«Não temos preconceitos relativamente ao apoio dos privados»

O Artes à Rua – Festival de Artes Públicas está de regresso a Évora. De 13 de Julho a 5 de Setembro, a cidade – que se assume como candidata a Capital Europeia da Cultura – oferece aos visitantes cinema, dança, escultura, fotografia, música, performance e teatro. Para este evento com a duração de quase dois meses estão previstos quase 100 espectáculos envolvendo 300 participantes de 12 países.

Promovido pela Câmara Municipal de Évora, o festival é concebido em parceria com artistas, criadores, agentes, programadores e públicos. A sua programação é transversal e será visível em vários palcos, montados pela cidade.

Como parceiros, o Artes à Rua conta com o Festival de Músicas do Mundo de Sines, o Inatel, o Palácio Cadaval, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. O vereador do Património e da Cultura, Eduardo Luciano, esteve à conversa com a Marketeer sobre a edição deste ano.

O que é que esta edição traz de diferente relativamente às anteriores?

Um maior número de participantes, maior diversidade e maior grau de internacionalização. O que nós mantemos e acentuámos foram as criações feitas propositadamente para o Artes à Rua. Termos três criações: a Omiri; o Mar-Planície com o José Luís Peixoto, o Carlos Martins e o José Manuel Rodrigues; e a ópera criada sob orientação do Amílcar Vasques Dias. São três novas criações. Temos mais criadores locais a participar. São mais de 100 criadores locais reunidos em cinco dezenas de associações. Os palcos estarão mais espalhados pela cidade. E temos, este ano, a preocupação com algo que temos sido maus a fazer que é comunicar. É uma nova preocupação e um novo olhar sobre aquilo que achamos que fazemos bem. Este não é um festival que dura três dias. Dura dois meses e tem coisas a acontecer na rua todos os dias.

Conseguem medir o impacto económico que o festival traz para a cidade?

Não consigo medir em números. Mas consigo medir pelo feedback que recebo da economia local. Da hotelaria, dos restaurantes, do artesanato… Sente-se de facto a presença do Artes à Rua. Não é por acaso que no período em que não existiu um festival deste tipo – havia o “Viva a Rua” que terminou em 2001 e depois houve um longo período em que não houve nada – havia grande saudade das pessoas, do tecido económico. Questionavam se a cada ano ia existir o Viva a Rua. Este tipo de iniciativas traz de facto uma dinâmica imensa ao tecido económico local e cria um hábito que eu acho que é muito importante. A cultura promove, de facto, desenvolvimento económico. Só se consegue fazer isto demonstrando-o, que é o que acontece com o Artes À Rua. Fazer estatísticas não resulta, resulta apenas demonstrando-o.

De que maneira é que ao longo do ano as pessoas de Évora se preparam para o festival?

Com expectativa. Sempre curiosas sobre quem lá irá nesse ano. Questionam-se se irá alguém mais popular com quem possam cantar em coro ou músicos dos quais é preciso aprender a gostar.

É um misto aquilo que recebem…

Sim, pessoas bem conhecidas como o Chico César e depois outras que são mais ou menos desconhecidas do grande público, mas que enchem a Praça do Giraldo. É fantástico. Porque isto é criar público. É educar público. É desafiar a ouvir coisas de forma diferente e este é um trabalho do Artes à Rua.

Não há patrocinadores associados ao evento. É porque não querem ou porque ainda não apareceram?

É porque não surgiu a oportunidade. Não temos qualquer tipo de preconceito relativamente ao apoio dos privados a este tipo de iniciativas. A experiência que temos é que é mais fácil encontrar um patrocinador para um festival de três dias na região de Lisboa, pago a peso de ouro, do que encontrar um patrocinador para dois meses com uma programação intensa, livre, aberta e sem bilheteira para uma cidade do interior. Apesar de ser uma cidade de interior que está a cento e vinte quilómetros de Lisboa. Esse trabalho, estamos a fazê-lo lentamente. Temos já alguns contactos, mas não é por nossa recusa que não temos patrocinadores. Tomáramos nós ter um suporte financeiro e em vez deste Artes à Rua teríamos este Artes à Rua melhor ainda.

O trabalho de procura de patrocinadores tem sido proactivo da vossa parte ou não o têm feito e têm estado sossegados à espera?

Honestamente, não somos fortes a comunicar nem a fazer isso. Precisamos de ajuda. A mobilização financeira para uma coisa deste género exige quem conheça muito bem a área. E as entidades públicas não têm essa vocação e, portanto, temos essa dificuldade. Batemos à porta das instituições a pedir apoio financeiro como quem vai pedir esmola. Isto tem de mudar. É o paradigma que tem de mudar e temos de trabalhar nisso. Fomos educados para o serviço público e não para a mobilização ou angariação de patrocínios…

Este ano ainda é possível entrarem marcas?

Estamos abertos. Se alguém quiser, que venha. Pode ser patrocinar um espectáculo, patrocinar um ciclo, ou na totalidade… Venham!

Há valores já estabelecidos?

Não. Estamos abertos a negociar. Sabemos qual é o orçamento do Artes à Rua e estamos abertos a negociar apoios, patrocínios, exclusividade de espectáculos ou palcos…

Texto de Maria João Lima

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