A intenção da Netflix de avançar para a aquisição da Warner Bros está a despertar fortes reservas na Europa, em particular no Reino Unido. Um grupo composto por mais de uma dezena de políticos e antigos responsáveis do setor cultural britânico pediu formalmente à Autoridade da Concorrência e dos Mercados (CMA) que promova uma avaliação aprofundada da operação, avaliada em cerca de 76 mil milhões de euros.
Segundo uma carta divulgada pelo Financial Times e citada pelo el economista, os subscritores alertam para o risco de o acordo resultar na consolidação de um operador dominante no mercado do streaming. Entre os signatários encontram-se antigos ministros da Cultura, como Chris Smith, do Partido Trabalhista, e Oliver Dowden, do Partido Conservador, assim como ex-dirigentes de órgãos de comunicação social de referência, incluindo a BBC e The Telegraph.
No documento, os autores sublinham o receio de que a operação provoque uma diminuição significativa da concorrência, com impactos negativos para os consumidores e para a indústria criativa britânica, reconhecida internacionalmente. O setor do cinema e da televisão no Reino Unido poderá ser particularmente afetado caso a concentração avance sem restrições.
A reação surge numa fase em que o Governo liderado por Keir Starmer procura relançar a economia britânica e adotar uma postura menos intervencionista em grandes operações empresariais. Ainda assim, a dimensão do negócio e a crescente concentração do setor audiovisual estão a gerar apreensão tanto na Europa como nos Estados Unidos.
Entretanto, a Netflix e a Paramount têm intensificado contactos com governos e reguladores europeus, procurando convencer as autoridades dos benefícios económicos e estratégicos dos respetivos negócios. Apesar disso, um eventual veto ou a imposição de condições rigorosas por parte das entidades reguladoras poderá inviabilizar as operações.
Entre as principais preocupações levantadas pelos políticos britânicos está o risco de subida dos preços das subscrições.












