Nos Alive aposta em 8º palco. Depois do fado e da comédia, vem aí a literatura

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Rafael Ascensão
17/06/2026
11:57
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Rafael Ascensão
17/06/2026
11:57

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Depois do fado e da comédia, o Nos Alive vai reforçar a sua dimensão enquanto plataforma cultural alargada com a criação de um novo palco inteiramente dedicado à literatura. Depois do fado e da comédia, o festival passa a integrar também um espaço onde os livros, os autores e o debate literário ocupam o centro da experiência, elevando para oito o número total de palcos da edição deste ano.

O anúncio foi feito por Álvaro Covões, diretor-geral da promotora Everything Is New, que enquadrou a novidade numa lógica de abertura do festival a novas formas de consumo cultural. “Convidar os portugueses a consumir mais cultura é mostrar na prática o que é a cultura”, sintetizou na apresentação da novidade, sublinhando que o Nos Alive se afirma hoje como “o maior relvado de cultura do país”.

Para o responsável, a aposta surge da convicção antiga a de que o crescimento cultural de um país está intimamente ligado ao seu desenvolvimento económico e social. “Temos falado muito da importância de aumentar os hábitos culturais dos portugueses para que possamos aproximar-nos dos níveis de desenvolvimento dos países do Norte da Europa”, disse à Marketeer, à margem do evento, sendo que, na sua perspetiva, Portugal continua a apresentar um atraso semelhante tanto nos indicadores económicos como nos hábitos de consumo cultural.

Daí que considere que festivais como o Nos Alive têm também uma responsabilidade na promoção do acesso à cultura. “Se conseguirmos que os portugueses consumam mais cultura, vão enriquecer individualmente, desenvolver um sentido crítico diferente e tornar-se mais criativos e produtivos. É assim que se melhora o nível de vida das populações”, defendeu.

A curadoria do novo espaço ficará a cargo de David Lopes, que defendeu a criação do palco literário como uma extensão natural do território cultural do festival. A leitura, afirmou, não está em crise, mas tem “uma enorme oportunidade de progredir em Portugal”, sobretudo se conseguir sair do seu circuito tradicional e aproximar-se de novos públicos.

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“Os países com maior desenvolvimento económico e social são também os que têm maiores índices culturais”, referiu, defendendo que música e literatura partilham uma mesma natureza simbólica: ambas permanecem na memória e constituem um património imaterial comum. “Uma grande canção e um grande livro têm a mesma ambição: ficar connosco depois de terminarem”, apontou ainda.

Entre os nomes confirmados estão Valter Hugo Mãe e Pedro Chagas Freitas, que vão conversar com Ana Markl, tendo a mesma defendido que a leitura “não precisa de ser resgatada”, mas sim tornada “tão pop e social como a música”, sublinhando o crescimento de comunidades digitais e clubes de leitura como sinais claros de renovação do hábito.

Já Pedro Chagas Freitas reforçou a ideia de democratização do livro, defendendo que “todos são potenciais leitores” e que os escritores devem assumir uma postura que permita alcançar todos os tipos de públicos.

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O programa inclui ainda conversas conduzidas por Pedro Boucherie Mendes com nomes como Luísa Sobral e Afonso Cruz, explorando o cruzamento entre música e literatura e questões como a emoção de ouvir palavras próprias transformadas em canções.

A programação estende-se ao longo dos três dias do festival, incluindo também no último dia autores emergentes como Ana Bárbara Pedrosa e Francisco Guimarães, numa conversa dirigida por David Azevedo Lopes.

Um dos elementos mais práticos da iniciativa será a disponibilização de livros dos autores presentes no recinto, numa parceria com os CTT que permitirá o envio gratuito das obras para casa dos festivaleiros. A medida pretende evitar que o público tenha de circular com livros durante o festival, facilitando a experiência de compra e leitura.

O objetivo, segundo a organização, não é competir com a música, mas complementá-la. E, ao fazê-lo, transformar o Nos Alive num espaço onde a cultura não se limita a ser vista ou ouvida, mas também lida, discutida e levada para casa.




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