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“Tratamos o turismo como uma experiência e não como um produto”: a fórmula da Lobby Films & Advertising para vencer prémios internacionais

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Rafael Ascensão
28/04/2026
10:30
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Rafael Ascensão
28/04/2026
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A Lobby Films & Advertising continua a afirmar-se além-fronteiras, acumulando distinções internacionais. Exemplo disso são os dois Ouros conquistados pela produtora portuguesa no Festival Internacional de Filmes de Turismo do Japão – o primeiro evento do circuito CIFFT World’s Best Tourism Film Awards 2026 – e as 3 Platinas nos MUSE Creative Awards. Mas mais do que prémios, a produtora portuguesa encara estes reconhecimentos como a validação de uma abordagem própria à comunicação assente na emoção, na autenticidade e numa leitura mais cinematográfica do território.

“Mais do que troféus, representam validação externa de uma forma muito própria de olhar para a comunicação”, afirma Telmo Martins, CEO e diretor criativo da produtora, à Marketeer. “Num contexto global, onde competem milhares de filmes todos os anos, estes prémios confirmam que é possível fazer comunicação com profundidade emocional, identidade e verdade, e ainda assim ser eficaz. Para nós, é sobretudo isso: um sinal de que o caminho faz sentido”, acrescenta.

E o impacto destas distinções faz-se sentir em diferentes níveis, sendo que, no imediato, funcionam como um “selo de confiança” que “abre portas, encurta distâncias e coloca a produtora em conversas”, onde talvez não estivesse sem estas conquistas.

Mas a médio prazo, o efeito é mais estrutural, ajudando a posicionar a marca num território de diferenciação onde a variável crítica deixa de ser o preço ou a execução, passando a ser a visão criativa. Ainda assim, Telmo Martins não tem dúvidas de que “nenhum prémio substitui resultados”. “O que verdadeiramente sustenta o crescimento é a capacidade de gerar impacto real nos territórios e nas marcas”, diz.

“Em Verde Vivo” – uma das campanhas produzidas pela Lobby Films & Advertising recentemente premiadas

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Mas o que diferencia uma boa campanha de uma peça criativa capaz de conquistar prémios internacionais? O segredo não está na escala, garante o responsável, mas sim na ambição. “Uma boa campanha local resolve um problema. Uma peça que ganha internacionalmente cria uma leitura sobre o mundo. Normalmente, estas peças não explicam, fazem sentir. Não são apenas comunicação, são interpretação. E isso torna-as universais”, entende.

Grande parte do sucesso da Lobby assenta precisamente numa abordagem que rompe com o paradigma tradicional da comunicação turística, sustenta Telmo Martins, sendo que em vez de listas de atrações ou roteiros, a produtora centra-se na dimensão humana da experiência.

“Não tratamos o turismo como um produto, mas como uma experiência humana. Grande parte da comunicação turística ainda vive de listas: o que ver, o que fazer, onde ir. Nós trabalhamos o que se sente quando se está lá. Filmamos território, mas sobretudo filmamos pessoas dentro desse território. Essa mudança de foco, do exterior para o interior, é o que cria ligação”, diz.

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Na base de cada projeto da produtora estão três elementos considerados essenciais: verdade, tempo e silêncio. “Verdade nas pessoas, tempo para que as coisas aconteçam e silêncio para que o espectador entre no filme”, detalha o CEO e diretor criativo, acrescentando ainda a necessidade de “um olhar muito preciso sobre a imagem, a forma como a luz toca, como o espaço respira”, sendo que a “estética não é decorativa” mas antes narrativa.

Se há elemento transversal ao trabalho da produtora, é a emoção, mas longe de uma abordagem gratuita esta é construída com “intenção estratégica”, sendo a emoção tratada não como um elemento, mas como a base. “Hoje sabemos que a decisão, mesmo quando parece racional, é profundamente emocional. O nosso trabalho é criar essa ligação e, ao mesmo tempo, garantir que ela se traduz em ação. A eficácia não está em oposição à emoção, está dependente dela”, explica.

Comunicar em Turismo, setor em transformação e mais exigente

Para o líder da produtora portuguesa, mais do que “fértil” o turismo continua a ser um dos territórios mais exigentes da comunicação contemporânea. “Deixou de ser apenas deslocação. É identidade, memória, procura de sentido”, refere.

Esta complexidade exige abordagens mais profundas, afastadas de fórmulas rápidas, com tempo, sensibilidade e “um conhecimento profundo do território, das suas pessoas, dos seus ritmos, das suas camadas invisíveis”. As tendências, aponta o responsável após quase três décadas a trabalhar esta área, seguem uma direção clara de “menos espetáculo e mais verdade, menos ruído e mais experiência”, com uma comunicação cada vez mais sensorial e próxima do cinema do que a publicidade tradicional.

Telmo Martins considera mesmo que se está a assistir no setor a uma transformação da publicidade em storytelling cinematográfico, até porque o público já não reage a mensagens, mas apenas a experiências, tendo o cinema a “capacidade única” para as criar. “No turismo, isso é ainda mais evidente, porque estamos a vender algo que não se pode tocar antes de viver”, acrescenta.

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“A Ilha” – outra das campanhas premiadas produzidas pela Lobby Films & Advertising

E também do lado das entidades públicas há sinais de mudança, sendo notória uma maior abertura a abordagens menos institucionais, embora a mesma ainda assente na confiança e em provas dadas. “Há consciência de que a comunicação clássica já não cria impacto. Mas essa abertura exige confiança, porque implica risco. E é nesse espaço que surgem os trabalhos mais relevantes”, aponta.

Num momento em que ferramentas como inteligência artificial, realidade virtual ou experiências imersivas ganham protagonismo, a produtora, na figura do seu CEO e responsável criativo, mantém a posição pragmática de não lhes dar o protagonismo. “São ferramentas poderosas que dominamos desde sempre, mas não são o centro”, refere Telmo Martins, que defende que a tecnologia “amplia, mas não substitui a ideia”.

“A IA, por exemplo, permite acelerar processos e explorar novas linguagens visuais, mas sem visão criativa não produz nada relevante. O desafio está em integrar estas ferramentas sem perder humanidade”, acrescenta.

Crescer com consistência e sem depender de tendências

Quanto ao futuro da produtora, a estratégia passa por aprofundar o seu posicionamento atual, mantendo abertura a novos territórios onde a sua abordagem faça sentido. “Mais do que um setor, interessa-nos um tipo de comunicação: emocional, identitária, com ligação real às pessoas”, diz Telmo Martins, acrescentando que, embora o turismo seja um “espaço natural para isso”, não é o único.

No curto prazo, o objetivo passa por consolidar a presença internacional e transformar reconhecimento em projetos de maior escala, enquanto a médio prazo a produtora pretende reforçar a presença em mercados estratégicos e trabalhar com marcas que valorizem a sua abordagem.

Já a longo prazo, Telmo Martins não tem dúvidas que os objetivos da produtora passam por “continuar a construir uma assinatura clara, uma forma de fazer comunicação que resista ao tempo e não dependa de tendências”, conclui.




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