Inovação ou oportunidade? Fundador da Água Penacova garante que objetivo não foi “contornar” sistema Volta mas sim “responder ao mercado”

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Rafael Ascensão
22/05/2026
16:37
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Rafael Ascensão
22/05/2026
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A nova garrafa de 3,1 litros da Água das Caldas de Penacova – cuja medida permite não ser abrangida pela taxa de 10 cêntimos de depósito – gerou um debate intenso e fez furor nas redes sociais, numa altura em que se assinala cerca de um mês desde que o sistema de depósito e recolha de embalagens Volta entrou em vigor em Portugal. O administrador e um dos fundadores da marca garante que objetivo não foi “contornar” mas sim “responder ao mercado”. A SDR Portugal, entidade gestora do sistema Volta, diz “respeitar” a liberdade comercial dos operadores mas recomenda “soluções alinhadas com os objetivos do sistema”.

A embalagem tornou-se mediática pelo facto de a sua litragem se fixar precisamente acima do limite dos três litros que define a obrigatoriedade de integração no sistema Volta, criado para incentivar a devolução de embalagens de bebidas mediante depósito. A coincidência temporal entre o lançamento e a implementação do sistema levou tanto a críticas e acusações de que a marca estaria a tentar “fugir” ao novo modelo, como também a elogios de que a mesma estava a corresponder a uma necessidade dos consumidores.

Segundo garante Urbano Marques, administrador e fundador da empresa, a nova embalagem “não foi pensada para contornar nada”, garante, mas apenas para “oferecer mais um produto ao mercado”. Segundo explica à Marketeer, a origem do projeto remonta a um investimento industrial iniciado há alguns anos, sendo que depois de investir 12 milhões de euros, a Penacova avançou depois com mais 4,5 milhões há cerca de dois anos para uma nova linha de produção dedicada aos garrafões.

Inicialmente, a ideia passava por reforçar formatos já existentes, como os cinco e seis litros, mas a empresa começou a receber pedidos específicos de consumidores de maior idade, que se queixavam do peso excessivo dos garrafões tradicionais. “Recebíamos vários e-mails de pessoas de idade a dizer para mantermos o nosso garrafão mais pequeno porque também eram consumidores e já não pegavam em pesos muito elevados”, recorda.

Foi daí, então, que nasceu a ideia de criar um formato intermédio, mais leve e mais fácil de manusear. Urbano Marques diz ter analisado exemplos internacionais e formatos já testados noutros mercados antes de avançar para a embalagem de 3,1 litros, e faz questão de sublinhar que o detalhe técnico da decisão – a escolha dos 3,1 litros – foi deliberada para evitar qualquer ambiguidade legal, mas a nível europeu, cuja lei diz que até 3 litros.

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O responsável resolveu então “fazer perguntas” e, considerando que poderiam existir ambiguidade relacionadas com o facto de os três litros serem “inclusive” ou não, resolveu assumir “com personalidade” o lançamento de um garrafão de 3.1 para “responder ao mercado” e, ao mesmo tempo, “não deixar dúvidas”.

“Acho que me estão a fazer uma publicidade gratuita brutal”

Ainda assim, a marca acabou por capitalizar a discussão pública em torno da Volta, com uma publicação da empresa nas redes sociais a destacar precisamente que os consumidores não precisariam de pagar depósito para comprar a nova embalagem – algo que ajudou a alimentar a perceção de que a comunicação estava alinhada com uma alegada estratégia anti-Volta.

Confrontado com essa publicação, o administrador apontou que alguém da publicidade ou do marketing poderia ter “escorregado um bocadinho e ter dito alguma coisa”, mas garante que “a intenção não é essa, de contornar”. “A intenção é termos mais uma opção para que as pessoas possam comprar um garrafão destes, mais leve e fácil de manusear”.

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Apesar da controvérsia, o fundador da Penacova parece pouco preocupado com potenciais danos reputacionais, antes pelo contrário. “Acho que me estão a fazer uma publicidade gratuita brutal”, aponta, referindo que, nas redes, “as pessoas estão a chamar a atenção de que até que enfim há alguém da produção deste país que olha para o cliente”.

“Que foi somente o que tentei fazer. Estou a respeitar o meu cliente e a tentar ajudá-lo. Se a mensagem passa assim, cada um interpreta como quiser”, remata.

Segundo o fundador da empresa, os concorrentes também ficaram desconfortáveis por não terem antecipado a oportunidade. “O que se tem passado aí nestes últimos dias, a nível dos meus concorrentes, é que estão muito preocupados por não terem tido a ideia e eu tive. Esse é um problema deles, não é um problema meu. Mas que eles vão imitar, vão”, afirma.

A posição da SDR Portugal e a recomendação de “soluções alinhadas com os objetivos do sistema em vigor”

Perante o caso, e questionada pela Marketeer, a SDR Portugal, entidade gestora do sistema Volta diz apenas que “respeita a liberdade comercial dos operadores, mas mantém como princípio – e recomendação – a promoção de soluções alinhadas com os objetivos do sistema em vigor”.

“Quanto maior for o número de embalagens encaminhadas para a volta, mais plenamente Portugal cumprirá as exigentes metas a que está obrigado. A SDR Portugal, enquanto entidade gestora responsável pela implementação do Sistema de Depósito e Reembolso, segue comprometida com a sua missão de contribuir para o aumento da recolha seletiva de embalagens de bebidas de uso único e para a criação de uma verdadeira economia circular em Portugal, contando com o apoio de todos para o cumprimento deste desígnio nacional”, acrescenta.






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