Atelier inVitro, não pôde deixar de privilegiar uma intervenção discreta e respeitadora do património existente, com a fachada, a cantaria, os estuques e diversos elementos de azulejaria a serem cuidadosamente restaurados, enquanto um novo piso superior foi integrado na estrutura original. O antigo anexo, antes devoluto, deu lugar a um amplo espaço social destinado a refeições, eventos privados e encontros criativos, marcado por uma estrutura em ferro e vidro e por vigas em madeira recuperadas do edifício principal.
Logo à entrada percebe-se que a experiência começa mesmo antes do check-in, já que a recepção assume a forma de uma boutique botânica desenvolvida em colaboração com o estúdio BOSQUE. Por ali, há flores frescas, livros de arte, cerâmica artesanal e pequenos objectos seleccionados para transformar o espaço num prolongamento da identidade da casa… envolvido, tudo, com fragrâncias Byredo.
Grande parte das peças de cerâmica espalhadas pelo hotel foram produzidas pelo próprio Massimiliano, cuja paixão pela olaria se reflecte em diferentes espaços e que ajuda a conseguir uma atmosfera profundamente pessoal, onde nada parece ter sido escolhido apenas por uma questão estética.
O design de interiores, desenvolvido pelo Quiet Studios, encontrou precisamente na natureza o ponto de partida para construir toda a narrativa visual da Casa Cedo. A inspiração surgiu do jardim original da propriedade, simultaneamente selvagem e cuidado, mas também de um curioso detalhe descoberto durante as obras: ananases desenhados nos azulejos da entrada, um elemento que remetia para as ligações da antiga família proprietária ao Brasil e que ajudou a consolidar a identidade botânica.
Ao longo dos diferentes espaços convivem referências dos anos 50, 60 e 70 com mobiliário desenhado para o hotel e peças de antiquário recuperadas. Há formas escultóricas, materiais naturais, cores profundas e iluminação intimista, que criam ambientes de conforto e sofisticação. Muitos dos elementos foram produzidos em colaboração com artesãos portugueses, reforçando a ligação ao território e ao saber-fazer local.
Nos três pisos superiores distribuem-se oito quartos, organizados em cinco tipologias distintas. Cada um recebeu o nome de uma planta — como Mandragora, Nymphaea Alba, Calla ou Amaranthus — inspirando-se nas suas características simbólicas, terapêuticas ou botânicas. Esta narrativa prolonga-se através das paletas cromáticas, dos detalhes decorativos e das peças feitas à medida, criando ambientes serenos.
Mas a Casa Cedo distingue-se sobretudo pela forma como entende a hospitalidade. Aqui, o luxo não reside na ostentação, mas no tempo, na atenção ao detalhe e na personalização da experiência. Uma equipa de concierge desenha roteiros culturais adaptados aos interesses de cada hóspede, enquanto a programação da casa inclui jantares privados com chefs convidados, apresentações de artistas, exposições temporárias e workshops desenvolvidos em parceria com criativos e artesãos locais.
James é o senhor que recebe e nos faz, desde logo, sentir em casa, como em casa. E Ramon, à frente da cozinha, mima com sabor quem por ali passa e se senta. Prepara bolos e bolachas, em jeito de aconchego, e deixa que o tempo com tempo ajude a um momento de felicidade.
É por tudo isto, combinado e bem alinhado, que a Casa Cedo se afirma como espaço vivo, onde visitantes e comunidade partilham experiências, ideias e momentos, onde o design serve para contar histórias, a arquitectura preserva a memória e a hospitalidade se traduz numa sensação de pertença. Aquilo que por ali sentimos, entrega e pertença ao local.
NOTA: A Casa Cedo pode também ser reservada na totalidade (preço a partir de 1960€/noite), permitindo que todos os hóspedes vivam experiências à sua medida.












