«Não sinto que a Caixa seja uma empresa pública»

imagem_abrir_rs«Não sinto que a Caixa seja uma empresa pública porque vive num ambiente altamente concorrencial», afirmou ontem Nuno Fernandes Thomaz, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), na mais recente TIP Talk da Marketeer, que contou ainda com Francisco de Lacerda, presidente e CEO dos CTT.

Os dois gestores foram os convidados da TIP on Managment, que decorreu ontem ao final da tarde no Jardim de Inverno do Edifício Fidelidade (ex-Mundial Confiança), no Chiado, em Lisboa. Depois de terem passado por várias empresas privadas ao longo do seu percurso profissional, ambos desempenham hoje funções em empresas participadas pelo Estado. Em frente a uma plateia restrita, falaram sobre os desafios da gestão em Portugal, como lidar com processos de privatização e as diferenças entre gerir companhias públicas e privadas. E defenderam que essas diferenças, por vezes, não se fazem notar.

corpo_texto_rs«As decisões do Governo num período de emergência levaram a que a Caixa fosse tratada como uma empresa pública e cortaram-nos alguns mecanismos de gestão. O que nos obriga a sermos criativos nas soft skills, em motivar as pessoas», justificou Nuno Fernandes Thomaz, que assumiu no ano passado a vice-presidência do banco público, com o pelouro do negócio internacional (sobretudo África, China e Brasil), recursos humanos e apoio aos serviços sociais e segurança.

Confessa que aceitou o convite da Caixa pelo desafio – «não havia liquidez, o sector estava de rastos», recorda -, e, hoje, aponta como um dos factores aliciantes o saber lidar com a pressão inerente aos organismos públicos. «Numa empresa pública, de todos os stakeholders, quem coloca mais pressão é o público em geral. Toda a gente sente (e legitimamente) que é dona da empresa», defendeu, acrescentando que «é preciso o dobro da energia para fazer qualquer coisa». Numa empresa com cerca de 11 mil trabalhadores, é também no contacto com os sindicatos e a comissão de trabalhadores que tem procurado aplicar a sua inteligência emocional, que deriva em grande parte da sua paixão antiga pelo râguebi.

Já Francisco de Lacerda foi convidado a assumir o leme dos CTT para liderar o processo de privatização dos correios, depois de um percurso ligado à banca e à construção (foi presidente da Cimpor até 2012). «O dia-a-dia [numa empresa pública] é igual ao de uma empresa privada, desde que estejamos receptivos aos riscos inerentes», defendeu, ressalvando que o «grupo Estado tem uma orgânica de funcionamento mais pesada do que o grupo privado».

No que diz respeito ao processo de privatização, considera que «houve uma conjugação de vontades de todas empresas públicas, porque houve o interesse de maximizar o encaixe para o Estado». Um factor que coincidiu com a «abertura do mercado», demonstrando, no final, que «o modelo escolhido pelos CTT estava correcto». «Ver as ordens a entrar e as acções a chegarem ao topo deu-me um enorme gozo», confessou.

Texto de Daniel Almeida

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